Mauricio Segall

Mauricio Segall

Mauricio Segall foi um pintor e gravador lituano, naturalizado brasileiro, conhecido pela sua profunda exploração da figura humana e das paisagens rurais do Brasil. A sua obra, marcada pela expressividade e pelo uso intenso da cor, reflete uma sensibilidade única para capturar a essência das comunidades que retratou. Ao longo da sua carreira, desenvolveu um estilo distintivo que o consolidou como uma figura proeminente nas artes visuais brasileiras.

n. , Vilnius, Lituânia(ex-Império Russo)data_morte = {{nowrap|{{morte|2|8|1957|21|7|1889 · m. , São Paulo, SP

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Como é triste

Como é
triste
Admirar as garotas de Ipanema
Que pensam que sabem muito
Mas sabem apenas
Que o sol queima
E a praia brozeia
Que cuca é careta
Legal é o gozo
Na liberdade do corpo
Desnudo de tudo
No culto de si
No altar do formoso.

Na passarela as zona sul
O desfile contínuo
Das coxas carnudas
No andar lascivo
Das peles douradas
Das nádegas fofas
Da aerrogância pontuda
Dos bicos dos seios
Dos lábios salientes
Nas tangas colantes
Das pernas abertas
Das pernas fechadas no bar da patota
Das pernas vibrantes
No footing da areia.

A dureza precoce
Nos traços da face
Nos olhares sabidos
De sábia malícia
Mas burras do mundo
Ignorantes de tudo
Prenúncios do nada
Prenúncios doídos.

Quanto desejo frio/quente impregnados de pena
Suscitam as esplendorosas estátuas de Ipanema.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Mauricio Segall (nascido Mordko Segall) foi um pintor e gravador lituano, naturalizado brasileiro. Nasceu em 1891 e faleceu em 1974. Foi uma figura central na arte moderna brasileira, com uma obra marcada pela expressividade e pelo uso intenso da cor.

Infância e formação

Nascido na Lituânia, numa família judaica, Segall emigrou para o Brasil em 1913, com o objetivo de conhecer a terra de seus pais. A sua formação artística iniciou-se na Europa, onde estudou em Berlim. A experiência no Brasil, no entanto, foi fundamental para o desenvolvimento da sua linguagem artística, ao absorver as paisagens, as pessoas e a cultura local.

Percurso literário

Embora seja primariamente conhecido como pintor e gravador, a sua trajetória artística pode ser vista como um percurso de descobertas e amadurecimento estético, onde cada fase de sua obra representa uma nova exploração de temas e técnicas. A sua produção é cronologicamente marcada por diferentes períodos e influências absorvidas.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Segall é caracterizada pela expressividade, pela intensidade cromática e pela abordagem psicológica dos seus retratados. Os temas dominantes incluem a figura humana, muitas vezes retratada com sofrimento e dignidade, as paisagens rurais do Brasil e a temática social. Utilizou diversas técnicas, incluindo pintura a óleo e gravura, com um estilo que se aproximou do expressionismo, mas com uma identidade profundamente brasileira. A sua linguagem visual é densa e emotiva.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Segall viveu num período de efervescência cultural no Brasil, coincidindo com o Modernismo e o desenvolvimento de uma arte genuinamente nacional. A sua obra dialogou com as questões sociais e a realidade brasileira, refletindo um olhar atento sobre o país que o acolheu. Foi amigo de outros importantes artistas da época, como Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Casou-se com a curadora e crítica de arte Jenny Klabin Segall, que desempenhou um papel crucial na divulgação e organização de sua obra. A sua vida no Brasil, especialmente no seio da colônia judaica e em contato com a realidade do país, influenciou diretamente a sua produção artística.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Mauricio Segall foi reconhecido em vida e após a sua morte como um dos grandes nomes da arte brasileira. A sua obra faz parte do acervo de importantes museus no Brasil e no exterior, sendo objeto de exposições e estudos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Segall foi influenciado pelo expressionismo europeu, mas desenvolveu um estilo único e pessoal ao retratar o Brasil. O seu legado reside na sua capacidade de transpor para a tela a alma do povo brasileiro e as suas paisagens, deixando uma marca indelével na história da arte nacional.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Segall tem sido interpretada sob diversas óticas, destacando-se a sua crítica social implícita, a sua exploração da condição humana e a sua contribuição para a formação de uma identidade visual brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Segall tinha um fascínio pela cultura popular brasileira e pelos costumes das comunidades que retratava, o que se refletia na autenticidade das suas obras.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Mauricio Segall faleceu em São Paulo, em 1974. A sua memória é mantida viva através do Museu Lasar Segall, em São Paulo, que abriga grande parte do seu acervo e promove atividades culturais e educativas.

Poemas

9

Na ponte de comando

Na ponte
de comando
da nave que singra as vagas
como a noz que flutua na corrente
a vista comanda a linha do horizonte
avistada no infinito
pelo navegante de todas as eras
que no convés ou tombadilho
tal escultura de pedra
perscruta sem piscar
e migra do longe para o perto
para imergir do fora para o dentro
na hipnose do encontro do céu e mar.

A coragem preparada para o mergulho
na cachoeira do fim do mundo plano
como a flechada da gaivota para o fundo
do oceano turvo de um mundo curvo
sonhando sempre com mistérios e perigos
da descoberta de algum novo porto

Portal de horizontes mais profundos.

868

Gostaria de Chegar

Gostaria
de chegar ao século vinte e um
cavalgando um rojão de velas
acompanhado da minha fada
aureolada por uma chuva de estrelas.

Por isto é que é tão, tão triste,
meu braço desnudo, já com a lua desligada,
explorar todo universo
e encontrar somente o frio da alvorada.

Com quem despertar na manhã seguinte?
eis a angústia que me testa
pois não sei se paga a pena
afrontar, gelado, o resto de vida que ainda resta.

765

Poesia

Poesia
é feminino
poema não o é
quisera mais poesia
no universo do meu verso.

Mulher é feminino
macho não o é
quisera mais feminilidade
na minha vida masculina.

Ternura é feminino
masculino não o é
quisera mais doçura
no dia-a-dia com minha amiga.

Vida é feminino
morte também o é
vida só é vida
junto ao ventre de uma mulher

966

Descalço e nu

Descalço
e nu
na escuridão de cada madrugada,
quando meus olhos em água
nem conseguem enxergar a caminhada,

Do quarto à sala
da sala ao quarto

Tropeço minha maratona,
treinando não sei por que
nem para que medalha
só pensando chegar à alvorada.
957

Como é triste

Como é
triste
Admirar as garotas de Ipanema
Que pensam que sabem muito
Mas sabem apenas
Que o sol queima
E a praia brozeia
Que cuca é careta
Legal é o gozo
Na liberdade do corpo
Desnudo de tudo
No culto de si
No altar do formoso.

Na passarela as zona sul
O desfile contínuo
Das coxas carnudas
No andar lascivo
Das peles douradas
Das nádegas fofas
Da aerrogância pontuda
Dos bicos dos seios
Dos lábios salientes
Nas tangas colantes
Das pernas abertas
Das pernas fechadas no bar da patota
Das pernas vibrantes
No footing da areia.

A dureza precoce
Nos traços da face
Nos olhares sabidos
De sábia malícia
Mas burras do mundo
Ignorantes de tudo
Prenúncios do nada
Prenúncios doídos.

Quanto desejo frio/quente impregnados de pena
Suscitam as esplendorosas estátuas de Ipanema.

914

Venham admirar

Venham,
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental

Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.

Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.

Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.

Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.

Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.

Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.

Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.

Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.

805

Inesperadamente lento

Inesperadamente
lento
um momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento

Franzir do cenho
mordiscar do beiço
sopro no cabelo
regendo o vento

Olho cristal do olho
boca trigo da boca
lábio néctar do lábio
levitar, quase um lamento

Do tormento, do langor
retornas ao tédio do momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento;

Curioso, paciente
mudo indago, contemplo;
neste segundo e século
separa-nos a mesa do tempo.
857

O voraz saboreio

O voraz
saboreio de cada milímetro
da tua epiderme cor de centeio
das costas aos seios da fronte aos poros
dispostos nas teias de veios azulados
que tateio com lábios sem peias
e leio com olhos que seguem amorosos
todo meneio ameno e ondular sereno do laceio
dos músculos e do recheio carnudo pleno que mordo com dentes afiados
de permeio aos suspiros dolentes na procura do odor perfumado
nas grutas dispersas que cheiro em todo teu corpo macio e cheio
desejado sofregamente na expressão máxima
do meu inexaurível amor anseio.

945

Lento, curto o momento

Lento,
curto o momento
quando vedas as tochas de felino
e tudo em ti
se reduz ao enleio dos teus lábios
(entre parênteses).

São pêssegos misto de maça e amora
raviólis com recheio cheio
quarto crescente e quarto minguante
sorvedouro e onda
corrente e  areia
arco e flecha,
serpente e piano
imã e espora,
nascente e vento,
ventosa e piranha.

Contemplo e questiono
esta voracidade
de morder a carne
macerar as frutas
esmagar a lua
queimar o sol
afogar a tempestade
beber o mar
comer a areia
e afrontar os perigos do rio e da montanha.

Entre o furacão e a calmaria
poente e aurora
orvalho e pântano
da prosa só resta a poesia
795

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