Joachim Du Bellay

Joachim Du Bellay

1522–1560 · viveu 37 anos FR FR

Joachim Du Bellay foi um poeta e crítico literário francês do século XVI, figura central do movimento literário conhecido como La Pléiade. A sua obra mais célebre, 'Défense et illustration de la langue française', é considerada um manifesto fundamental para a afirmação e desenvolvimento da língua francesa como veículo literário. Du Bellay celebrou a beleza da sua língua materna e defendeu a sua dignidade em comparação com o latim e o grego, ao mesmo tempo que explorou temas universais como o amor, a pátria, o exílio e a fugacidade do tempo na sua poesia lírica, nomeadamente nos 'Sonnets pour Hélène'.

n. 1522-05-01, Liré · m. 1560-01-01, Paris

8 740 Visualizações

HEUREUX QUI COMME ULYSSE

Feliz quem como Ulisses fez tão bela viagem,
Ou como o que buscou e conquistou o Tosão,
E prenhe regressou, de ciência e de razão,
A viver entre os seus o mais desta passagem.

Ai quando reverei da minha aldeia a imagem,
Seus lares fumegando, e qual será a estação
Em que verei de novo essa pobre mansão
Que para mim val mais que torre de menagem?

Mais me praz de avós meus este solar tranquilo,
Que de palácio em Roma o audacioso estilo.
Mais do que o duro mármore uma ardósia fina,

Mais o meu Loire gaulês que o Tibre tão latino,
Mais o menor Liré que o Monte Palatino,
E mais que o ar marinho a doçura angevina.

(Tradução de Jorge de Sena)

Ler poema completo

Poemas

4

SE AO PÉ DA ETERNIDADE NOSSA VIDA

Se ao pé da eternidade nossa vida
É quase nada e os anos que se vão
Arrastam nossos dias sem perdão,
E se o que vem à luz vai de vencida,

O que esperas ainda, alma sofrida?
Por que te apraz da vida a escuridão,
Se pra alcançar mais lúcida mansão,
Uma asa tens às costas estendida?

É lá que existe o bem que a alma deseja,
Lá, toda paz por quem o mundo almeja,
O verdadeiro amor, delícia tanta!

E lá, minha alma, te elevando ao céu,
Hás de reconhecer, então, sem véu,
A Idéia da beleza que me encanta.

945

HEUREUX QUI COMME ULYSSE

Feliz quem como Ulisses fez tão bela viagem,
Ou como o que buscou e conquistou o Tosão,
E prenhe regressou, de ciência e de razão,
A viver entre os seus o mais desta passagem.

Ai quando reverei da minha aldeia a imagem,
Seus lares fumegando, e qual será a estação
Em que verei de novo essa pobre mansão
Que para mim val mais que torre de menagem?

Mais me praz de avós meus este solar tranquilo,
Que de palácio em Roma o audacioso estilo.
Mais do que o duro mármore uma ardósia fina,

Mais o meu Loire gaulês que o Tibre tão latino,
Mais o menor Liré que o Monte Palatino,
E mais que o ar marinho a doçura angevina.

(Tradução de Jorge de Sena)

1 852

Ó FRANÇA, MÃE DAS LEIS

O França, mãe das leis, das artes e das lutas,
O leite do teu seio amamentou-me outrora:
Em busca do redil, como um cordeiro, agora,
Teu nome eu vou dizendo às florestas e às grutas.

Então, cruel, por que sem resposta me deixas,
Se, como filho teu, já fui reconhecido?
França, França, responde a meu triste gemido.
Somente me responde o eco das minhas queixas.

Entre os lobos cruéis, os campos percorrendo,
Sinto chegar o inverno, o seu gelo trazendo
A meu corpo transido arrepio tamanho.

A cordeiro nenhum tem faltado alimento,
Nenhum receia o lobo, a friagem e o vento:
E no entanto não sou a escória do rebanho.

1 143

JUDO QUANTO RODEIA A NATUREZA

Tudo quanto rodeia a Natureza,
Quanto mais cedo nasce, menos dura;
Da primavera o manto de verdura
Em breve perde a flórida beleza.

No calor, do trovão são fácil presa
Os frutos que receiam a friúra;
E contra o inverno têm pele mais dura
Os tardos, que do outono são riqueza.

As florinhas de tua mocidade
Breve serão colhidas sem piedade,
Não a virtude, o espírito, a razão.

A esses frutos, em ti tão promissores,
Não dá outono nem verão temores,
Nem o rigor da gélida sazão.

999

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.