José Agostinho de Macedo

José Agostinho de Macedo

1761–1831 · viveu 70 anos PT PT

José Agostinho de Macedo foi um poeta e clérigo português conhecido pelas suas obras satíricas e críticas. A sua escrita é marcada por um tom cáustico e pela utilização da sátira para abordar temas sociais e políticos da sua época. Apesar da sua formação religiosa, a sua veia crítica e irreverente sobressaiu na sua produção literária.

n. 1761-09-11, Beja · m. 1831-10-02, Lisboa

3 667 Visualizações

A Cidade Bela

Quanto é bela Ulisseia! E quanto é grata
Dos sete montes seus ao longe a vista!
Das altas torres, pórticos soberbos
Quanto é grande, magnífico o prospecto!

Humilde e bonançoso o flavo Tejo,
Sobre areias auríferas correndo,
As praias lhe enriquece, as plantas beija.
Quão denso bosque de cavalos pinhos
Sobre a espádua sustenta! Do Oriente
Rubins acesos, fugidas safiras,
E da opulenta América os tesouros,
Cortando os mares líquidos, trouxeram.

Nela é mais puro o ar; e o Céu se esmalta
De mais sereno azul. O Sol brilhante,
Correndo o vasto Céu, se apraz de vê-la.
E quase se suspende, e, meigo, envia
Sobre ela o raio extremo, quando acaba
A lúcida carreira, a frente de ouro
No seio esconde das cerúleas ondas.

(in Antologia de Poetas Alentejanos)

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Nome completo: José Agostinho de Macedo Data e local de nascimento: Data incerta (século XVIII), Portugal Nacionalidade e língua(s) de escrita: Portuguesa Contexto histórico em que viveu: Século XVIII em Portugal, um período de transição e de iluminação.

Infância e formação

Pouco se sabe sobre a sua infância e formação inicial. Acredita-se que tenha tido formação religiosa, o que é comum para o clero da época.

Percurso literário

O seu percurso literário é marcado pela produção de poesia satírica e crítica.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Obras principais: "O Patriota" (poema épico satírico), "Os Amores de Constantino". Temas dominantes: Crítica social, política e religiosa. Sátira aos costumes e instituições da época. Forma e estrutura: Utilização de formas poéticas tradicionais, mas com conteúdo irreverente e crítico. Linguagem e estilo: Linguagem cáustica, irónica e mordaz.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu numa época em que a crítica social e política, mesmo que velada, era arriscada. O seu trabalho insere-se num contexto de questionamento das estruturas de poder e da moralidade vigente.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Information not readily available.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O seu reconhecimento na época foi provavelmente limitado devido ao teor crítico e subversivo da sua obra, mas deixou um registo importante da sátira literária portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Influenciou a poesia satírica em Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A sua obra é um reflexo da sociedade portuguesa do século XVIII, abordando a hipocrisia e os vícios da época através de um olhar ácido e crítico.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Information not readily available.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informação sobre a data e circunstâncias da sua morte é escassa.

Poemas

1

A Cidade Bela

Quanto é bela Ulisseia! E quanto é grata
Dos sete montes seus ao longe a vista!
Das altas torres, pórticos soberbos
Quanto é grande, magnífico o prospecto!

Humilde e bonançoso o flavo Tejo,
Sobre areias auríferas correndo,
As praias lhe enriquece, as plantas beija.
Quão denso bosque de cavalos pinhos
Sobre a espádua sustenta! Do Oriente
Rubins acesos, fugidas safiras,
E da opulenta América os tesouros,
Cortando os mares líquidos, trouxeram.

Nela é mais puro o ar; e o Céu se esmalta
De mais sereno azul. O Sol brilhante,
Correndo o vasto Céu, se apraz de vê-la.
E quase se suspende, e, meigo, envia
Sobre ela o raio extremo, quando acaba
A lúcida carreira, a frente de ouro
No seio esconde das cerúleas ondas.

(in Antologia de Poetas Alentejanos)

930

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.