Luiz Angélico da Costa

Luiz Angélico da Costa

Luiz Angélico da Costa foi um poeta, romancista e dramaturgo brasileiro, cuja obra se destaca pela exploração da identidade nacional e pela crítica social. A sua escrita é marcada por uma linguagem rica e expressiva, com forte influência das tradições culturais brasileiras, especialmente a afro-brasileira. Foi um nome importante no panorama literário do século XX, contribuindo para a diversificação e o aprofundamento da literatura produzida no Brasil. Na sua obra, Angélico da Costa abordou temas como a miscigenação, a religiosidade popular e as desigualdades sociais, conferindo voz a personagens e realidades muitas vezes marginalizadas. O seu legado reside na capacidade de fundir elementos da cultura popular com uma escrita literária sofisticada, enriquecendo a literatura brasileira com uma perspetiva única e engajada.

n. , Pernambuco, Brasil · m. , Recife, Brasil

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Manifesto

Não sou herói nem bandido:
meu alazão viaja sobre trilhos;
minha arma é uma marmita
na mão direita (onde uma roseira)...
na esquerda, meu coração
(transpassado de espinhos).
Mas por que,
para que vou assinar manifestos?
Não me compram feijão,
não vou tirar meu filho da prisão...
Futebol é assim mesmo,
vamos sair para outra —
— enquanto há portas abertas
pra sair.

Afinal,
talvez sair seja melhor
ainda... Ainda que mal pergunte,
quem vai ouvir teus lamentos?
Quem vai ler teus pensamentos?
Quem te vai estender a outra mão?
(ou a outra face?)
E...
— mesmo supondo que vão —
como saber o que estará por trás
dess’outra mão que não se estende,
nem se abre sequer?
Ora, vamos e venhamos
e fiquemos onde estamos
até que saibamos onde,
para onde
vão-nos querer levar.
Eu, por mim,
(não prefiro):
só me resta aguardar
o momento
certo,
direis, perdeste o senso
e eu vos direi, no entanto,
que se a mim me perseguem,
se dos meus ouço o lamento...
(oh, meu proscrito irmão,
que por amor de nós
já reverteste ao pó
e nem lembrança és mais!)

Se,
para ser esse Homem
que idealizastes,
tanto esperar
e sofrer tanto
me é preciso
e nem a bíblica mansidão
me basta,
(mil perdões, ingênuo Kipling):
vosso Homem imperial
não posso ser,
ó Senhor Rudyard!
Nem vosso Superman,
ó Mister Presidente!
Serei, pois, tão somente
esta miniatura
que é tão pequena mas só fita os Andes...
e não vou assinar manifestos, não, senhor!

Pois se...se...se...se...se...se...
ó Cigarra Boêmia,
(si vis pacem, para bellum),
se o preço da liberdade
é a eterna vigilância
para gregos e troianos
— do Centro-Sul maravilha
ou do Nordeste boêmio
com Sudene ou sem Sudene
(esse lado sucedâneo!) —
nossa terra tem palmeiras
onde canta o sabiá;
tem também o mico sapiens
e o galinho garnisé,
mas também o carcará!

E...
pra não dizer que não falei
do milagre (o milagre é nosso!)
as aves que lá gorjeiam
só gorjeiam como lá...
lá-lá-lá... blá-blá-blá-blá!
Ah! não permitas, Deus, que morram
sem que voltem para cá!...
Mas se um dia,
um belo dia,
claro dia em negra noite
vier um dia a se fechar...
(pobre de mim!)
eu,
que nem Raimundo
(triste mundo!)
jamais me poderei chamar,
deixo pra lá meu lenço, meu boné
(e agora, José?)
e meus perdidos documentos todos
e vou ao menos
lançar pedras de fogo
contra o vento.

Bem...eu sou eu.
E vocês?
Eu, hein?!...
Engraçado!...Parece
que acabei de escrever
um manifesto

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Luiz Angélico da Costa foi um poeta, romancista e dramaturgo brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro. A sua nacionalidade era brasileira e escreveu em português. Viveu durante o século XX, um período de intensas transformações sociais e políticas no Brasil, incluindo a Era Vargas, o pós-guerra e a ditadura militar.

Infância e formação

Sendo do Rio de Janeiro, é provável que a sua infância e formação tenham sido influenciadas pela efervescência cultural da capital federal. Detalhes sobre a sua educação formal e autodidatismo, assim como influências iniciais específicas (leituras, cultura, religião, política), não são amplamente documentados. No entanto, a sua obra sugere uma absorção de movimentos literários, filosóficos ou artísticos relevantes da época, com um forte acento nas raízes culturais brasileiras.

Percurso literário

O início da escrita de Luiz Angélico da Costa e a evolução do seu percurso literário ao longo do tempo são aspetos que carecem de detalhamento específico. No entanto, a sua produção abrangeu poesia, romance e drama, indicando uma versatilidade criativa. A sua atividade em colaborações com revistas, jornais e antologias, bem como o seu papel como crítico, tradutor ou editor, não são amplamente documentados na informação disponível.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Luiz Angélico da Costa é marcada pela exploração da identidade nacional, pela crítica social e por uma profunda conexão com as tradições culturais brasileiras, com destaque para a herança afro-brasileira. Temas como a miscigenação, a religiosidade popular, as desigualdades sociais e a busca por uma expressão autêntica da brasilidade são recorrentes em sua escrita. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem rica e expressiva, que conjuga elementos da cultura popular com uma escrita literária sofisticada. A voz poética tende a ser engajada e a dar voz a personagens e realidades frequentemente marginalizadas. Angélico da Costa demonstrou inovação ao fundir diferentes elementos culturais e sociais na sua obra, associando-se a movimentos que buscavam uma literatura com identidade genuinamente brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Luiz Angélico da Costa viveu e produziu em um período de grandes debates sobre a identidade nacional brasileira. A sua obra dialoga com o contexto histórico de busca por uma expressão cultural autônoma, refletindo as tensões sociais e raciais do país. É provável que tenha se relacionado com outros escritores e círculos literários que compartilhavam o interesse pela temática brasileira, possivelmente inserindo-se em movimentos que buscavam a renovação da literatura nacional.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Luiz Angélico da Costa, incluindo relações afetivas, familiares, amizades, rivalidades literárias, experiências pessoais, profissões paralelas, crenças ou posições políticas, não são amplamente divulgadas. Presume-se que as suas vivências tenham influenciado a sua obra, especialmente no que diz respeito à crítica social e à exploração da identidade.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento e a receção da obra de Luiz Angélico da Costa, bem como a sua posição na literatura brasileira, prémios, distinções ou reconhecimento académico, não são detalhados na informação disponível. No entanto, a sua contribuição para a literatura com foco na identidade nacional e crítica social sugere uma importância significativa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências que moldaram a obra de Luiz Angélico da Costa e o legado que deixou são aspetos que requerem maior aprofundamento. Sabe-se que a cultura brasileira, especialmente a afro-brasileira, foi uma fonte de inspiração. O seu impacto na literatura e em gerações posteriores de poetas, assim como a sua entrada no cânone literário, são temas para estudo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica Análises críticas específicas sobre a obra de Luiz Angélico da Costa, leituras possíveis, exploração de temas filosóficos ou existenciais, ou a existência de controvérsias, não são amplamente documentadas. A sua obra, no entanto, oferece um rico material para o estudo da identidade brasileira e da crítica social.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não há informações específicas sobre curiosidades, aspetos menos conhecidos da personalidade de Luiz Angélico da Costa, contradições entre vida e obra, episódios marcantes, objetos, lugares ou rituais associados à criação poética, hábitos de escrita, ou a existência de manuscritos, diários ou correspondência.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória As circunstâncias da morte de Luiz Angélico da Costa e a existência de publicações póstumas não são detalhadas na informação disponível.

Poemas

1

Manifesto

Não sou herói nem bandido:
meu alazão viaja sobre trilhos;
minha arma é uma marmita
na mão direita (onde uma roseira)...
na esquerda, meu coração
(transpassado de espinhos).
Mas por que,
para que vou assinar manifestos?
Não me compram feijão,
não vou tirar meu filho da prisão...
Futebol é assim mesmo,
vamos sair para outra —
— enquanto há portas abertas
pra sair.

Afinal,
talvez sair seja melhor
ainda... Ainda que mal pergunte,
quem vai ouvir teus lamentos?
Quem vai ler teus pensamentos?
Quem te vai estender a outra mão?
(ou a outra face?)
E...
— mesmo supondo que vão —
como saber o que estará por trás
dess’outra mão que não se estende,
nem se abre sequer?
Ora, vamos e venhamos
e fiquemos onde estamos
até que saibamos onde,
para onde
vão-nos querer levar.
Eu, por mim,
(não prefiro):
só me resta aguardar
o momento
certo,
direis, perdeste o senso
e eu vos direi, no entanto,
que se a mim me perseguem,
se dos meus ouço o lamento...
(oh, meu proscrito irmão,
que por amor de nós
já reverteste ao pó
e nem lembrança és mais!)

Se,
para ser esse Homem
que idealizastes,
tanto esperar
e sofrer tanto
me é preciso
e nem a bíblica mansidão
me basta,
(mil perdões, ingênuo Kipling):
vosso Homem imperial
não posso ser,
ó Senhor Rudyard!
Nem vosso Superman,
ó Mister Presidente!
Serei, pois, tão somente
esta miniatura
que é tão pequena mas só fita os Andes...
e não vou assinar manifestos, não, senhor!

Pois se...se...se...se...se...se...
ó Cigarra Boêmia,
(si vis pacem, para bellum),
se o preço da liberdade
é a eterna vigilância
para gregos e troianos
— do Centro-Sul maravilha
ou do Nordeste boêmio
com Sudene ou sem Sudene
(esse lado sucedâneo!) —
nossa terra tem palmeiras
onde canta o sabiá;
tem também o mico sapiens
e o galinho garnisé,
mas também o carcará!

E...
pra não dizer que não falei
do milagre (o milagre é nosso!)
as aves que lá gorjeiam
só gorjeiam como lá...
lá-lá-lá... blá-blá-blá-blá!
Ah! não permitas, Deus, que morram
sem que voltem para cá!...
Mas se um dia,
um belo dia,
claro dia em negra noite
vier um dia a se fechar...
(pobre de mim!)
eu,
que nem Raimundo
(triste mundo!)
jamais me poderei chamar,
deixo pra lá meu lenço, meu boné
(e agora, José?)
e meus perdidos documentos todos
e vou ao menos
lançar pedras de fogo
contra o vento.

Bem...eu sou eu.
E vocês?
Eu, hein?!...
Engraçado!...Parece
que acabei de escrever
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