Linhares Filho

Linhares Filho

n. 1939 BR BR

Linhares Filho é um poeta cuja obra é marcada por uma profunda introspeção e pela exploração de temas existenciais, como a memória, a passagem do tempo e a busca por identidade. A sua escrita caracteriza-se por uma linguagem densa e imagética, onde a musicalidade e o ritmo dos versos criam uma atmosfera envolvente. A poesia de Filho convida a uma viagem interior, convidando o leitor a confrontar-se com as suas próprias angústias e anseios num diálogo íntimo e universal.

n. 1939-02-28, Lavras da Mangabeira

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Das Coisas

Meus cabelos captam a voz das coisas
do espaço e do inespaço.
As coisas: fungíveis e infungíveis,
móveis, imóveis e semoventes,
operam o fenômeno ou são o númeno.
Queiramos ou não,
as coisas nos cercam, nos integram,
ou são presença na nossa memória.
E nos espreitam com o enigma
de seu olho plurimático.
Aonde ninguém vai,
aí penetra o olhar de alguma coisas.
Testemunhas de virtudes e munditudes,
de todas as nossas contradições,
do sem-saber-para-onde-ir.
Levam a marca dos nossos
usos e abusos.
Sofrem conosco? Riem conosco? ou de nós?
Confidentes na solidão,
inconfidentes para a perícia.
As coisas nos encantam e desencantam.
Umas coisas, talvez,
nos libertem algum dia,
e outras decerto dependurada
trazem a morte consigo.
As coisas nos mandam e desmandam,
formam, deformam,
informam, transformam.
As coisas nos assaltam e improvisam.
Com o xadrez de situações elaboram
mais a surpresa do que a expectativa.
As coisas nos precederam e nos sucederão.
(É preciso reagir contra certas coisas.)
Sentimo-nos sós no meio das coisas.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Linhares Filho, com Wikidata ID Q12349981, é um poeta cuja obra tem sido associada a uma profunda reflexão sobre a condição humana e a efemeridade da existência. Nasceu no Brasil e escreve em português.

Infância e formação

A infância e a formação de Linhares Filho foram moldadas por um ambiente que incentivou a curiosidade intelectual e a apreciação pelas artes. Desde cedo, manifestou interesse pela leitura e pela escrita, influenciado por autores que exploravam as profundezas da psique humana e as grandes questões existenciais.

Percurso literário

O percurso literário de Linhares Filho iniciou-se com a publicação dos seus primeiros poemas em revistas literárias. Ao longo do tempo, a sua obra desenvolveu-se, explorando diferentes vertentes da poesia lírica e filosófica. Tem participado em eventos literários e antologias, consolidando a sua presença no panorama poético.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As principais temáticas de Linhares Filho incluem a memória, o tempo, a morte, a identidade e a busca por sentido. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem rica em metáforas e imagens poéticas, com um forte sentido de musicalidade e ritmo. Utiliza frequentemente o verso livre, mas com uma precisão formal que confere força aos seus versos. A voz poética é introspectiva, melancólica e, por vezes, angustiada, convidando a uma profunda reflexão. A sua obra dialoga com a tradição da poesia introspectiva, mas com uma sensibilidade moderna.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Linhares Filho insere-se no contexto da poesia contemporânea brasileira, onde a reflexão existencial e a exploração da linguagem poética têm um lugar de destaque. A sua obra reflete as inquietações de um mundo em constante mudança.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Linhares Filho não são amplamente divulgadas, mantendo um certo mistério em torno da sua figura. A sua dedicação à poesia parece ser uma constante na sua vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Linhares Filho tem sido apreciada por críticos e leitores pela sua profundidade e originalidade. Embora o reconhecimento possa não ser massivo, o seu trabalho é valorizado pela sua qualidade literária e pela sua capacidade de tocar em temas universais.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Linhares Filho demonstra influências de poetas que exploraram a dimensão existencial da vida, como Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. O seu legado reside na sua capacidade de criar uma poesia que ressoa com a alma humana, convidando à contemplação e à autoanálise.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Linhares Filho é frequentemente analisada sob a ótica da filosofia existencial, explorando a fragilidade da condição humana e a busca por significado num universo aparentemente indiferente.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto interessante é a forma como a sua poesia transparece uma profunda conexão com a natureza, que serve frequentemente de cenário e metáfora para as suas reflexões existenciais.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Linhares Filho encontra-se vivo, pelo que não há informações sobre a sua morte ou publicações póstumas.

Poemas

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Das Coisas

Meus cabelos captam a voz das coisas
do espaço e do inespaço.
As coisas: fungíveis e infungíveis,
móveis, imóveis e semoventes,
operam o fenômeno ou são o númeno.
Queiramos ou não,
as coisas nos cercam, nos integram,
ou são presença na nossa memória.
E nos espreitam com o enigma
de seu olho plurimático.
Aonde ninguém vai,
aí penetra o olhar de alguma coisas.
Testemunhas de virtudes e munditudes,
de todas as nossas contradições,
do sem-saber-para-onde-ir.
Levam a marca dos nossos
usos e abusos.
Sofrem conosco? Riem conosco? ou de nós?
Confidentes na solidão,
inconfidentes para a perícia.
As coisas nos encantam e desencantam.
Umas coisas, talvez,
nos libertem algum dia,
e outras decerto dependurada
trazem a morte consigo.
As coisas nos mandam e desmandam,
formam, deformam,
informam, transformam.
As coisas nos assaltam e improvisam.
Com o xadrez de situações elaboram
mais a surpresa do que a expectativa.
As coisas nos precederam e nos sucederão.
(É preciso reagir contra certas coisas.)
Sentimo-nos sós no meio das coisas.

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Reencontro

Fiel ao amor e à arte entre proteus,
encontro a luz aquém do terremoto.
A arte e o amor são em mim síntese, foto
do Ser e a fotossíntese que os meus

respiros pedem. No imo é que devoto
o culto mais leal a encantos seus.
E, na luta, assemelho-me aos Ateus:
contactando o meu chão, de novo broto.

Quanto mais acho, tanto mais procuro
o bem de amar e criar no tempo e espaço
da vigília e do sonho dos Orfeus.

Reencontro-me, autêntico misturo
Poesia e Amada num grandioso abraço,
imagens do infinito amor de Deus!

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A Minha Mãe, Habitante da Morte

Tua branca rede já não se arma
para a sesta. Todavia guardo,
com o ranger longínquo dos armadores,
a placidez do teu sono
a entreter o meu sonho
No teu aposento, mansa e invisível, dorme uma ave.
À mesa posta, entre o apetite e a lembrança,
há uma cadeira sem dono.
Falta ao alimento o tempero
que de tuas mãos ninguém pôde aprender.
Mas junto a mim está um cântaro
que se encheu de lágrimas que libertam.
As dálias do jardim continuam a florescer,
cada ano, tão brancas, tão viçosas! Contudo
parecem reclamar a sutileza
de um carinho que o meu sono não esquece...
Teus pincéis dormem
com a resignação de pincéis,
Minha alma imperfeita, a despeito de teres sido
artista perfeita, pede, todo dia,
os últimos retoques.
Santa e elmo,
no navio em que eu encontrar borrasca,
os teus olhos serão santelmo...
No silêncio noturno não se ouvem mais
os passos cautelosos com que fechavas
a janela que dá para a rua,
no entanto percebo,
na lã escura da noite,
o abrigo do teu xale.

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