Lista de Poemas
Senhor, Conmigo Nom Posso Eu Poer
nem com este cativo coraçom,
que vos nom haja milhor a querer
de quantas cousas eno mundo som.
E, senhor, é desvairada razom
u eu, por bem que vos quero, por en
nom haver bem de vós per nulha rem.
Já meus dias assi hei a passar:
em amando, mais que outro amador,
vós, mia senhor, que sempr'eu soub'amar
e servir mais que outro servidor.
E razom é desvairada, senhor,
u eu, por bem que vos quero, por en
nom haver bem de vós per nulha rem.
E razom era, senhor, d'algum bem
haver de vós, d'u me tanto mal vem.
Tal Ventura Quis Deus a Mim, Senhor
dar contra vós, que nom posso partir
meu coraçom de vos gram bem querer,
assi me tem forçad'o voss'amor,
de tal força que nom posso fugir
a esses olhos, que forom veer
aquestes meus, mia senhor, por meu mal.
Pero bem sabe Deus, que pod'e val,
que sempr'eu pugi no meu coraçom
em vos servir, porque vos sei amar
mais doutra rem; mais mia ventura tal
é contra vós, que nenhum galardom
nom hei de vós, senom quando catar
vou esses olhos, que por meu mal vi.
Que eu vi sempre por gram mal de mi
e por gram mal daquestes olhos meus
que vos virom, mia senhor; e por en
a mia ventura me traj'or'assi
atam coitado, assi me valha Deus,
por esses olhos, que per nulha rem
perder nom posso a gram coita que hei.
Eia, Senhor, Aque-Vos Mim Aqui!
Que coita houvestes, ora, d'enviar
por mim? Nom foi senom por me matar,
pois todo meu mal teedes por bem:
por en, senhor, mais val d'eu ir daquém
ca d'eu ficar, sem vosso bem fazer,
de mais haver esses olhos veer
e desejar o vosso bem, senhor,
de que eu sempre foi desejador;
e meus desejos e meu coraçom
nunca de vós houveram se mal nom;
e, por est', é milhor de m'ir, par Deus,
u eu nom possa poer estes meus
olhos nos vossos, de que tanto mal
me vem, senhor; e gram coita mortal
me vós destes eno coraçom meu;
e, mia senhor, pero que m'é mui greu,
nulh'home nunca mi o [e]straĩará.
E, pois m'eu for, mia senhor, que será?
Pois mi assi faz o voss'amor ir já,
como vai cervo lançad'a fugir.
Que Pret'esteve de Me Fazer Bem
Nostro Senhor, e nom mi o quis fazer,
quand'entendeu que podera morrer
por vós, senhor! Que logo nom morri!
Matando-m'El fezera-me bem i,
tal que tevera que m'era gram bem.
Ante me quis leixar perder o sem
por vós, senhor; des i soub'alongar
meu bem, que era em mi a morte dar,
e quis que já sempre eu vivess'assi,
em gram coita como sempre vivi,
e que m'houvesse perdudo meu sem.
E vej'eu que mal coraçom me tem
Nostro Senhor, assi El me perdom:
nom me deu morte, que de coraçom
Lhe roguei sempr'e muito Lha pedi,
mais deu-me vida, a pesar de mim,
desejando a que m'em pouco tem.
Atal ventura quis El dar a mim:
fez-me veer-vos e ar fez log'i
a vós que nom déssedes por mi rem.
Deus! Que Leda Que M'esta Noite Vi
amiga, em um sonho que sonhei,
ca sonhava em como vos direi:
que me dizia meu amig'assi:
"Falade mig', ai meu lum'e meu bem".
Nom foi no mundo tam leda molher
em sonho, nen'o podia seer,
ca sonhei que me veera dizer
aquel que me milhor que a si quer:
"Falade migo, ai meu lum'e meu bem".
Des que m'espertei, houvi gram pesar,
ca em tal sonho havia gram sabor,
com o rogar-me, por Nostro Senhor,
o que me sabe mais que si amar:
"Falade migo, ai meu lum'e meu bem".
E, pois m'espertei, foi a Deus rogar
que me sacass'aqueste sonh'a bem.
Amiga, Bem [S]Ei Que Nom Há
voss'amigo nẽum poder
de vos falar nem vos veer,
e vedes por que o sei já:
porque vos vej'ambos andar
mui tristes e sempre chorar.
Encobride[s]-vos sobejo
de mim, e já o feito eu sei
e poridade vos terrei,
mais vedes por que o vejo:
porque vos vej'ambos andar
mui tristes e sempre chorar.
Come se fosse o feito meu,
vos guardarei quant'eu poder,
e negar-mi-o nom há mester,
ca vedes por que o sei eu:
porque vos vej'ambos andar
mui tristes e sempre chorar.
Nem choredes, ca o pesar
sol Deus tost'em prazer tornar.
Vistes Tal Cousa, Senhor, Que Mi Avém
cada que venho convosco falar?
Sol que vos vejo, log'hei a cegar,
que sol nom vej'; e que vos venha bem,
pois mi assi cega vosso parecer,
se ceg'assi quantos vos vam veer?
Ceg'eu de pram daquestes olhos meus,
que rem nom vejo, par Deus, mia senhor;
atant'hei já, de vos veer, sabor
que sol nom vej'; e que vos valha Deus,
pois mi assi cega vosso parecer,
se ceg'assi quantos vos vam veer?
Vosso parecer faz a mim entom,
senhor, cegar, tanto que venh'aqui
por vos veer e log'eu ceg'assi
que sol [nom] vej'; e que Deus vos perdom,
pois mi assi cega vosso parecer,
se ceg'assi quantos vos vam veer?
E pois eu cego, Deus, que há poder,
[que ceg'assi] quantos vos vam veer!
Ora Vej'eu Que Nom Há Verdade
em sonh', amiga, se Deus me perdom,
e quero-vos logo mostrar razom,
e vedes como, par caridade:
sonhei, muit'há, que veera meu bem
e meu amig', e nom veo nem vem.
Ca nom há verdade nemigalha
em sonho, nem sol nom é bem nem mal,
e eu nunca ende creerei al,
porque, amiga, se Deus me valha,
sonhei, muit'há, que veera meu bem
e meu amig', e nom veo nem vem.
Per mim, amiga, entend'eu bem que
sonho nom pode verdade seer,
nem que m'er pode bem nem mal fazer,
porque, amiga, se Deus bem mi dê,
sonhei, muit'há, que veera meu bem
e meu amig', e nom veo nem vem.
E, pois se foi meu amig'e nom vem,
meu sonh', amiga, nom é mal nem bem.
Estranho Mal E Estranho Pesar
é hoje o meu de quantos outros som
no mundo já, pois [a] mia senhor nom
praz que eu moira, mais quer que assi
haj'a viver a gram pesar de mim.
E por aquesto, assi Deus me perdom,
muito m'é grave de viver e nom
posso viver se est'hei a passar.
E por en sempre todo[s] m'estranhar
devia[m] esto, com mui gram razom,
pois as mias coitas o meu coraçom
sofrer nom pode; mais sei que, des i,
tanto [so]fresse[m] com'eu sofr'aqui:
hei a viver sem grad'e, des entom,
viv'em pesar; por en me[u] coraçom
nom pode já tanto mal endurar.
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