Escritas

Lista de Poemas

SE AO PÉ DA ETERNIDADE NOSSA VIDA

Se ao pé da eternidade nossa vida
É quase nada e os anos que se vão
Arrastam nossos dias sem perdão,
E se o que vem à luz vai de vencida,

O que esperas ainda, alma sofrida?
Por que te apraz da vida a escuridão,
Se pra alcançar mais lúcida mansão,
Uma asa tens às costas estendida?

É lá que existe o bem que a alma deseja,
Lá, toda paz por quem o mundo almeja,
O verdadeiro amor, delícia tanta!

E lá, minha alma, te elevando ao céu,
Hás de reconhecer, então, sem véu,
A Idéia da beleza que me encanta.

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HEUREUX QUI COMME ULYSSE

Feliz quem como Ulisses fez tão bela viagem,
Ou como o que buscou e conquistou o Tosão,
E prenhe regressou, de ciência e de razão,
A viver entre os seus o mais desta passagem.

Ai quando reverei da minha aldeia a imagem,
Seus lares fumegando, e qual será a estação
Em que verei de novo essa pobre mansão
Que para mim val mais que torre de menagem?

Mais me praz de avós meus este solar tranquilo,
Que de palácio em Roma o audacioso estilo.
Mais do que o duro mármore uma ardósia fina,

Mais o meu Loire gaulês que o Tibre tão latino,
Mais o menor Liré que o Monte Palatino,
E mais que o ar marinho a doçura angevina.

(Tradução de Jorge de Sena)

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Nada tem de mau, antes

Nada tem de mau, antes é altamente louvável, ir buscar a uma língua estrangeira palavras e sentenças, e depois adaptá-las à nossa.
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Só vive quem vive o

Só vive quem vive o dia de hoje.
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JUDO QUANTO RODEIA A NATUREZA

Tudo quanto rodeia a Natureza,
Quanto mais cedo nasce, menos dura;
Da primavera o manto de verdura
Em breve perde a flórida beleza.

No calor, do trovão são fácil presa
Os frutos que receiam a friúra;
E contra o inverno têm pele mais dura
Os tardos, que do outono são riqueza.

As florinhas de tua mocidade
Breve serão colhidas sem piedade,
Não a virtude, o espírito, a razão.

A esses frutos, em ti tão promissores,
Não dá outono nem verão temores,
Nem o rigor da gélida sazão.

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Ó FRANÇA, MÃE DAS LEIS

O França, mãe das leis, das artes e das lutas,
O leite do teu seio amamentou-me outrora:
Em busca do redil, como um cordeiro, agora,
Teu nome eu vou dizendo às florestas e às grutas.

Então, cruel, por que sem resposta me deixas,
Se, como filho teu, já fui reconhecido?
França, França, responde a meu triste gemido.
Somente me responde o eco das minhas queixas.

Entre os lobos cruéis, os campos percorrendo,
Sinto chegar o inverno, o seu gelo trazendo
A meu corpo transido arrepio tamanho.

A cordeiro nenhum tem faltado alimento,
Nenhum receia o lobo, a friagem e o vento:
E no entanto não sou a escória do rebanho.

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