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Poesia Ordinária

Poesia Ordinária

Eu queria estar bêbado
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O Jardim

O Jardim

Um jardim tu procuras
Para repousar teus calos,
Teus sofrimentos.

Queres desaparecer pelas frestas da terra,
e alimentar uma flor
já que cansaste de nutrir o mundo.

E cansaste de forma tão trágica,
repentina.
Assim tu me esquartejas, poeta!

Ainda por cima quer um jardim
Um jardim em teu refúgio, em teu exílio.
Exílio que fizeste, pois nós te amávamos.

Teu jardim é quase impossível
Nessa cidade de mar imenso,
mas tão estranha a ti e a teus pares.
Volta para casa, cara.
Tu cantaste a tua vila,
não as ondas bravias do mar.

Aqui terá muitos jardins para escolher.
Os seres mágicos da relva
poderão te levar de jardim em jardim.
Aqui ainda são permitidos os pequenos obreiros.
Poderás cantar esta simplicidade.
Teu filho e teus órfãos hão de cantar junto.

Apesar do meu apelo, faça como quiseres.
Passarei sobre o gramado e as flores,
Onde quer que estejam,
no mar, na terra, no infinito céu,
o jardim cantará minha vida,
escalarei a tua "montanha mágica",
conterei o "vento no litoral",
e deixarei o sol bater em cheio na janela do meu quarto.

(para Renato Russo)

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Entorpecer

Entorpecer

Vida, se tu pudesses ser bebericada
Em xícaras de fumaça,
Lá estaria eu, entorpecido
Pelas nuvens do mesmo líquido

Eu poderia voar até o teu colo
Até o teu beijo e até o teu olhar
E penetrar no manto da noite
Para te encarar verdadeiramente

Vida, te quis face a face
E para isso dancei uma valsa,
Uma valsa com a Morte

A doce, inofensiva e serena Morte
Tão fácil de se apaixonar, apaixonou-se
O que me restou foi levá-la para a cama
Lavar-lhe o corpo, oferecer-lhe um pouco de meu amor
E por fim molhar-lhe as pálpebras cansadas

Agora, Vida, que sucumbi a Morte de paixão,
Te quero imensa e fanaticamente
Cubra-me todas as pequenas noites frias
E me liberte nas grandes noites quentes

Ao comando de teus arcanjos
Estou submetido
E de ti, tenho certeza,
As cores todas se alimentam

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O Homem que Canta

O Homem que Canta

Ouça o homem que canta
Ele está chorando coisas
Tremula a atmosfera
Faz vibrar teu coração

Aquele homem que susurra aos ventos
Presta atenção nele
Que é a verdade que salta de sua boca
Os primeiros sorrisos e as últimas lágrimas

Se tu te arrepiares com a brisa
Não te assustes, é o homem e sua canção
Não te finjas de surdo, ouça a música

Depois de compreender porque o vento sopra
E porque os homens, apesar de tudo, cantam
Serás capaz de te eximir toda a dor

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