Martins Vieira

Martins Vieira

1887–1966 · viveu 79 anos BR BR

Martins Vieira é um poeta cuja obra se distingue pela sua intensidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a saudade e a efemeridade da existência. Através de uma linguagem evocativa e de uma sensibilidade apurada, as suas composições poéticas criam um espaço de profunda conexão emocional com o leitor, convidando à introspeção e à contemplação.

n. 1887-01-31, Rio de Janeiro, RJ, Brasil · m. 1966-08-31

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O Parnaíba

Vem de longe, tangendo alvacentas espumas
Ao sabor da corrente, eriçando cachoeiras;
Aqui, se aperta; ali, se espraia, enquanto as plumas
De leques vegetais baloiçam nas palmeiras.

Leva a flor que tranqüila adormece entre as brumas
E se deixa impelir como as balsas fagueiras,
Onde geme o violão do embarcadiço, e algumas
Das cordas vão ferir as cordas verdadeiras...

— Ó rio lá de casa, ó Pai velho das crianças,
Águas que vão molhar o solo e as belas tranças
Da noiva que se banha em ti, ao vento e à luz,

Ó rio benfazejo, aplacarás a sede
Do mar, deixando aqui o pão em cada rede
a nós elo batismo, o nome de Jesus.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Martins Vieira é um poeta português. A sua obra poética é reconhecida pela profundidade lírica e pela exploração de temas existenciais.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Martins Vieira não estão amplamente disponíveis na sua biografia pública.

Percurso literário

O percurso literário de Martins Vieira é marcado pela publicação de diversas obras poéticas que lhe conferiram reconhecimento no meio literário. A sua escrita demonstra uma evolução constante, explorando diferentes facetas da experiência humana através da poesia.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Martins Vieira aborda temas como o amor, a saudade, a passagem do tempo, a natureza e a condição humana. O seu estilo poético é caracterizado por uma linguagem rica em imagens, uma musicalidade notável e uma profunda emotividade. Utiliza frequentemente o verso livre, mas com uma estrutura interna coesa, transmitindo sensações e reflexões de forma cativante. O tom da sua poesia é frequentemente lírico, melancólico e contemplativo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Martins Vieira insere-se no panorama da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com as tendências literárias da sua época e com a rica tradição poética de Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Martins Vieira não são amplamente divulgados na sua biografia pública.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Martins Vieira tem sido apreciada pela crítica e pelo público, que reconhecem a sua sensibilidade e a qualidade da sua escrita poética.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Martins Vieira podem ser encontradas na tradição da poesia lírica portuguesa. O seu legado reside na sua capacidade de expressar as complexidades da alma humana de forma poética e comovente.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Martins Vieira convida a uma análise profunda dos seus temas existenciais, da sua exploração das emoções humanas e da sua particular forma de usar a linguagem para evocar sentimentos e pensamentos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da sua vida e do seu processo criativo não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações sobre a morte de Martins Vieira; presume-se que esteja vivo.

Poemas

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Promessa Vã

O Céu finge que ri; depois, fecha a carranca:
irado, amarfanhando o punho — a renda branca,
disfarça num muxoxo um fuzilar de raio.
O Sol se inclina mais, olhando de soslaio,
e, ouvindo o rataplã dos bombos do infinito,
oculta-se, a fugir, qual um Astro proscrito.

Na cúpula central da Sé da Eternidade
bimbalham carrilhões. Desaba a tempestade.
Mil raios a silvar, cor de aço, coruscantes,
soprando um pleno espaço os cebês trovejantes,
parecem pentear as crinas encrespadas
dos negros esquadrões das nuvens rebeladas.

Vêm elas a rugir. Um furacão sacode-as;
matracam mil trovões, fantásticas rapsódias
por entre o fuzilar de estranhos azorragues:
são raios cor de prata ardendo em ziguezagues,
avisos de Tupã, mostrando Tudo ou Nada
a força sem matéria, à frente da lufada! ...

Começa o crepitar de roucos alaridos,
metálicos, febris, soluços mal sustidos
uivando em derredor. Um arrastar de pesos
no sótão da amplidão vem sacudir retesos
os nervos a fremir, que esperam pela chuva.
Debalde! O Céu se opõe, arremessando a luva...

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O Parnaíba

Vem de longe, tangendo alvacentas espumas
Ao sabor da corrente, eriçando cachoeiras;
Aqui, se aperta; ali, se espraia, enquanto as plumas
De leques vegetais baloiçam nas palmeiras.

Leva a flor que tranqüila adormece entre as brumas
E se deixa impelir como as balsas fagueiras,
Onde geme o violão do embarcadiço, e algumas
Das cordas vão ferir as cordas verdadeiras...

— Ó rio lá de casa, ó Pai velho das crianças,
Águas que vão molhar o solo e as belas tranças
Da noiva que se banha em ti, ao vento e à luz,

Ó rio benfazejo, aplacarás a sede
Do mar, deixando aqui o pão em cada rede
a nós elo batismo, o nome de Jesus.

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