José Maria de Barros Pinho

José Maria de Barros Pinho

1939–2012 · viveu 72 anos BR BR

José Maria de Barros Pinho, mais conhecido como Ary dos Santos, foi um poeta português de grande relevância, figura proeminente da chamada Poesia de Intervenção. A sua obra é marcada por um forte sentido de crítica social e política, abordando temas como a opressão, a liberdade e a injustiça. Com uma linguagem direta e apaixonada, Ary dos Santos tornou-se uma voz influente na luta contra a ditadura em Portugal, ecoando os anseios de uma geração e deixando um legado duradouro na poesia de protesto e intervenção.

n. 1939-05-25, Teresina · m. 2012-04-28, Fortaleza

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A Gramática nod Olhas da Amada

Qual o adjetivo
para os olhos da amada
os olhos da amada
se confundem com o mar
ora verde ora azul
na cor do triste
no salmo da alegria
semântica da noite
metáfora da madrugada
as sílabas do vento
nos olhos da amada
o verbo amar edifica
os acentos da solidão
olhos do mar olhos do rio
olhos de serpente sem veneno
olhos de mulher olhos de sonhos
que guardei para viver no ponto do luar.
28.06.97

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Poemas

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A Gramática nod Olhas da Amada

Qual o adjetivo
para os olhos da amada
os olhos da amada
se confundem com o mar
ora verde ora azul
na cor do triste
no salmo da alegria
semântica da noite
metáfora da madrugada
as sílabas do vento
nos olhos da amada
o verbo amar edifica
os acentos da solidão
olhos do mar olhos do rio
olhos de serpente sem veneno
olhos de mulher olhos de sonhos
que guardei para viver no ponto do luar.
28.06.97

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O Retrato nas Paredes

As casas como as pessoas
guardam cicatrizes
expostas no rosto do tempo.

Às casas sempre voltamos
nelas a vida anda por trás do que passou
existem na existência indo embora.

As casas onde morei para viver
na afoitosa e lúdica adolescência
abrem rugas na face branca das paredes.

De dentro delas saltam sonhos
que não querem envelhecer
e o menino açoitando o vento nas curvas do rio
que se arrasta na carne azul da paixão.

São Luis / junho 1997

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Aviso Prévio

o sonho
uma borboleta

quando menos
se espera
a gente acorda

e vai-se
embora
sem deixar
aviso prévio

1 310

Ode ao Amor do Mar

Gosto do mar
pelo absurdo
sensual
de suas sereias

pelo encrespar
do vento
no ventre
de peixes
abomináveis

pelo lésbico
despudor
das ondas
violentando
as águas

gosto do mar
absorvendo
sol
na máscara
de bronze
dos pescadores

gosto do mar
mistério azul
das mulheres-marinhas
visivelmente estranguladas

gosto do mar
concupiscente
e paradoxal
em seus horrores.

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