Miriam Paglia Costa

Miriam Paglia Costa

n. 1959 BR BR

Miriam Paglia Costa é uma poeta cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea portuguesa. A sua escrita explora frequentemente a interioridade, as nuances das relações humanas e a reflexão sobre o tempo e a memória. Com uma linguagem cuidada e uma sensibilidade apurada, a autora constrói versos que convidam à introspeção e à contemplação do mundo interior.

n. 1959-04-09, São Paulo

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A Canção dos Insetos

brilha
a redação
eternidade de néon
aprisionados entre cimento e vidro
escrevemos sobre o mundo que anoitece
nada se vê pelas janelas
só reflexo de nossas caras amarelas
jornalistas no aquário
lá longe, tão depressa
nas escadas do teatro
um mendigo troca andrajos
encerra o ato
sem vaia nem aplauso pega o troco
exit
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Biografia

Identificação e contexto básico

Miriam Paglia Costa é uma poeta portuguesa contemporânea. O seu nome está associado a uma produção literária que se distingue pela introspeção e pela exploração de temas universais.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Miriam Paglia Costa não são amplamente divulgadas em fontes públicas, sendo um aspeto que permanece na esfera privada.

Percurso literário

O percurso literário de Miriam Paglia Costa é marcado pela publicação de obras poéticas que têm vindo a consolidar a sua presença no panorama literário. A sua escrita tem sido apreciada pela profundidade e pela qualidade estética dos seus versos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Miriam Paglia Costa caracterizam-se por uma abordagem lírica e reflexiva. Os temas predominantes incluem a análise da condição humana, a efemeridade do tempo, a memória e as complexidades das relações interpessoais. O seu estilo poético é frequentemente marcado por uma linguagem cuidada, pela exploração de imagens e pela musicalidade dos versos. Utiliza tanto o verso livre como formas mais tradicionais, adaptando a estrutura à expressividade pretendida. A voz poética tende a ser confessional e introspectiva, convidando o leitor a uma partilha de sentimentos e reflexões. A autora demonstra uma sensibilidade particular na criação de atmosferas poéticas densas e evocativas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Miriam Paglia Costa insere-se no contexto da literatura portuguesa contemporânea, dialogando com as correntes estéticas e temáticas que caracterizam a poesia escrita em Portugal nas últimas décadas. A sua obra reflete, de forma subtil, sensibilidades e preocupações da sociedade atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Aspetos da vida pessoal de Miriam Paglia Costa são mantidos com discrição, o que é comum em muitos criadores literários que preferem centrar o foco na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Miriam Paglia Costa tem vindo a conquistar um reconhecimento crescente entre leitores e críticos, apreciada pela sua autenticidade e pela mestria com que aborda temas existenciais. A sua obra é vista como uma contribuição valiosa para a poesia portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências específicas de Miriam Paglia Costa possam não ser explicitamente declaradas, a sua obra dialoga com a tradição poética, ao mesmo tempo que manifesta uma originalidade que a distingue. O seu legado reside na capacidade de tocar o leitor através de uma poesia que é ao mesmo tempo íntima e universal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Miriam Paglia Costa convida a múltiplas leituras, especialmente no que toca às suas reflexões sobre a existência, o amor e a passagem do tempo. A sua poesia permite uma análise crítica focada na profundidade psicológica e na construção de um universo poético pessoal.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhes sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida e obra de Miriam Paglia Costa não são de fácil acesso público.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Sendo uma autora contemporânea, não há informações sobre morte ou publicações póstumas relativas a Miriam Paglia Costa.

Poemas

6

Ad Perpetuam Rei

Memoriam

maus
versos e bons planos
faço isso há anos

é chumbo o alfabeto que aprendi

escrevo
tenho todos os dentes
peso até excessivo
adoeço raramente
nasci no brasil
logo, não existo

cólicas líricas seguidas de vômito
salário não paga minha fome

pedem pão, dou verbo
vergonha não rima nem resolve

às vezes desejo o terror
ilusão do justo restaurado
mas quem garante?

se o tapa é a lei da mão
instaura a selva

eu queria ser inocente

697

O Novo Mundo

há cidades que
desde a primeira casa
fermentam
avolumadas em massa
desde a primeira planta
que ainda há de virar casa

planta-se ali
no oco da terra
um pau
palmito que não será só pão, mas caibro
e parede e teto de folhagem

ali onde houve índio e taba
a casa cresce
outra aparece
e logo é centro o confim da vila
e logo o centro não cabe no olho
e
-olha!
eis a cidade
901

A Canção dos Insetos

brilha
a redação
eternidade de néon
aprisionados entre cimento e vidro
escrevemos sobre o mundo que anoitece
nada se vê pelas janelas
só reflexo de nossas caras amarelas
jornalistas no aquário
lá longe, tão depressa
nas escadas do teatro
um mendigo troca andrajos
encerra o ato
sem vaia nem aplauso pega o troco
exit
796

Iniciação à Leitura

meu
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"

a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano

hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"

graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
802

Coagulação do Instante

devo
ir, preciso ir, mas
a caminho
a flor do cacto
estrela presa em moitas do jardim

distraída planta
esquece o rabo fora da toca
e neva este verão
um floco
um floco só
na haste da escuridão

a flor e eu
a serena e a irritável
a que se cumpre e a que deseja
face a face
com grade de permeio
a do zoológico mira a do botânico
uma é estática
na outra, fluir repele o êxtase

a flor e eu, que
bicho hirsuto
porco-espinho
capivara
queixada perdida de seu bando
abrando
e, branda
doce
cega pelo branco
(estátua de osso
esquecido do esqueleto)
calço a alma da flor
e ando
728

O Anjo Vingador

- gosto
de matar pelas costas
é tão bonito!

o menino fala assim ao psicólogo
que conta ao repórter
que conta ao leitor
que todos se horrorizem

o tiro joga o corpo á frente
abertos braços
o quase morto, o morto
cai
súbito vôo em curto abismo

a morte é bela ?
a fala espanta o estudioso
belo é o poder?
a morte assombra
fútil, nas mãos do fútil assassino

mas
entre mitos mais que antigos existe outra moral:
num livro grosso , o livro dos destinos
estaria inscrito eternamente
o encontro do morto e seu carrasco

segundo o rito do fado e da tragédia
a mão que ceifa está sagrada
é outra a ira que executa, grave e dura
relâmpago divino

aqui, no palco das vilezas
horror é fala de meninos.

858

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