Lourenço

Lourenço

n. 1953 PT PT

Lourenço é um nome artístico que remete para a figura literária criada por Adolfo Luxúria Canibal. Este pseudónimo é utilizado para explorar uma faceta poética mais introspectiva e lírica, distinta do universo mais experimental e performativo dos UHF. A poesia de Lourenço aborda temas como o amor, a solidão, a cidade e as suas mazelas, com uma linguagem direta, mas carregada de sensibilidade.

n. 1953-01-01

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Amiga, Des Que Meu Amigo Vi

Amiga, des que meu amigo vi,
el por mi morr'e eu ando des i
       namorada.

Des que o vi primeir'e lhi falei
el por mi morre e eu del fiquei
       namorada.

Des que nos vimos, assi nos avém:
el por mi morr'e eu ando por en
       namorada.

Des que nos vimos, vêde'lo que faz:
el por mi morr'e eu and[o] assaz
       namorada.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Lourenço é o pseudónimo poético de Adolfo Luxúria Canibal, músico, poeta e escritor português, conhecido principalmente como vocalista da banda UHF. O nome Lourenço surge como uma entidade literária distinta, permitindo a exploração de uma vertente mais lírica e intimista da poesia, em contraste com a energia rock dos UHF. A sua escrita em português caracteriza-se pela crueza das imagens, pela observação atenta do quotidiano e pela exploração de temas universais como o amor, a morte, a cidade e a condição humana.

Infância e formação

Adolfo Luxúria Canibal nasceu em 1955. A sua formação e desenvolvimento pessoal ocorreram no contexto da ditadura salazarista e da transição para a democracia em Portugal. A sua juventude foi marcada pela efervescência cultural e política que antecedeu e seguiu o 25 de Abril de 1974. A leitura e a música foram desde cedo pilares importantes na sua formação, influenciando a sua sensibilidade e o seu desejo de expressão.

Percurso literário

O percurso literário de Lourenço, enquanto pseudónimo de Adolfo Luxúria Canibal, iniciou-se com a publicação de livros de poesia que foram gradualmente ganhando reconhecimento. A sua obra poética é uma extensão da sua visão artística, marcada pela força das palavras e pela capacidade de criar imagens vívidas. Para além da poesia, Adolfo Luxúria Canibal tem uma vasta obra escrita que inclui romances, contos e artigos de opinião, demonstrando a sua versatilidade como autor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Lourenço, explorada por Adolfo Luxúria Canibal, distingue-se pela sua linguagem crua e direta, mas simultaneamente lírica e carregada de emoção. Os temas centrais da sua poesia incluem o amor em todas as suas facetas, a melancolia urbana, a reflexão sobre o tempo e a mortalidade, e a observação das complexidades da vida quotidiana. Utiliza frequentemente o verso livre, privilegiando a espontaneidade e a expressividade. O seu estilo é marcado por uma forte componente imagética, com metáforas que ressoam no leitor, e por um tom que oscila entre o confessional e o universal. A voz poética de Lourenço é profundamente pessoal, mas alcança uma ressonância coletiva ao abordar sentimentos e experiências comuns.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Adolfo Luxúria Canibal emergiu na cena cultural portuguesa num período de grande efervescência pós-revolucionária. A sua obra poética, tal como a sua música com os UHF, reflete a inquietação e as transformações sociais e culturais de Portugal nas últimas décadas do século XX e início do século XXI. Está associado ao movimento do rock português, mas a sua poesia transcende essa categorização, dialogando com sensibilidades literárias diversas. A sua posição como figura pública e artista multifacetado permite-lhe ter uma visão privilegiada do contexto em que a sua obra se insere.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Adolfo Luxúria Canibal tem sido marcada pela sua dedicação às artes, tanto na música como na escrita. A sua experiência de vida, as suas relações e a sua visão do mundo refletem-se diretamente na sua obra poética, conferindo-lhe autenticidade e profundidade. A sua capacidade de observação e a sua sensibilidade para com as dores e alegrias humanas são elementos cruciais no seu processo criativo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Adolfo Luxúria Canibal, enquanto poeta, tem vindo a conquistar um lugar no panorama literário português. A sua obra poética, para além de ter uma forte base de fãs, tem sido reconhecida pela sua originalidade e pela força expressiva. A receção crítica tem destacado a sua capacidade de conectar-se com o público através de uma linguagem autêntica e de temas universais, conferindo-lhe um reconhecimento crescente no meio literário.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Adolfo Luxúria Canibal na poesia são diversas, mas a sua obra também tem um impacto notório em gerações mais novas de escritores e músicos. O seu legado reside na sua autenticidade e na sua capacidade de expressar a condição humana de forma visceral e honesta. A sua contribuição para a literatura portuguesa reside na ponte que estabelece entre a cultura popular, a música rock e a expressão poética mais formal, abrindo caminhos para novas formas de criação.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra poética de Lourenço é frequentemente interpretada como um espelho da alma urbana e das suas contradições. As suas explorações do amor e da solidão, da esperança e do desespero, oferecem um terreno fértil para a análise crítica. A densidade imagética e a crueza dos temas convidam a uma reflexão sobre a natureza humana e sobre os desafios da existência na sociedade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Para além do seu trabalho com os UHF, Adolfo Luxúria Canibal tem mantido uma atividade literária prolífica e discreta. A dualidade entre a figura pública e enérgica dos UHF e o poeta Lourenço, mais introspectivo, é um dos aspetos mais fascinantes do seu percurso. Os seus hábitos de escrita e a forma como recolhe inspiração do quotidiano são elementos que revelam a sua profunda ligação com a realidade que o rodeia.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não aplicável no presente momento, pois o autor está vivo e a sua obra continua a ser produzida e a influenciar.

Poemas

17

Senhor Fremosa, Oí Eu Dizer

Senhor fremosa, oí eu dizer
que vos levarom d'u vos eu leixei;
e d'u os meus olhos de vós quitei,
aquel dia fora bem de morrer
       eu e nom vira atam gram pesar
       qual mi Deus quis de vós amostrar.

Porque vos forom, mia senhor, casar
e nom ousastes vós dizer ca nom;
por en, senhor, assi Deus mi perdom,
mais mi valera já de me matar
       eu e nom vira atam gram pesar
       qual mi Deus quis de vós amostrar.
419

Estes Com Que Eu Venho Preguntei

Estes com que eu venho preguntei
quant'há que veemos, per boa fé,
dessa terra u [a] mia senhor é;
mais dizem-mi o que lhis nom creerei:
       dizem que mais d'oito dias nom há
       e a mi é que mais d'um an'i há!

Mais de pram nom lhe-lo poss'eu creer
aos que dizem que tam pouc'há i
que m'eu, d'u est a mia senhor, parti;
mais que mi querem creente fazer?
       Dizem que mais d'oito dias nom há
       e a mi é que mais d'um an'i há!

Mentr'eu morar u nom vir mia senhor,
se m'oito dias tant'ham a durar,
mais me valria log'em me matar,
se m'oito dias tam gram sazom for.
       Dizem que mais d'oito dias nom há
       e a mi é que mais d'um an'i há!

E se mais d[e] oito dias nom som
que de mia senhor foi alongado,
forte preito tenho começado,
pois m'oito dias foi tam gram sazom!
480

Três Moças Cantavam D'amor

Três moças cantavam d'amor,
mui fremosinhas pastores,
mui coitadas dos amores.
E diss'end'ũa, mia senhor:
       - Dized'amigas comigo
       o cantar do meu amigo.

Todas três cantavam mui bem,
come moças namoradas
e dos amores coitadas.
E diss'a por que perço o sem
       - Dized'amigas comigo
       o cantar do meu amigo.

Que gram sabor eu havia
de as oir cantar entom!
E prougue-mi de coraçom
quanto mia senhor dizia:
       - Dized'amigas comigo
       o cantar do meu amigo.

E se as eu mais oísse,
a que gram sabor estava!
E quam muito me pagava
de como mia senhor disse:
       - Dized'amigas comigo
       o cantar do meu amigo.
764

Amiga, Des Que Meu Amigo Vi

Amiga, des que meu amigo vi,
el por mi morr'e eu ando des i
       namorada.

Des que o vi primeir'e lhi falei
el por mi morre e eu del fiquei
       namorada.

Des que nos vimos, assi nos avém:
el por mi morr'e eu ando por en
       namorada.

Des que nos vimos, vêde'lo que faz:
el por mi morr'e eu and[o] assaz
       namorada.
695

Assaz É Meu Amigo Trobador

Assaz é meu amigo trobador:
ca nunca s'home defendeu melhor,
quanto se torna em trobar,
do que s'el defende por meu amor
dos que vam com el entençar.

Pero o muitos vẽem cometer,
tam bem se sab'a todos defender
em seu trobar, per bõa fé,
que nunca o trobadores vencer
poderom, tam trobador é.

Muitos cantares há feitos por mi;
mais o que lh'eu sempre mais gradeci:
de como se bem defendeu
nas entenções que eu del oí
- sempre por meu amor venceu.

E aquesto non'[o] sei eu per mi,
senom porque o diz quem quer assi
que o em trobar cometeu.
568

Ir-Vos Queredes, Amigo

- Ir-vos queredes, amigo,
mais viinde-vos mui cedo.
- Ai mia senhor, hei gram medo
de tardar, bem vo-lo digo:
       ca nunca tam cedo verrei
       que eu nom cuide que muito tardei.

- Amigo, rogo-vos aqui
que mui cedo vos venhades.
- Senhor, por que me rogades?
Ca sei bem que será assi:
       ca nunca tam cedo verrei
       que eu nom cuide que muito tardei.

- Amigo, vossa prol será,
pois vos ides, de nom tardar.
- Senhor, que prol mi há de jurar?
Ca sei bem quanto mi averrá:
       ca nunca tam cedo verrei
       que eu nom cuide que muito tardei.

E, senhor, sempre cuidarei
que tardo muito; e que farei?

- Meu amigo, eu vo-lo direi:
se assi for, gracir-vo-lo-ei.
666

Ua Moça Namorada

Ũa moça namorada
dizia um cantar d'amor,
e diss'ela: "Nostro Senhor,
hoj'eu foss'aventurada
       que oíss'o meu amigo
       com'eu este cantar digo".

A moça bem parecia
e em sa voz manselĩa
cantou e diss'a menĩa:
"Prouguess'a Santa Maria
       que oíss'o meu amigo
       com'eu este cantar digo".

Cantava mui de coraçom
e mui fremosa estava,
e disse, quando cantava:
"Peç'eu a Deus por pediçom
       que oíss'o meu amigo
       com'eu este cantar digo".
662

Amiga, Quero-M'ora Cousecer

Amiga, quero-m'ora cousecer
se ando mais leda por ũa rem:
porque dizem que meu amigo vem;
mais a quem me vir querrei parecer
       triste, quando souber que el verrá,
       mais meu coraçom mui ledo seerá.

Querrei andar triste por lhi mostrar
ca mi nom praz, assi Deus mi perdom,
pero al mi tenho eu no coraçom;
mas a quem me vir querrei semelhar
       triste, quando souber que el verrá,
       mais meu coraçom mui ledo seerá.

Pero, amiga, sempre receei
d'andar triste quando gram prazer vir,
mais hei-o de fazer por m'encobrir;
e, a força de mi, parecerei
       triste, quando souber que el verrá,
       mais meu coraçom mui ledo seerá.
626

Já 'Gora Meu Amigo Filharia

Já 'gora meu amigo filharia
de mi o que el tiinha por pouco:
de falar migo; ca tant'era louco
contra mi que ainda mais queria;
       e já filharia, se m'eu quisesse,
       de falar mig', e nunca lh'al fezesse.

Tam muito mi dizem que é coitado
por mi, des quando nom falou comigo,
que nom dorme [já], nem há sem consigo,
nem sabe de si parte nem mandado;
       e já filharia, se m'eu quisesse,
       de falar mig', e nunca lh'al fezesse.

Ca est el home que mais demandava
e nom ar quis que comigo falasse,
e ora jura que já se quitasse
de gram sandic'em que m'ante falava;
       e já filharia, se m'eu quisesse,
       de falar mig', e nunca lh'al fezesse.

E jura bem que nunca mi dissesse
de lh'eu fazer rem que mal m'estevesse.

Em tal que comigo falar podesse,
já nom há preito que mi nom fezesse.
440

Rodrig'eanes, Queria Saber

- Rodrig'Eanes, queria saber
de vós por que m'ides sempre travar
em meus cantares; ca sei bem trobar;
e a vós nunca vos vimos fazer
cantar d'amor nem d'amigo; e por en,
se querede'lo que eu faço bem
danar, terrám-vos por sem conhocer.

- Lourenço, tu fazes i teu prazer
em te quereres tam muito loar,
ca nunca te vimos fazer cantar
que ch'en querrá nen'o Demo dizer.
Com'esso dizes, ar di ũa rem:
que és homem mui comprido de sem
e bom meestr'[e] que sabes leer.

- Rodrig'Eanes, sempr'eu loarei
os cantares que mui bem feitos viir,
quaes eu faço; e quem os oír
pagar-s'-á deles; mais vos eu direi:
dos sarilhos sodes vós trobador,
ca nom faredes um cantar d'amor
por nulha guisa qual eu [o] farei.

- Lourenç', enas terras u eu andei,
nom vi vilam tam mal departir;
e vejo-te [em] trobares cousir
e loar-te; mais ũa cousa sei:
de tod'homem que entendudo for,
nom haverá em teu cantar sabor,
nem cho colherám em casa del-rei.

- Rodrig'Eanes, u meu cantar for,
nom acharei rei nem emperador
que o nom colha - mui bem eu o sei.

- Lourenço, tenho que és chufador;
e vejo-t'ora mui gram loador
de pouco sem, [e] nom cho creerei.
616

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