Não Está na Hora
Não está na hora
de acordar.
Não é hora
de dormir sob as inquietudes poéticas
dum tempo incerto.
Nunca é o momento
do...
nem o despertar quotidiano.
Nunca temos tempo
para...
Nunca pertencemos a lugar algum.
A vida corre e nem
queremos participar
de suas coisas.
Nunca temos tempo.
Será que já morremos?
MOmento 1
O tempo passa
você chega:
- Calor
- Ternura
-Emoção
Enquanto o tempo passa.
O tempo nos diz coisas
Nossos ouvidos - nossos cúmplices
imprimem, não sei onde,
os murmúrios - ilusões.
E o relógio marca o tempo:
acordar !
os m
Em relação aos pronomes
Ao escrever poemas pronominais
perdi algumas letras.
Escrevendo para você
perdi ...
Perda, sentimento revolto
num mar tempestuoso,
onde nosso orgulho navega.
Pronomes: possessões irreais
ilusões passageiras.
Ah! como é belo
verter lirismo
perante o impossível sonho.
Sempre alguma coisa
corroendo a alma,
na passagem do tempo.
Serão marcas mercadológicas
o motivo?
Nunca se conhece.
Sonhos impossíveis
calando, ferindo sensibilidades,
provocando despertar que se
vai por aí.
Nunca se conhecem
as facetas dos pronomes
ainda usados em vender
peças,roupas,casas,aviões etc.
Não conhecemos a extensão
da força prononominal,
nas frases,versos,
enfim no infinito
universo gramatical
impessoal, sempre duro.
Os versos vão sendo
terminados, enquanto
os pronomes nos saúdam
procurando...
Pronomes.
Fim!
Momento 2
Momento 2
Momento é brisa
que se forma,
sonhos que vem e que passam
por teus olhos veludíneos.
Cada sopro de vida,
representa a existência
do porvir.
Gotas de tempo
formando o anjo
que inspira a flor,
que exala perfume
— realidade
te agradeço !
Somália
Somália; terra sem dono,
infinita luta rubra,
vertente de rio desumano.
Cidades ao léu,
descrevem os horrores
da guerra.
Lutas fratricidas
arrancam a seiva da vida.
Guerra!
Oh! antropofagia moderna!
Homens sem rostos
deixados à mingua
de fome.
Guerreiros
secam esperanças,
matam de fome.
Somália sem dono,
extingue-se...
Somália
agoniza!
Promessas
Prometemos muito
realizamos pouco.
Até quando?
O ser promete
debate-se em atitudes
vãs.
Banalidades, ilusões intelectuais,
até quando?
Onde com tanto sofrimento
irá o homem parar?
O espírito luta
a batalha das batalhas.
Sofrendo, iludido
reclama.
Homem , acorda do sono.
És Espírito numa matéria.
A tua grandeza espiritual
se faz presente.
Acorda!!!
Chega de ilusões,
vamos à luta,
é tarde.
Ver-te
Tua face serena
lembra um suave
fluir da primavera.
As flores,
os colibris
vem contigo
cantar.
A primavera desperta
o mundo.
Pássaros, flores, árvores,
purificam o ambiente.
O otimismo espalha-se.
Emfim, tua presença
harmoniza a vida.
Nascimento
O poema debate-se por existir.
Existir!
Inicia-se um sonho, uma luta.
O herói das palavras,
a poetar burila-o.
.................................................
A caneta àvida,
desvirginando o papel,
imprime traços
vigor,
forma,
vida!
Pronomes
Procuro pronomes
para um novo poetar.
Procuro , procuro em vão.
Novidades vem e vão
construindo você.
Todavia, me causa espanto
tanta busca.
Costruo-lhe dando uma forma
original , mais talentosa.
A forma original
ainda está sem o brilho ideal.
O talento investido
requer apuro , sensibilidade.
Você se debate
por um existir repleto de alegria e transparência.
Autor do poema
pede atenção do leitor,
durante tal construção.
Devagar , dou-lhe
a forma ideal.
Os pronomes marcam
a vida advinda por sofrimento,
contradições.
O nascer se refaz quotidianamente,
marcado sonoramente
por um metafórico recriar...
Palavras tentando poetar,
ilustrando o repetido
vai e vem frenético do poema.