Jorge Lúcio de Campos

Jorge Lúcio de Campos

Jorge Lúcio de Campos foi um poeta português cuja obra se insere predominantemente no período modernista. A sua poesia é caracterizada por uma lírica íntima, reflexiva e muitas vezes melancólica, que explora temas como o tempo, a memória, a fugacidade da vida e a busca por um sentido existencial. Com um estilo depurado e uma linguagem cuidada, Campos soube capturar as subtilezas da experiência humana, dialogando com a tradição poética portuguesa ao mesmo tempo que abraçava as inovações do seu tempo.

m. , Milán

6 696 Visualizações

A grande fachada

(a Wols)

Um passo à frente
algo simples – não

que procure algo –
apenas me esqueço

de que no raso da
nuca a espinha se

eriça – o velcro
do cu se abre no

afã de sempre –
hoje bem cedo

por toda parte
ou apenas isso

Ler poema completo

Poemas

6

A grande fachada

(a Wols)

Um passo à frente
algo simples – não

que procure algo –
apenas me esqueço

de que no raso da
nuca a espinha se

eriça – o velcro
do cu se abre no

afã de sempre –
hoje bem cedo

por toda parte
ou apenas isso

904

A origem do mundo

(a Gustave Courbet)

Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros

ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos

Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda

sob a luz desenroscada
da manhã?

933

Retrato de Regina num quimono preto

(a Steve Hawley)

Pouco a ver ou
a dizer daqueles

seios de Alechinsky –
as coisas do mundo

a argila quente do dia

Pouco a ver ou
a dizer daquele

queixo de Rodchenko
– um eu-te-amo de

delírio reencontrado

(um pouco a língua e
a nuca por completo)

Ao redor daquelas
patas de Tanguy

só cabeça, tronco
e membros

821

Construção para damas nobres

(a Kurt Schwitters)

É um lábio o que
o espelho anuncia?

Uma fissura que
aos poucos, se

distende num
buraco pueril?

Bizarro seu intento
Aceso seu conduto

de veias e nervuras
Duas pregas que

se embolam, novo
ânus que alicia

– gulosa boca
entre as demais

907

Poema paralelo às coxas

(a Regis Bonvicino)

de bruços
a penetro

casto
custo

1 047

Teoria do belo

Desejo gesta
um tom siena
em tua pele

Eu, embaixo,
envergonhado

Tu, em cima,
seios cheios
de perdizes

799

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.