Escritas

Lista de Poemas

Caa

Coisa linda caatinga
Econômica na medida extrema da possibilidade permitida pela água de Deus,
Valoriza a beleza do verde ocasional

Um mar de cinza

Tudo existe em volta das poçinhas d’água

Só vivem os fortes:
Cabras
Cascavéis
Lagartos
Umbuzeiro hibernador
Vaqueiro teimoso
Gavião – sempre por cima da carne seca
Mandacaru de espinhos

"Vidas Secas"
"Os Magros"

Chuva de trovoada
Ressurreição rápida
Campo verde
Grilo prá cacete
Rio valente

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Me risca qu’eu gosto

Ô canetinha macia
Que desliza e passeia neste papel
Que de quase lixo é reciclado e entra prá História.

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Gaia

Três seios tem Gaia no Morro de São Paulo

Seno/cosseno: Primeira Praia
Seno/cosseno: Segunda Praia
Seno/cosseno: Terceira Praia

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Guerra é guerra?

Leio Fernando Pessoa à beira-mar.
Um helicóptero da FAB incomoda-me dando um rasante sobre a praia sem qualquer motivo.
(Vingança por estar a serviço no Reveillon?)
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Memórias de há dez anos são remexidas instantaneamente no fundo do baú da memória:
Cena dos helicópteros de Apocalypse Now,
Cavalgada das Valquírias ao fundo.
O garotão da Califórnia dispara mais um foguete contra os kongs magros.
Fogo, cheiro de carne humana queimada pelo napalm,
E o comandante cow boy desce na praia e proclama:
"Adoro este cheiro de vitória!".
O recrutinha havaiano surfa nas ondas dos kongs já queimados.

Transponho a cena para minha praia e lembro-me de um político baiano que também adora lutar com adversários desiguais,
Mais fracos sempre...

Chama-se a isso atualmente na Bahia de coragem.
Coragem.
Agir com o coração?
Castro Alves revira-se no túmulo no anno do seu sesquicentenário de nascimento.

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Índia

Nunca houve,
Não há,
Nem jamais haverá
Fila indiana mais bela e malemolente
Que o coqueiral entre as dunas do Rio Capivara Grande e o Atlântico,
Na Aldeia Hippie de Arembepe,
Quando visto de sudoeste,
Banhado pela luz das 5:15 nas tardes de Verão.

Jamais verão.

Aldeia Hippie, cinco e quinze da tarde de 1/1/1997 AD

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MaracuJá!

Subitamente olho para cima e Vejo:
Pendes todo verde e perfeitamente esférico sobre minha cabeça
Amadureces e transformas
Carbono morto em células vivas.

Calmante
Verdeamarelo
Passiflora
Flor da paixão.

Quase na barca do Mordomia. 9/9/1996 AD.

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Ilhota Verde Oportunista

Lá em Jaguarari, sertão da Bahia, tem um pração que cabe todo o povo dentro.
Uma pedra no centro, algumas algarobas
Tudo mais é secura e pó.

Miracolo!

Uma moitinha de grama verde
Só podia ser prumode do vazamento do cano d’água.
Água aqui não cai do céu, em Jaguarari.

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De Civitate Dei

Quié que o Povo pode e os arquitetos não sabem?
Fazer cidades:
Brasília, Pilar, Stevenage...

Cidade não se faz,
Planta-se.
O Povo rega e aduba.

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