Escritas

Lista de Poemas

Suçuarana

Ela

Se diz da beleza
se feminina
felina.

Da majestática leoa
à genérica gata
que amam
maltratam
arranham
matam
muitos falaram

Ou da tigresa
de exótica
beleza
a quem
comparar-te
seria um plágio
não uso e nem ouso
o ecológico e autoral
abuso

(Me diz o Saci que tigres nem são daqui)

E na beira do rio, num remanso de águas paradas, me ponho a pensar em
onças
pardas
negras
pintadas
igualmente
panteras
enciclopédicas

Depois em meus sonhos desfilam
linces
leopardos
jaguatiricas
e todos os tipos
de gatas
da indiana
à da mata

Enquanto meu incerto cérebro hesita na frenética procura da exata
analogia
entre
fera e poesia

São belas, altivas
todas cativam
minhas tresloucadas retinas
quando indiferentes
me olham
ao caminhar
indolentes
malemolentes
precisas

Até que a mais bela
das brasílicas feras
entra meu sonho
se deita ao meu lado
de mim toma conta
e brinca e
se enrola
comigo
e já não me engana
enquanto sussurra
Suçuarana

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Centro expandido

no prédio in da faria lima
a senhora orienta a decoração do escritório
o executivo olha a secretária
como se pedisse desculpas
um office boy excitado
hesita
entre um par de coxas jovens e um decote finamente decorado

os ônibus transportam bundas discretamente acessíveis

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Un séjour à Guarujá

(Madrigale a la moda dei maestri MariOswalDrumão, produção de Joãozinho Trinta, figurinos de Clodovil e direção variando entre Frederico Fellini e Zé do Caixão. Agradecemos ao indispensável apoio de nossos patrocinadores sem os quais este espetáculo seria impossível etc.)

Lua cheia... Minissaias, sorvetes, frivolidades.
Maduros casais idicham cotidianos milionários.
Ou galicizam lugares comuns: Mais non!
Um menino do Rio cinematografa-se.
Morte em Veneza, verão com vento.
Certas garotinhas... Âge du diable...
Une vague sensation dinceste.
De uma a língua circunda o sorvete
E outra o chupa, sorvendo-lhe o suco.
Alguém assobia bossas-novas...
"e quem sonhou, sonhou..."

Entre impertinentes cartazes de vende-se e aluga-se
O balneário se liquida
Num muro, toscas garatujas desafiam o frenesi imobiliário:
Volte minha nega, abaixo a psicanálise.

As ondas se fazem gigantescas lânguidas línguas
A lamber o traseiro da surfista sobre a prancha
Há espuma nas franjas
O mar saliva e ejacula.

Areias abundam bandos de madamas maquiadas.
O jogo da noite foi longe demais. Nunca mais.
Negócios em alta agitam conversas senhoriais
Saltos altos... modorras... uis e ais.

Alhures middle classes weekendizam
Vôlei, tênis, frescobol... guarda-sóis coloridos.
O executivo esteira-se. Ê vida boa!
Não volto mais prá São Paulo.
Crinaças areiam coxas de óleobronze...
Não enche o saco moleque!
Uma gorda de biquini...exigências do fellini
Ah, sim,
Entre tantas abandonadas bundas
Uma por ti suspira
Talvez aquela que retesou-te os glúteos

Mais ao fundo, negros caipiram
Cachaça ou vodka?
E espetinhos de camarão
Televivem-se anúncios de cigarro e coca-cola.
Figuração.
Às vezes penso que o Debret retratou o Brasil pro resto da vida.

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Afeto

Como demonstrar afeto no espaço contido?
É preciso muita sutileza
Olhares vagos
Palavras tímidas
Gestos quase gestos

E no entanto
Há um intenso
Por enquanto tenso
Olhar imenso
Infelizmente imerso
No universo
Do contido

O grito litro de sangue do afeto perdido
O leite derramado no leito solitário

A pele atrai a pele
Como o olhar o olhar
Enquanto desce o decote
Lentamente
Discretamente
Infelizmente

A vida é mente
A vida mente
Avidamente
E a morte vence

No espaço do contido
Obviamente

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Vera tira a blusa atira a tiara na cara vira abusa da bunda deveras abundante paraíso vem para isso virada vem sem anda devora vara vera de tantas taras odaras que adoras por isso para com isso deusmônio atômico me veja atônito vera tônico tonico apara os cabelos de vera viagem astronteante neón de galáxias sem órbitas senhora de oras bolas argolas colchões de molas viche viajantes nas eras errantes teus lábios teus dentes por lares nunca dantes novelados se eras distante hera do húmus do hímem da terra do homem navegante pelos pelos de vera gata vera mata maltrata na terra na mata no anúncio da lata vera deusa latejante de tantas e várias varas vorazes e vídeos cacetes e ais austrais ai de quem jaz atrás de retos atrozes elegantes retro escavadeiras elefantes toda tua nudez será lambida gigantemente lambuzada vai irmão toma esse avião no chão no meio do salão dentro do seu coração na mão na mente ilusão panta fatal fantasia ponta cruel de ir ou não ia ai nave do sonho vera fraulein antes que algum verdureiro alface faça na face da vera no meio do seio de fada faminta aventura vício ventura virtude fortuna delícia de cio ciciando eine kleine fishermusik de pé de ré sem dó vera devoramifasolasi.

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Erótica

Viajo pelas galáxias
Num col(chão) voador
Sonho com grutas úmidas
Repletas de tesouros

Orvalho sobre musgo sobre pedra
Calma e cheiro de mato

Obeliscos!

Menino
(Re)nasce
De homem
Dentro
De mulher

Tudo é
(M)eu, abrangido
Pelo teu abrangente
Infinito

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Desvairada 80

Na multidão
Bundobolinas trafegam
Na contramão

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