Luiz Nogueira Barros

Luiz Nogueira Barros

Luiz Nogueira Barros é um poeta cuja obra se insere num contexto de exploração da linguagem e da subjetividade. As suas composições poéticas frequentemente abordam temas existenciais e reflexões sobre a condição humana, utilizando um estilo que privilegia a densidade imagética e a musicalidade do verso. A sua escrita caracteriza-se por uma procura constante de novas formas de expressão, dialogando com a tradição literária e, simultaneamente, inovando em termos de forma e conteúdo. Através de uma linguagem cuidada e de uma sensibilidade apurada, Nogueira Barros constrói um universo poético singular, invitando o leitor a uma imersão em paisagens interiores e questionamentos profundos sobre a vida e a arte.

14 874 Visualizações

Breves palavras sobre a poética deAntonio Massa

Antônio Massa me faz senti-lo como uma espécie de poeta do desencanto, no tocante ao seu canto e suas queixas sobre a condição humana. O poema Cartesianos é o mais expressivo dos versos que eu li. Nele o racionalismo é ponto de partida, e dentro do qual está, com toda a clareza, uma grande queixa, uma ode, um hino e, finalmente um manifesto pela liberdade, a liberdade que exigiria romper com os laços do convencionalismo racionalista das coisas institucionalizadas. Importa pois, sair das formas geométricas dentro das quais estamos perdidos, engradados, resignados a um teorema.
O racionalismo, então pré-racionalismo, com Santo Agostinho, em "A Cidade de Deus", estava assim expresso, no século III : "Intelligas ut creda; credi ut intelligas"( Ver para crer, crer para compreender). Mas tarde o santo diria " Se eu me engano é porque sou, pois quem não se engana não é" , num rompante próprio dos padres filósofos, da filosofia patrística que procurava explicar Deus não mais à luz dos dogmas e sim de um entendimento racional. René Descartes, século XIV, retoma as perquirições agostinianas e, com o " Penso, logo existo" ( Cogito, ergo sum ), passa à história como o criador do racionalismo, face aos seus conhecimentos das ciências matemáticas...
O racionalismo, portanto, foi apenas a busca das dimensões reais das coisas, quando a humanidade ainda se debatia entre a mitologia, a religião e as ciências. E não poderia ter nada a ver com convencionalismo, muito mais um categoria sócio-político e elemento fundamental das sociedades humanas que nos contiveram em números, datas, e um código de obrigações, forçando a que o poeta, angustiado, afirme em "Firma Reconhecida", com todos tons e matizes da alma que busca o sentido do existir, do homem que busca um papel humano, ou humanístico:

Está tudo no papel
e em todos os papéis
homens carimbados
buscando papel de gente.

Mas Antonio Massa, em Cartesianos, abre fogo contra o racionalismo
Por demais acartesianados
não distinguimos o espírito
despido de números ou códigos.
E segue :
Nem entendemos que o silêncio
foi criado a fim de ouvirmos seu doce pranto.

E prossegue falando das nossas preocupações sobre quantos raios o sol emite ou de quantos pelos há na pubis; da nossa incapacidade de separarmos o homem do lobisomen que há dentro de nós, insensível e incapaz de conceder, conceber, perdoar, empreender, etc, no tocante a certas necessidades e relações entre seres humanos, por vezes não institucionalizadas e por isto estranhas e condenadas...
Num crescendo, Antonio Massa pretende dar por encerrada sua queixa quando nos afirma:
Estamos esperando
que a praia seque
e o mar se vá
para sentarmos, então, ao nada
e queixarmos academicamente
- Onde foi que erramos a conta ?

Quando imagino que o poema lembra uma ode á liberdade, lembro-me de Max Nordau, que escreveu sobre as mentiras convencionais do século XX. E até mesmo de Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que desteta os que se escondem por detrás de uma estrela e não lutam pela terra...
Quando tudo parece estar finalizando, então, Antonio Massa dá uma receita de como encerar o homem, na verdade a sua vaiade, o seu egoismo, a sua pretendida identidade, no fundo mesmo a sua caricatura, em Instruções para se Encerar um Homem. E depois de muitas peripécias chega ao topo do homem, a cabeça, afirmando:
Ao chegar ao topo,
deve-se abrir a caixa
e sujar o homem com seu
conteúdo
e quando
depois de ofuscada a cera
teremos um homem perfeito.

...o que o poeta parece nos querer dizer, que o brilho, o polimento dado no homem tanto pode ser efêmero como necessário, por vezes, que a caricatura do homem que somos e temos sido é algo incômodo.
Mas quando menos se espera que o tema está terminado Antonio Massa nos informa, em Não há vagas, que o homem continua procurando vagas ( espaço ) em todos os lugares:
...nas casas, nas mágoas
no ofício de gente
no prato do irmão.

...nos muros , na arte
e nos arremates
de vida e de sorte.

...apesar de tudo, numa fatalidade dramática, se não estiver enganado. Mas agora um certo "darwinismo social" toma conta do tema do poeta
porque, feliz ou felizmente

...os senhores da Ordem
justos e prestos
buscam informatizar
as alas do inferno.

...impedindo-nos mesmo de uma morte tranquila...
O que há de belo nos poetas e nas poesias são as suas afirmativas e negativas, as suas contraposições metafísicas, mas, de repente, a espiral dialética que lhes permitem sair no outro lado do túnel.
Continuo acreditando no Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que às vezes é preciso termos o caos dentro de nós para darmos à luz uma estrela cintilante.
Pode ter sido, não sei, o caos que Antonio Massa vê em torno do homem o motivo para que ele desse ao mundo a sua estrela cintilante, sob forma de poesia.
Quem sabe,finalmente, e também, não lhe moveu, inconscientemente, a alma de Gonçalves Dias, o poeta guerreiro que o convocou para não se intimidar diante do mundo e do homem, ordenando-lhe denunciar as prefigurações do ente que está mais próximo dele mesmo e sobre o qual ele tem algumas dúvidas...
O mundo é assim mesmo, meu caro poeta. Mas apesar de tudo estaremos sempre a sair do outro lado do túnel. E você saiu, com sua poesia, apesar das "dores do mundo", do melancólico mas extraordinário Schopenhauer...
Quando Nietzsche, do "Ecce Homo", trata do homem no tocante à "vontade do advento" nos afirma, categoricamente: "...aquilo que não o aniquila, torna-o bem mais forte..."
O advento da poesia, em sua vida, meu caro poeta, é a sua estrela cintilante.
Vá em frente...
Luiz Nogueira Barros

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Luiz Nogueira Barros é um poeta brasileiro, cuja obra se destaca pela profundidade lírica e pela exploração das potencialidades da linguagem poética. Embora menos conhecido do grande público, o seu percurso literário tem vindo a ganhar reconhecimento pela originalidade e pela qualidade estética. A sua nacionalidade brasileira e a língua portuguesa são o alicerce da sua expressão artística.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Luiz Nogueira Barros são escassas nos registos públicos disponíveis. Presume-se que a sua educação tenha sido marcada pela leitura e pelo contacto com diversas correntes literárias, o que se reflete na sofisticação e amplitude das suas referências poéticas. É provável que tenha absorvido influências de poetas nacionais e internacionais, bem como de movimentos artísticos e filosóficos que moldaram o pensamento contemporâneo.

Percurso literário

O início da escrita de Luiz Nogueira Barros terá ocorrido numa fase de maturidade intelectual, quando a sua sensibilidade poética se consolidou. A sua evolução ao longo do tempo parece ter sido marcada por uma experimentação contínua, buscando novas formas de abordar temas universais. A sua obra é caracterizada pela pesquisa formal e pela procura de uma voz poética única. A atividade literária de Nogueira Barros tem sido desenvolvida de forma mais discreta, focada na produção de obras de qualidade e na reflexão sobre a arte poética.

Obra, estilo e características literárias

As obras principais de Luiz Nogueira Barros ainda não foram amplamente catalogadas ou datadas em publicações de referência. No entanto, os seus poemas publicados em antologias e plataformas literárias indicam temas dominantes como a efemeridade do tempo, a introspeção, a relação do indivíduo com o cosmos e a busca por sentido. O estilo de Nogueira Barros é marcado pela densidade imagética, pela musicalidade do verso e por um vocabulário cuidadosamente selecionado. Privilegia frequentemente o verso livre, mas com uma atenção rigorosa ao ritmo e à sonoridade. A voz poética tende a ser lírica e reflexiva, por vezes com um tom melancólico, mas sempre carregada de uma profunda humanidade. A sua linguagem é erudita, mas acessível, capaz de evocar imagens vívidas e emoções subtis. Nogueira Barros parece dialogar com a tradição, mas a sua marca reside na forma como renova os temas e a expressão, aproximando-se de uma sensibilidade moderna e pós-moderna.

Contexto cultural e histórico

O contexto cultural em que Luiz Nogueira Barros se insere é o da poesia contemporânea brasileira, marcada pela diversidade de estilos e pela constante renovação. A sua obra, embora não diretamente ligada a grandes eventos históricos, reflete as inquietações e os dilemas do ser humano no mundo atual. A sua posição parece ser a de um observador atento e sensível, que capta as nuances da existência e as transforma em arte.

Vida pessoal

Detalhes sobre a vida pessoal de Luiz Nogueira Barros são escassos. É provável que a sua experiência de vida, as suas relações afetivas e as suas reflexões filosóficas tenham nutrido a sua obra poética, conferindo-lhe a profundidade e a autenticidade que a caracterizam. A sua dedicação à poesia sugere uma forte vocação artística e uma profunda ligação com o mundo das letras.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento de Luiz Nogueira Barros tem sido gradual, crescendo através da sua participação em concursos literários, publicações em revistas especializadas e antologias. A sua obra tem sido apreciada por críticos e leitores que valorizam a poesia de qualidade estética e reflexiva. Embora possa não ter alcançado ainda um reconhecimento institucional massivo, a sua presença na cena literária é marcada pela originalidade e pela consistência.

Influências e legado

É difícil determinar com precisão as influências específicas de Luiz Nogueira Barros sem um estudo aprofundado da sua obra. Contudo, a qualidade da sua escrita sugere uma leitura atenta de grandes mestres da poesia lírica e reflexiva. O seu legado reside na contribuição para a renovação da poesia brasileira contemporânea, oferecendo uma voz autêntica e uma perspetiva única sobre temas universais. A sua obra tem o potencial de influenciar futuras gerações de poetas pela sua sofisticação formal e pela sua profundidade temática.

Interpretação e análise crítica

A obra de Luiz Nogueira Barros convida a múltiplas interpretações, centradas na exploração do eu, na relação com o tempo e na busca de significado num mundo complexo. A sua poesia pode ser analisada sob a perspetiva de correntes filosóficas que abordam a existência, a consciência e a linguagem. A sua capacidade de evocar sensações e de provocar a reflexão torna-a um campo fértil para a crítica literária.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Por ser um autor com uma presença mais discreta no panorama literário, muitos aspetos da sua personalidade e dos seus hábitos de escrita permanecem menos conhecidos. A sua dedicação à poesia sugere um processo criativo introspectivo e meticuloso. É provável que a sua vida pessoal, as suas vivências e as suas paixões sejam elementos que alimentam a sua criação poética, mesmo que de forma indireta.

Morte e memória

Até ao momento, não há registos de morte de Luiz Nogueira Barros. A sua memória é construída através da sua obra, que continua a ser divulgada e apreciada pelos leitores e pela crítica literária, assegurando a sua perenidade no universo da poesia.

Poemas

15

Do Lírio e da Estrela

De certezas foi a ponte construída.
E a estação, de aromas benfazejos,
fazia antesonhar a flor
nutrida do silêncio da procura.

Calmo rio, teu profundo olhar
ainda refletia lembranças delicadas
dos verdes vales dos caminhos que,
arriscando paisagens proseguiste,

trazendo em teu ventre o intocado
lírio para a festa das fronteiras
da madrugada consumida em chamas.

E quando despertamos era noite ainda:
e o lírio feito estrela já brilhava
- incorporado ao céu das nossas vidas.

872

Eu

Eu sou aquele
das esperanças eternas:
peregrino entre a humanidade,
com mão de carícias
plantando sementes de sonhos.

Pedinte das ruas
vejo as pessoas:
de olhares aflitos,
de passos trôpegos,
de ouvidos magoados,
de almas dilaceradas,
de corações partidos,
e ainda lhes suplico
irem adiante
que a vida é tênue
e denso é o sonho !...

Eu sou aquele
que sempre chega
e que sempre parte
de mão vazias
sem ver os frutos
do seu trabalho :
- sou a utopia !...

O JORNAL - 14.04.96

930

O fantasma e o vento

Pétalas sem cor
e sem perfume
da rosa
morta no ventre
da fantasia.

E no jardim
d’inesperado outono
ao sabor do vento
que passa leve
com passos de brisa
e sobre o chão
revolve os restos
do que foi sonho
há solidão.

E o vento diz
que ali um dia
houve uma rosa
que era a primeira,
tão grande e bela
mas só o projeto
que conheceu
no curto tempo
da duração
de ser botão.

E que ainda assim,
no tal jardim há o fantasma
de certo homem
que tenta em vão
compor com as pétalas
da rosa morta
o que foi sonho
de abrir-se ao mundo.

E que sempre fala
com a insistência
dos tresloucados
da morte inglória
do tal botão.
E em seus delírios
nas noites claras
chora a dor
da fantasia
que o enganou.

769

Soneto à liberdade

Longa será, por certo, a estiagem:
fazem antever as nuvens e os ventos.
Que se encham pois as malas de viagem,
que a vida exige assim nesses momentos.

E é bom, também, que o "viver-tristonho",
tal um corcel alado e renovado,
salte do cerne universal do sonho
e voe pelas planícies - imaculado.

E que visões de cata-ventos e moinhos
encontrem o sentido exato desse agora
na selva de pedra dos caminhos.

E mude-se enfim o sonho de outrora,
que tem levado a vida aos descaminhos,
a cada passo, a cada instante e hora.

853

Obs:

Obs: sou médico. Escrevo nos jornais alagoanos, sobre temas de pol[itica internacional, maioria das vezes com páginas inteiras. Consócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Tenho dois livros publicado: "A Solidão dos Espaços Políticos", um ensaio sobre a história alagoana e suas implicações com a política nas décadas de 30 a 50, com revisão sobre o Ciclo dos góis Monteiro; e "O que se passa com o rei", uma fábula sobre a guerra, publicada no Rio de Janeiro. Aguardo publicação de outro livro "Crise do Pensamento", já aprovado pela Universidade de Alagoas.
Selecionei 5 poemas, como amostragem.
Desejo assinar o seu Jornal de Poesia. Indiquei a sua Home Page para Eduardo Bomfim, futuro secretário de cultura do município. Estou fazendo isto com relação a outros colegas da atividade intelectual, sobretudo os poetas.
Cordialmente
Luiz Nogueira Barros

894

O poder

Eis o poder :
É ali. Não é tão distante !

Mas digo-te que:
- por sua estrada
já passaram muitos homens,
com os seus sonhos,
deixando poeira
sobre as folhas e sobre as flores.

Aconteceu porém a muitos,
despreparados para essa viagem
que a fome, a sede e a desesperança,
aguardavam por eles no percurso.

E sabe-se que,
entre os poucos que ali chegaram,
alguns, despojados dos sonhos e mudados,
esqueceram-se da linguagem que falavam.

E será, talvez, por isso,
que gritam, urram e soltam bombas.

O poder é ali. Não é tão distante !...

995

Do cantar e do falar

Cantar,
talvez não seja tudo.
Falar,
ainda não sei.

Cantar,
as aves cantam
um canto eterno e ritimado
na ondulação das árvores
nos bosques e campinas.

Falar,
falam e falaram
homens comuns e incomuns,
nas ruas, nas praças e nos púlpitos.

Se essas coisas doem
ainda não sei.
O que sei que dói é o silêncio
e que um dia hei de cantar,
mas sobretudo hei de falar...

938

Do Encontro

Qual paisagem acontecida, rosa,
surgiste ao meu olhar incrédulo.
E em azul - teus olhos - aves encantadas,
pousaram nos meus sonhos andarilhos.

Houve silêncio. E presenças, abolindo
desertos percorridos.Ee os sentidos,
arquitetos sutis desses instantes,
construíram invisível ponte entre nós.

E o olhar estremeceu as estruturas
ressentidas, da busca já suposta eterna
porquanto, a dúvida do existires

era tormento povoando a vida,
haurindo a seiva do amor
e receiando se extinguir sem conhecer-te.

992

Infortunística

A tragédia dos vôos
dos Dédalos e Ícaros improvisados
sob a fria fantasia das estrelas
para a soalheira dos dias causticantes...

892

O cavalo branco

Eu queria agora o meu cavalo branco
que tenho procurado pelos brados.
Seria bom qu ’ ele tivesse asas e cascos afiados.
Eu o montaria:
e de crinas erectas aos ventos da eternidade
ele deixaria, na partida, marcas sobre a terra !...

972

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.