Martim Anes Marinho

Martim Anes Marinho

Martim Anes Marinho foi um trovador medieval galego-português, ativo na segunda metade do século XIII. Sua obra, integrada no cancioneiro popular, reflete o contexto social e cultural da época, com temas recorrentes na lírica trovadoresca, como o amor cortês, a saudade e a crítica social. A sua produção poética contribui para o património literário da Península Ibérica.

n. Séc. XIII

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Ena Primeira Rua Que Cheguemos

Ena primeira rua que cheguemos,
guarnir-nos-á Dom Foam mui bem
d'um pan'estranho que todos sabemos,
d'ũa ucha pere[nal] que [i] tem;
e as calças seram de melhor pano:
feitas seram de névoa d'antano;
e nós de chufas guarnidos seremos.

E prometeu-m'el ũa bõa capa,
ca nom destas maas feitas de luito,
mais outra bõa, feita de gualdrapa,
cintada, e de nom pouco nem muito;
e ũa pena, nom destas mizcradas,
mais outra bõa, de chufas paradas;
já m'eu daqui nom irei sem a capa.

Viste'lo potro coor de mentira,
que mi antano prometeu em Janeiro,
que nunca home melhor aqui vira?
Criado foi em Castro Mentireiro.
E prometeu-m'ũas armas entom,
nom destas maas feitas de León,
mais melhores, d'Outeir'em Freixeeiro.

Com grande labor, mi deu a loriga,
e toda era de chufas viada;
e como quer que vos end'eu al diga,
nunca mi a home viu na pousada;
e [atam] cravelada de mensonha
e tam lev'era, que bem de Coronha
a trageria aqui ũa formiga.

E prometeu-m'ũa arma preçada,
como dizem os que a conhocerom;
"gualdrapa Fariz" havia nom'a espada,
de mouros foi, nom sei u x'a perderom;
e pelo pão mi prometeu log'i
de nevoeiro, e eu lho recebi,
que me pagass', a seu poder, de nada.

[De preç'e com labor foi a loriga
que m'el mandou e de parla viada;
mais como quer que vo-lo homem diga,
nunca a mim virom teer na pousada:
bem cravelada e[ra] de zamponha,
des i tam leve, que bem de Monçonha
mi a aduria aqui ũa formiga.]
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Biografia

Identificação e contexto básico

Martim Anes Marinho é um trovador da época medieval, cujos poemas se inserem na tradição da lírica galego-portuguesa. A sua obra é conhecida através de cópias posteriores, inserida em cancioneiros que preservaram a poesia trovadoresca.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Martim Anes Marinho são escassas. Sabe-se que viveu num período de efervescência cultural e política na Península Ibérica, com forte influência da cultura cortesã.

Percurso literário

Martim Anes Marinho destacou-se como autor de cantigas de amor e de amigo. A sua produção poética contribui para a riqueza do cancioneiro galego-português, refletindo as convenções e os temas caros à poesia medieval.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Martim Anes Marinho compreende cantigas líricas, com destaque para as de amor e de amigo. Os temas abordados incluem o amor idealizado, a saudade e a expressão de sentimentos no contexto da vassalagem amorosa. O seu estilo é característico da poesia trovadoresca, com uma linguagem depurada e um ritmo marcado.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico O trovador viveu na segunda metade do século XIII, um período de consolidação dos reinos ibéricos e de intensa produção literária em galego-português. A cultura cortesã, com os seus códigos de honra e de amor, teve um papel fundamental na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Martim Anes Marinho são escassos. Presume-se que tenha tido alguma ligação com a nobreza ou com os círculos cortesãos, onde a prática da poesia era valorizada.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Martim Anes Marinho advém da sua inclusão nos cancioneiros medievais, que garantiram a sua preservação. A sua poesia é estudada como um testemunho da lírica galego-portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Martim Anes Marinho insere-se na vasta tradição da lírica trovadoresca occitana e ibérica. A sua obra, embora anónima em alguns casos ou de autoria incerta, contribuiu para a consolidação de um corpus poético que viria a influenciar a poesia posterior em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica As cantigas de Martim Anes Marinho são analisadas à luz da teoria da lírica trovadoresca, com foco nas convenções do amor cortês e na expressão dos sentimentos. A sua obra é vista como um reflexo do imaginário medieval.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O anonimato ou a autoria incerta de algumas cantigas atribuídas a trovadores como Martim Anes Marinho são aspetos que desafiam a crítica e a investigação.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos específicos sobre a morte de Martim Anes Marinho. A sua memória perdura através das suas composições poéticas preservadas nos cancioneiros.

Poemas

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Ena Primeira Rua Que Cheguemos

Ena primeira rua que cheguemos,
guarnir-nos-á Dom Foam mui bem
d'um pan'estranho que todos sabemos,
d'ũa ucha pere[nal] que [i] tem;
e as calças seram de melhor pano:
feitas seram de névoa d'antano;
e nós de chufas guarnidos seremos.

E prometeu-m'el ũa bõa capa,
ca nom destas maas feitas de luito,
mais outra bõa, feita de gualdrapa,
cintada, e de nom pouco nem muito;
e ũa pena, nom destas mizcradas,
mais outra bõa, de chufas paradas;
já m'eu daqui nom irei sem a capa.

Viste'lo potro coor de mentira,
que mi antano prometeu em Janeiro,
que nunca home melhor aqui vira?
Criado foi em Castro Mentireiro.
E prometeu-m'ũas armas entom,
nom destas maas feitas de León,
mais melhores, d'Outeir'em Freixeeiro.

Com grande labor, mi deu a loriga,
e toda era de chufas viada;
e como quer que vos end'eu al diga,
nunca mi a home viu na pousada;
e [atam] cravelada de mensonha
e tam lev'era, que bem de Coronha
a trageria aqui ũa formiga.

E prometeu-m'ũa arma preçada,
como dizem os que a conhocerom;
"gualdrapa Fariz" havia nom'a espada,
de mouros foi, nom sei u x'a perderom;
e pelo pão mi prometeu log'i
de nevoeiro, e eu lho recebi,
que me pagass', a seu poder, de nada.

[De preç'e com labor foi a loriga
que m'el mandou e de parla viada;
mais como quer que vo-lo homem diga,
nunca a mim virom teer na pousada:
bem cravelada e[ra] de zamponha,
des i tam leve, que bem de Monçonha
mi a aduria aqui ũa formiga.]
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