Josely Vianna Baptista

Josely Vianna Baptista

n. 1957 BR BR

Josely Vianna Baptista foi uma poeta e tradutora brasileira, conhecida por sua obra que transita entre o lírico e o existencial, explorando temas como a memória, o tempo e a condição humana. Sua poesia se destaca pela delicadeza da linguagem e pela profundidade reflexiva, construindo um universo particular que dialoga com as inquietações da alma. Com uma trajetória marcada pela busca incessante pela palavra exata e pela expressão de sentimentos sutis, Baptista deixou um legado poético que ressoa pela sua autenticidade e pela capacidade de tocar o leitor em suas mais profundas emoções, consolidando-se como uma voz singular na literatura brasileira.

n. 1957, Rio de Janeiro, DF, Brasilmorte_data = {{nowrap|{{morte|27|6|2007|12|11|1940

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Oficina Revelação

“Chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; 
                 e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva.” 
                 (Padre Antonio Vieira)

Aqui não se veem olhos
que abriguem lágrimas.
Só artifícios.
O fogo aceso nos latões de lixo.

Aqui não se veem olhos 
que abriguem lágrimas.
No charco frio,
um ramalhete macera suas pétalas.

Aqui não se veem olhos 
que abriguem lágrimas.
Cornijas riem
do arrulho rouco dos pombos
nos umbrais.

Aqui não se veem olhos 
que abriguem lágrimas.
Só trilhos sujos.
E a pompa fúnebre dos caminhões 
de entulho.

Ao rés do chão,
como um insulto,
uma moeda brilha no bueiro
sob o casulo adormecido 
de um vulto.

Aqui não se veem ilhas 
que abriguem náufragos
(mas sob as gazes frias 
da geada
saxífragas florescem
entre as pedras
– como dádivas.)
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Poemas

4

RESTIS

Um vento anima os panos e as cortinas oscilam,
fronhas de linho (sono) áspero quebradiço; o sol passeia
a casa (o rosto adormecido), e em velatura a luz
vai desenhando as coisas: tranças brancas no espelho,
relógios deslustrados, cascas apodrecendo em seus volteios
curvos, vidros ao rés do chão reverberando, réstias.
Filamentos dourados unem o alto e o baixo  

– horizonte invisível, abraço em leito alvo:
velame de outros corpos na memória amorosa.
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Oficina Revelação

“Chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; 
                 e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva.” 
                 (Padre Antonio Vieira)

Aqui não se veem olhos
que abriguem lágrimas.
Só artifícios.
O fogo aceso nos latões de lixo.

Aqui não se veem olhos 
que abriguem lágrimas.
No charco frio,
um ramalhete macera suas pétalas.

Aqui não se veem olhos 
que abriguem lágrimas.
Cornijas riem
do arrulho rouco dos pombos
nos umbrais.

Aqui não se veem olhos 
que abriguem lágrimas.
Só trilhos sujos.
E a pompa fúnebre dos caminhões 
de entulho.

Ao rés do chão,
como um insulto,
uma moeda brilha no bueiro
sob o casulo adormecido 
de um vulto.

Aqui não se veem ilhas 
que abriguem náufragos
(mas sob as gazes frias 
da geada
saxífragas florescem
entre as pedras
– como dádivas.)
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RIVUS

A água mede o tempo em reflexos vítreos. Mudez
de clepsidras, no sobrecéu ascendem (como anjos suspensos
numa casa barroca), e em presença de ausências o tempo
se distende. Uns seios de perfil, sono embalando
a rede, campânula encurvada pelas águas da chuva. 

No horizonte invisível, dobras de anamorfoses;
sombras que se insinuam, a matéria mental.
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para leminsky

junho 1989

penso e surpreendo dentro
esse peso suspenso
entre fuga e allegro

entre risos e abismo
resgato fragmentos
e vestígios do vértigo

(espreito, rima leonina,
as naus, bits e ítacas
de tuas russas cismas,
as lengua-lengas feras
de teus trobares raros)

entre sóis e êsseoésses
miro etrelas-desastres
e desorientes ferozes
rumo ao ouro quase-Órion
de um perhappiness

entre o novo e o velho
só vejo o vero fogo
que te tornou eterno

só vestígios do vétigo
desde que o caos
deixou de ser acaso
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Comentários (1)

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É minha cara poetisa... a sra. é uma caixa de surpresas na literatura. pena que não encontro um livro teu aqui em vitória.ES. principalmente de poemas e poesias. Obrigado pela oportunidade de ler os teus 04 escritos. Ademir.