Mario Ribeiro Martins

Mario Ribeiro Martins

n. 1943 PT PT

Mario Ribeiro Martins foi um poeta e professor, cuja obra se manifesta numa profunda conexão com a terra, a identidade e as questões sociais do Brasil. A sua poesia é caracterizada por uma linguagem acessível, mas carregada de simbolismo e reflexão, explorando as raízes culturais e a condição humana. Com uma carreira dedicada ao ensino e à literatura, Martins deixou um legado de versos que ressoam com a vivência do povo brasileiro, abordando temas como a natureza, o trabalho, a fé e a luta por dignidade. A sua obra é um testemunho da riqueza e complexidade da alma brasileira.

n. 1943-01-01

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Despedida

Os anos são passados que chegamos,
no templo do saber, cultura humana.
E no momento em que nos retiramos,
saudosos vamos desta caravana.
Na cidade ou sertão para onde vamos,
morando num palácio ou na choupana,
jamais esqueceremos quem amamos,
na escola do saber, tão soberana.
Depois de conquistarmos a vitória,
no templo do saber, com tanta glória,
é chegado o momento de partir...
E, ficarão aqui eternamente,
em nosso coração, principalmente,
SAUDADES DESTE TRISTE DESPEDIR.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Mario Ribeiro Martins foi um poeta, professor e escritor brasileiro. Nasceu em São Fidélis, Rio de Janeiro. A sua obra é fortemente enraizada na cultura e na paisagem do Brasil, especialmente no universo rural e nas questões sociais que o permeiam. A língua de escrita foi o português.

Infância e formação

Mario Ribeiro Martins nasceu numa família de posses, mas enfrentou dificuldades financeiras na juventude. Foi professor e dedicou-se intensamente aos estudos, o que o levou a uma vasta cultura literária. A sua formação acadêmica e as influências que absorveu na juventude, possivelmente ligadas ao ambiente rural e às tradições locais, moldaram a sua visão de mundo e a sua produção poética.

Percurso literário

O percurso literário de Mario Ribeiro Martins é marcado por uma produção constante e por uma forte ligação com a comunidade. Foi professor de português, e a sua atividade literária esteve ligada à divulgação da cultura e da poesia, especialmente no estado do Rio de Janeiro. Publicou diversos livros, consolidando-se como um poeta com voz própria no cenário literário brasileiro.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Mario Ribeiro Martins caracteriza-se por uma poesia que celebra o Brasil profundo, suas gentes, suas paisagens e seus costumes. Temas como o amor à terra, a vida no campo, a fé, a dignidade do trabalho e as desigualdades sociais são recorrentes. A sua linguagem é direta, musical e rica em imagens, evocando o universo sertanejo e o folclore brasileiro. Utiliza frequentemente formas poéticas tradicionais, mas com uma abordagem que soa sempre atual e pessoal. O tom é muitas vezes lírico e reflexivo, por vezes com um toque de melancolia ou de forte emotividade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Mario Ribeiro Martins viveu num Brasil que atravessou importantes transformações sociais e políticas no século XX. Como professor e intelectual, esteve inserido em debates culturais e educacionais. A sua obra dialoga com o contexto rural brasileiro e com as problemáticas sociais que afetavam o país, refletindo uma preocupação com a identidade nacional e com a valorização das raízes culturais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Mario Ribeiro Martins dedicou grande parte da sua vida ao magistério, exercendo a profissão de professor. Essa dedicação ao ensino, aliada à sua paixão pela literatura, moldou a sua trajetória. Informações sobre a sua vida pessoal, relações afetivas ou crenças específicas não são amplamente divulgadas, mas a sua obra sugere um profundo apreço pelos valores humanos e pela cultura popular.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Mario Ribeiro Martins obteve reconhecimento em círculos literários e acadêmicos, especialmente no Rio de Janeiro e em outras regiões onde sua obra encontrou ressonância. Sua poesia, valorizada pela autenticidade e pela representação da cultura brasileira, conquistou um público leitor fiel. Não há registo de prémios de grande projeção nacional, mas seu trabalho é considerado importante para a poesia regional e temática brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado A obra de Mario Ribeiro Martins reflete influências de poetas que celebraram a terra e a cultura brasileira, como também de escritores que abordaram a temática social. Seu legado reside na preservação e exaltação da identidade cultural brasileira através da poesia, inspirando outros a valorizar suas origens e a expressar as realidades do povo. Sua poesia continua a ser estudada e apreciada pela sua força expressiva e temática.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica As interpretações críticas da obra de Mario Ribeiro Martins geralmente destacam a sua capacidade de transpor para o verso a alma e a paisagem do Brasil. A análise de sua poesia foca na autenticidade da linguagem, na profundidade dos temas abordados e na sua contribuição para a poesia de cunho social e regional. A sua obra é vista como um importante registro da cultura popular e das experiências humanas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto interessante da sua trajetória é a sua dupla atuação como professor e poeta, demonstrando a interligação entre a educação e a arte em sua vida. Não há muitas curiosidades específicas divulgadas sobre seus hábitos de escrita ou episódios anedóticos que o destaquem além de sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Mario Ribeiro Martins faleceu em 1980. A sua memória é mantida viva através da sua obra poética, que continua a ser lida e estudada, e pelo seu legado como educador e divulgador da cultura brasileira.

Poemas

8

Qual o Teu Nome?

Qual seria teu nome, por ventura?
Margarida? Nely? Linda? Consuelo?
Não sei. Porém, eu sei que em ti fulgura,
a expressão do melhor e do mais belo.
Oh! como tu estás formosa e pura,
dentro deste vestido tão singelo,
que mostra tua esplêndida cintura,
ao viajor, ao jovem do castelo.
Não me dizes, por certo, qual teu nome.
Por acaso, não te chamas Farida?
Não dizes? Também não te chamas Isis.
Neste meu peito existe uma ferida,
provocada por ti que não me dizes,
se tu és, de verdade, a MARGARIDA.

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Despedida

Os anos são passados que chegamos,
no templo do saber, cultura humana.
E no momento em que nos retiramos,
saudosos vamos desta caravana.
Na cidade ou sertão para onde vamos,
morando num palácio ou na choupana,
jamais esqueceremos quem amamos,
na escola do saber, tão soberana.
Depois de conquistarmos a vitória,
no templo do saber, com tanta glória,
é chegado o momento de partir...
E, ficarão aqui eternamente,
em nosso coração, principalmente,
SAUDADES DESTE TRISTE DESPEDIR.

958

Qual dos Dois?

Abandonou-me a vida displicente,
fria, calada, sem medo e sem dó...
Aquela cuja vida tão somente,
era meu coração, o meu Jacó.
Agora, eu subo os montes tristemente,
olho o rico passado, como Jó...
Ouço as desilusões na minha frente,
que gritam com desprezo: SIGA SÓ.
Como seguir assim sem coração?
pois eu o dei com tanta devoção,
com tanta devoção que não pensei.
Ó montanhas, ó gritos, ó passado,
respondei-me: FUI EU ABANDONADO?
OU TIVE O PARAÍSO E REJEITEI?

948

Obire Et Vincere

Vate exaltado, cuja força vibra,
no peito alegre, forte e encorajado.
O denodo mentor da tua fibra,
há de fazer-te sempre admirado.
Se em tua mão, ó homem, se equilibra,
a pena má, origem do pecado,
não deixes, com o vigor da tua fibra,
executar sequer um pontilhado.
Famoso menestrel de que me ufano,
as conquistas do teu esforço humano
serão eternamente inspiração.
O teu desejo de enfrentar a vida,
a luta ardente pra vencer a lida
SÃO FORÇAS VIVAS DO TEU CORAÇÃO.

909

O Triste

Ei-la, tristonha, como nunca esteve:
Face pálida, cabisbaixa, rosto decaído.
Fui eu? Perguntou meu coração e não conteve...
Sim. Fui eu... ingrato, injusto, distraído.
Ei-la, tristonha, como nunca esteve,
e eu pobre, com o coração dorido.
Sofri o amor...sofri a dor...ah! ela susteve
meu amor, meu ser, meu triste dolorido!
Ei-la, tristonha, como nunca esteve,
mas perto de mim, ela manteve
aquele amor que vem da alma apetecida.
Ei-la agora alegre como nunca esteve,
ei-la disposta a se manter como manteve
perto de mim, O TRISTE MAIS FELIZ DA VIDA.

857

Sonhador

Eu sou um sonhador, apaixonado,
mendigo alheio da felicidade.
Meu coração deveras traspassado,
parece não sentir a mocidade.
Quando alguém me pergunta: FOSTE AMADO?
Eu lhe respondo com sinceridade:
Eu sou um sonhador, apaixonado,
mendigo alheio da felicidade.
Eu já busquei amor entre os amores
e caminhei hostil, sofrendo dores,
perdido na miséria e corrução.

1 112

Os Idos

Quando nos tempos idos, mas lembrados,
meu coração fervia nas paixões,
os meus versos riquíssimos, amados,
eram versos de amor, de corações.
Mas hoje são meus versos repassados,
de tristezas, misérias, ilusões.
Meus dias de velhice, desfibrados,
não me trazem senão recordações.
A musa me fugiu do coração
e a dor se apoderou da minha vida:
SÓ FAÇO VERSOS TRISTES NESTA LIDA.
Muitos lerão meus versos e dirão,
e dirão para todos, com certeza:
ESTE VATE FOI FILHO DA TRISTEZA.

1 070

Cosme Velho

Quando contemplo as tuas obras primas,
escritor imortal, de que me ufano,
eu não tenho nas minhas pobres rimas,
um termo que te cante e seja humano.
Do romantismo, sufocaste as cimas,
com coragem tal qual de veterano.
Pregaste o realismo com seus climas,
pelo teu verbo forte e soberano.
Como se fosses ser divino-humano,
passaste humildemente pelo mundo,
vencendo os homens com vigor profundo.
Mas, como não venceste o teu engano,
morreste então, sem fé, sem Evangelho,
no rico casarão do COSME VELHO.

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