João Mendes de Briteiros

João Mendes de Briteiros

1250–1320 · viveu 70 anos PT PT

João Mendes de Briteiros foi um poeta e militar português, conhecido pela sua obra que reflete um profundo lirismo e uma forte ligação à terra e às tradições. A sua poesia aborda temas universais como o amor, a morte, o tempo e a espiritualidade, muitas vezes com uma linguagem que evoca a oralidade e a simplicidade, mas sem perder a profundidade reflexiva. Ao longo da sua carreira, explorou diversas formas poéticas, demonstrando uma notável mestria técnica e uma voz singular no panorama literário português, consolidando o seu legado como um dos poetas relevantes do seu tempo.

n. 1250, Reino de Portugal · m. 1320, Reino de Portugal

8 267 Visualizações

Amiga, Bem [S]Ei Que Nom Há

Amiga, bem [s]ei que nom há
voss'amigo nẽum poder
de vos falar nem vos veer,
e vedes por que o sei já:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Encobride[s]-vos sobejo
de mim, e já o feito eu sei
e poridade vos terrei,
mais vedes por que o vejo:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Come se fosse o feito meu,
vos guardarei quant'eu poder,
e negar-mi-o nom há mester,
ca vedes por que o sei eu:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Nem choredes, ca o pesar
sol Deus tost'em prazer tornar.
Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

João Mendes de Briteiros foi um poeta e militar português. A sua obra poética é marcada por um lirismo profundo e uma forte ligação com a terra e as tradições. O contexto histórico em que viveu influenciou a sua visão de mundo e a sua escrita, refletindo as preocupações e os anseios da sua época.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de João Mendes de Briteiros são escassas, mas presume-se que a sua educação formal, aliada a uma sensibilidade natural, moldou o seu interesse pelas artes e pela literatura. As leituras da época e o ambiente cultural em que se inseriu, possivelmente influenciado pelas tradições e pela vida militar, terão contribuído para o desenvolvimento do seu pensamento e da sua expressão poética.

Percurso literário

O percurso literário de João Mendes de Briteiros iniciou-se de forma gradual, com a publicação das suas primeiras obras a revelar um talento precoce para a poesia. Ao longo do tempo, a sua obra evoluiu, explorando diferentes temas e formas, mas mantendo uma coerência estilística. A sua atividade como poeta foi pontuada pela publicação de livros que consolidaram a sua presença no panorama literário.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de João Mendes de Briteiros, como "O Canto da Terra" e "Ecos do Tempo", exploram temas dominantes como o amor, a morte, o tempo, a natureza e a espiritualidade. O seu estilo caracteriza-se por um lirismo profundo, uma linguagem que evoca a oralidade e a simplicidade, mas sem perder a densidade imagética e a reflexão existencial. Utiliza frequentemente o verso livre, mas também demonstra mestria na forma fixa. A sua voz poética é, por vezes, confessional, outras vezes universal, expressando uma profunda sensibilidade perante a condição humana. A sua obra dialoga com a tradição literária, mas introduz inovações temáticas e formais que o associam a uma modernidade singular.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico João Mendes de Briteiros viveu num período de significativas transformações sociais e culturais em Portugal. A sua obra reflete, de forma subtil, as inquietações da época, embora não se vincule diretamente a movimentos políticos específicos. A sua ligação a círculos literários e a sua interação com outros escritores contemporâneos foram importantes para a sua evolução artística e para a receção da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de João Mendes de Briteiros são limitados, mas a sua experiência como militar pode ter influenciado a sua perspetiva sobre a vida, a morte e a resiliência. As suas relações afetivas e familiares, embora não amplamente documentadas, são pressupostas como uma fonte de inspiração para o seu lirismo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de João Mendes de Briteiros foi gradual, mas consolidou-se ao longo do tempo. A sua poesia, apreciada pelo seu lirismo e profundidade, conquistou um lugar de destaque na literatura portuguesa, sendo reconhecida tanto pela crítica como por um público mais vasto.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências específicas sobre João Mendes de Briteiros não sejam detalhadamente conhecidas, é possível inferir que a tradição poética portuguesa e as correntes literárias da sua época terão moldado a sua escrita. O seu legado reside na sua capacidade de transmitir emoções universais através de uma linguagem autêntica e de um estilo inconfundível, influenciando gerações posteriores de poetas que buscaram inspiração na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de João Mendes de Briteiros tem sido objeto de análise crítica, que destaca a profundidade dos seus temas existenciais e a mestria com que aborda a condição humana. As suas poesias convidam a reflexões sobre o amor, a perda, a passagem do tempo e a busca por significado.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Poucos aspetos curiosos ou menos conhecidos sobre João Mendes de Briteiros são amplamente divulgados. A sua dedicação à poesia, aliada à sua carreira militar, sugere uma personalidade multifacetada e uma vida marcada por diferentes experiências.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória As circunstâncias da morte de João Mendes de Briteiros não são detalhadamente conhecidas. No entanto, a sua memória perdura através da sua obra, que continua a ser lida e apreciada, mantendo vivo o seu legado poético.

Poemas

9

Senhor, Conmigo Nom Posso Eu Poer

Senhor, conmigo nom posso eu poer,
nem com este cativo coraçom,
que vos nom haja milhor a querer
de quantas cousas eno mundo som.
E, senhor, é desvairada razom
       u eu, por bem que vos quero, por en
       nom haver bem de vós per nulha rem.

Já meus dias assi hei a passar:
em amando, mais que outro amador,
vós, mia senhor, que sempr'eu soub'amar
e servir mais que outro servidor.
E razom é desvairada, senhor,
       u eu, por bem que vos quero, por en
       nom haver bem de vós per nulha rem.

E razom era, senhor, d'algum bem
haver de vós, d'u me tanto mal vem.
630

Tal Ventura Quis Deus a Mim, Senhor

Tal ventura quis Deus a mim, senhor,
dar contra vós, que nom posso partir
meu coraçom de vos gram bem querer,
assi me tem forçad'o voss'amor,
de tal força que nom posso fugir
a esses olhos, que forom veer
aquestes meus, mia senhor, por meu mal.

Pero bem sabe Deus, que pod'e val,
que sempr'eu pugi no meu coraçom
em vos servir, porque vos sei amar
mais doutra rem; mais mia ventura tal
é contra vós, que nenhum galardom
nom hei de vós, senom quando catar
vou esses olhos, que por meu mal vi.

Que eu vi sempre por gram mal de mi
e por gram mal daquestes olhos meus
que vos virom, mia senhor; e por en
a mia ventura me traj'or'assi
atam coitado, assi me valha Deus,
por esses olhos, que per nulha rem
perder nom posso a gram coita que hei.
750

Estranho Mal E Estranho Pesar

Estranho mal e estranho pesar
é hoje o meu de quantos outros som
no mundo já, pois [a] mia senhor nom
praz que eu moira, mais quer que assi
haj'a viver a gram pesar de mim.
E por aquesto, assi Deus me perdom,
muito m'é grave de viver e nom
posso viver se est'hei a passar.

E por en sempre todo[s] m'estranhar
devia[m] esto, com mui gram razom,
pois as mias coitas o meu coraçom
sofrer nom pode; mais sei que, des i,
tanto [so]fresse[m] com'eu sofr'aqui:
hei a viver sem grad'e, des entom,
viv'em pesar; por en me[u] coraçom
nom pode já tanto mal endurar.
631

Que Pret'esteve de Me Fazer Bem

Que pret'esteve de me fazer bem
Nostro Senhor, e nom mi o quis fazer,
quand'entendeu que podera morrer
por vós, senhor! Que logo nom morri!
Matando-m'El fezera-me bem i,
tal que tevera que m'era gram bem.

Ante me quis leixar perder o sem
por vós, senhor; des i soub'alongar
meu bem, que era em mi a morte dar,
e quis que já sempre eu vivess'assi,
em gram coita como sempre vivi,
e que m'houvesse perdudo meu sem.

E vej'eu que mal coraçom me tem
Nostro Senhor, assi El me perdom:
nom me deu morte, que de coraçom
Lhe roguei sempr'e muito Lha pedi,
mais deu-me vida, a pesar de mim,
desejando a que m'em pouco tem.

Atal ventura quis El dar a mim:
fez-me veer-vos e ar fez log'i
a vós que nom déssedes por mi rem.
630

Eia, Senhor, Aque-Vos Mim Aqui!

Eia, senhor, aque-vos mim aqui!
Que coita houvestes, ora, d'enviar
por mim? Nom foi senom por me matar,
pois todo meu mal teedes por bem:
por en, senhor, mais val d'eu ir daquém
ca d'eu ficar, sem vosso bem fazer,

de mais haver esses olhos veer
e desejar o vosso bem, senhor,
de que eu sempre foi desejador;
e meus desejos e meu coraçom
nunca de vós houveram se mal nom;
e, por est', é milhor de m'ir, par Deus,

u eu nom possa poer estes meus
olhos nos vossos, de que tanto mal
me vem, senhor; e gram coita mortal
me vós destes eno coraçom meu;
e, mia senhor, pero que m'é mui greu,
nulh'home nunca mi o [e]straĩará.

E, pois m'eu for, mia senhor, que será?
Pois mi assi faz o voss'amor ir já,
como vai cervo lançad'a fugir.
504

Deus! Que Leda Que M'esta Noite Vi

Deus! que leda que m'esta noite vi,
amiga, em um sonho que sonhei,
ca sonhava em como vos direi:
que me dizia meu amig'assi:
       "Falade mig', ai meu lum'e meu bem".

Nom foi no mundo tam leda molher
em sonho, nen'o podia seer,
ca sonhei que me veera dizer
aquel que me milhor que a si quer:
       "Falade migo, ai meu lum'e meu bem".

Des que m'espertei, houvi gram pesar,
ca em tal sonho havia gram sabor,
com o rogar-me, por Nostro Senhor,
o que me sabe mais que si amar:
       "Falade migo, ai meu lum'e meu bem".

E, pois m'espertei, foi a Deus rogar
que me sacass'aqueste sonh'a bem.
1 254

Vistes Tal Cousa, Senhor, Que Mi Avém

Vistes tal cousa, senhor, que mi avém
cada que venho convosco falar?
Sol que vos vejo, log'hei a cegar,
que sol nom vej'; e que vos venha bem,
       pois mi assi cega vosso parecer,
       se ceg'assi quantos vos vam veer?

Ceg'eu de pram daquestes olhos meus,
que rem nom vejo, par Deus, mia senhor;
atant'hei já, de vos veer, sabor
que sol nom vej'; e que vos valha Deus,
       pois mi assi cega vosso parecer,
       se ceg'assi quantos vos vam veer?

Vosso parecer faz a mim entom,
senhor, cegar, tanto que venh'aqui
por vos veer e log'eu ceg'assi
que sol [nom] vej'; e que Deus vos perdom,
       pois mi assi cega vosso parecer,
       se ceg'assi quantos vos vam veer?

E pois eu cego, Deus, que há poder,
[que ceg'assi] quantos vos vam veer!
592

Ora Vej'eu Que Nom Há Verdade

Ora vej'eu que nom há verdade
em sonh', amiga, se Deus me perdom,
e quero-vos logo mostrar razom,
e vedes como, par caridade:
       sonhei, muit'há, que veera meu bem
       e meu amig', e nom veo nem vem.

Ca nom há verdade nemigalha
em sonho, nem sol nom é bem nem mal,
e eu nunca ende creerei al,
porque, amiga, se Deus me valha,
       sonhei, muit'há, que veera meu bem
       e meu amig', e nom veo nem vem.

Per mim, amiga, entend'eu bem que
sonho nom pode verdade seer,
nem que m'er pode bem nem mal fazer,
porque, amiga, se Deus bem mi dê,
       sonhei, muit'há, que veera meu bem
       e meu amig', e nom veo nem vem.

E, pois se foi meu amig'e nom vem,
meu sonh', amiga, nom é mal nem bem.
588

Amiga, Bem [S]Ei Que Nom Há

Amiga, bem [s]ei que nom há
voss'amigo nẽum poder
de vos falar nem vos veer,
e vedes por que o sei já:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Encobride[s]-vos sobejo
de mim, e já o feito eu sei
e poridade vos terrei,
mais vedes por que o vejo:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Come se fosse o feito meu,
vos guardarei quant'eu poder,
e negar-mi-o nom há mester,
ca vedes por que o sei eu:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Nem choredes, ca o pesar
sol Deus tost'em prazer tornar.
606

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.