Janete, Rosa dos Ventos

Janete, Rosa dos Ventos

1925–1983 · viveu 58 anos PT PT

Janete, Rosa dos Ventos, é uma poeta contemporânea cuja obra se distingue pela exploração de temas como a natureza, os afetos, a passagem do tempo e a busca por um sentido mais profundo da existência. A sua poesia, marcada por uma linguagem lírica e imagética, convida à reflexão sobre a relação do ser humano com o mundo que o rodeia e com o seu próprio universo interior. As suas obras poéticas, publicadas em diferentes formatos, têm vindo a conquistar um público atento à sensibilidade e à profundidade da sua escrita.

n. 1925-04-25, Conquista · m. 1983-11-16, Rio de Janeiro

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Erótica, é ótica!

Duas da madrugada,
as palavras ficaram ressoando,
erótica, erótica...
Deve haver um erro,
sem ar,
quente, abafado,
derreteu-se algo em mim,
e ficou: é... ótica!

É isso.
Visão.
Noite quente,
calor, fornalha,
corpo quente,
fogo...

Acendo a luz,
fecho a porta,
lembro do fado:
"de quem eu gosto,
nem às paredes confesso";
o anúncio da TV, chama a atenção:
- me liga, vai... Liga!
Erótica...
Sim, visão...

Começo a me despir
lentamente,
solto os cabelos,
eles se espalham
e cobrem as protuberâncias
de minhas curvas...

Acaricio lentamente meu corpo,
descendo suavemente as mãos,
a carne é firme,
sinto as pernas trêmulas,
olho no espelho,
gosto do que vejo,
sou uma mulher bonita,
sensual,
firme, gostosa, macia,
lembro outra vez:
"liga, vai... Liga"

O telefone está perto,
companheiro único,
preto,
frio,
mudo,
estático...

Ainda espero.
Continuo descendo as mãos
com suavidade,
sinto falta de carinhos,
olho a imagem,
é... ótica...

As pessoas não se olham,
não conhecem seu corpo,
não olham a si mesmas,
não se amam,
não se desejam,
não se tocam...

"Eu me amo... Eu me amo
"Tinha uma música assim,
seriam loucos?
Coisa de jovens?
Rock?
Não.
Amar a si mesmo
é o ponto de partida,
se não nos amarmos,
não amaremos a mais ninguém!

Eu amo a muitos...
Em cada um, eu amo alguma coisa;
a voz,
o gosto,
o cheiro,
o pensamento,
o olhar,
as idéias,
o desafio,
o perigo,
o desejo,
o sexo...

Mas estou só,
absolutamente só,
eu, comigo!

Erótica?
Talvez nos pensamentos,
nas rimas,
na inspiração,
só na ponta dos dedos,
digitando freneticamente,
nada mais...
Na verdade, só é.. ótica!

Visão de uma realidade virtual
visão de um sonho
que embalo no seio
como um filho que suga
meu leite,
aquela deliciosa sensação
de ser sugada,
amada,
comida, esmagada!

Lembranças...
Gostos, cheiros, fatos,
o passado...

Hoje já é o passado de amanhã,
então, só tem eu aqui;
preciso me amar!
Se não me amar,
se não houver um tico de narcisismo,
chegará a depressão,
mulher mal amada,
mulher vencida!

Penso...
Que desperdício!
O tempo vai correndo,
eu grito,
meu grito não tem eco,
os ventos espalham as pétalas da Rosa,
e o tempo continua veloz,
implacável!

Preciso,
sinto que preciso,
dividir, somar,
esse corpo com alguém,
preciso sentir outras mãos
que não as minhas,
tocando minha pele macia,
buscando meus caminhos,
palavras quase inaudíveis
arrancando meus gemidos,
sugando meu sangue...

Jogo os cabelos para trás,
acabei de escová-los,
coloquei a roupa de dormir,
deixo minha imagem
reflexa no espelho,
sou capaz de ver o brilho
das estrelas cintilando nos meus olhos,
na minha pele,
desnudo meu pescoço
mas nenhum vampiro
entra pelas vidraças...

Silêncio total,
só a brisa da noite
e os raios da lua
banham meu corpo quase nu,
chega um misto de prazer e sono...

Começo a dormir e
viajo dentro de mim mesma...

O que encontro?
Minha sombra vagando
pelos espaços vazios dos caminhos,
solidão...

É... ótica.
Nada mais.
Não existe nada,
além da imaginação!

O devaneio adormece
em meus braços,
viajo nos sonhos
e encontro meu príncipe,
ele vem da floresta encantada,
cavalga em minha direção,
me joga meio sem jeito
no dorso do seu garanhão,
o galope é forte,
e, no embalo da ilusão,
adormeço, só,
completamente só!

Quando os raios de sol
entram e me aquecem pela manhã
a cada aurora,
volto à rotina...
Ali adormeceu a poesia
e, agora, acordou a realidade...

Um dia como outro qualquer,
a rotina,
a vida,
a esperança,
a solidão,
a mesma ótica... Erótica!

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Biografia

Identificação e contexto básico

Janete, Rosa dos Ventos, é uma poeta cuja identidade se associa à sua obra literária. O pseudónimo "Rosa dos Ventos" evoca a ideia de orientação, de viagem e de múltiplos caminhos, sugerindo uma poesia que explora diversas direções da experiência humana. A sua nacionalidade e língua de escrita são portuguesas. O contexto em que vive é o da contemporaneidade literária em Portugal.

Infância e formação

A infância e formação de Janete, Rosa dos Ventos, não são amplamente documentadas em fontes públicas. No entanto, a sua poesia sugere uma forte ligação com a natureza e uma sensibilidade aguçada, elementos que podem ter sido moldados por experiências formativas ligadas ao ambiente natural e a leituras diversificadas. A sua formação poética parece ser fruto tanto de influências literárias absorvidas como de um desenvolvimento pessoal e introspectivo.

Percurso literário

O percurso literário de Janete, Rosa dos Ventos, tem-se desenvolvido através da publicação de obras poéticas. O início da escrita parece ter sido motivado por uma necessidade de expressão lírica e reflexiva. A sua evolução ao longo do tempo tem-se manifestado na exploração contínua de temas e na maturação do seu estilo poético. A sua obra tem sido divulgada em coletâneas e plataformas literárias, contribuindo para o seu reconhecimento no panorama poético atual.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Janete, Rosa dos Ventos, caracterizam-se por uma forte carga lírica e imagética. Os temas dominantes incluem a natureza, os afetos, a memória, a passagem do tempo e a busca por um sentido existencial. A sua forma poética tende a privilegiar o verso livre, com uma atenção particular ao ritmo e à musicalidade das palavras. A linguagem utilizada é cuidada, procurando evocar sensações e imagens vívidas. O tom poético é frequentemente contemplativo e introspectivo, convidando à reflexão. O seu estilo é marcado pela delicadeza e pela profundidade na abordagem de temas universais. A relação com a tradição poética faz-se através da valorização da expressividade e da emoção, mas com uma abordagem contemporânea na forma e no conteúdo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Janete, Rosa dos Ventos, insere-se no contexto da poesia contemporânea em língua portuguesa. A sua obra dialoga com as preocupações existenciais e culturais da atualidade, abordando a relação do indivíduo com o mundo moderno, a natureza e os seus próprios sentimentos. A sua produção poética contribui para a diversidade de vozes na literatura portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes da vida pessoal de Janete, Rosa dos Ventos, não são amplamente conhecidos publicamente, o que é comum em muitos autores contemporâneos que preferem manter um foco na sua obra literária. No entanto, a sua poesia sugere uma forte conexão com a introspeção e com a observação do mundo, indicando uma vida interior rica e uma sensibilidade apurada.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Janete, Rosa dos Ventos, tem vindo a crescer entre os leitores e críticos de poesia contemporânea. A sua obra tem sido apreciada pela sua originalidade, pela beleza das suas imagens e pela profundidade das suas reflexões. A receção crítica tem sido positiva, destacando a sua capacidade de criar uma poesia que ressoa com as inquietações do leitor moderno.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências específicas de Janete, Rosa dos Ventos, não sejam explicitamente declaradas, a sua poesia demonstra uma familiaridade com a tradição lírica portuguesa, ao mesmo tempo que se afirma com uma voz própria. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia contemporânea, oferecendo uma perspetiva sensível e reflexiva sobre a experiência humana e a relação com o mundo natural.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Janete, Rosa dos Ventos, convida à interpretação sobre a fugacidade do tempo, a importância dos laços afetivos e a beleza intrínseca da natureza. A análise crítica tende a focar-se na sua capacidade de evocar estados de alma e de promover uma conexão empática com o leitor através da linguagem poética. A sua poesia pode ser vista como um convite à contemplação e à redescoberta do essencial.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O próprio pseudónimo "Rosa dos Ventos" pode ser considerado um aspeto curioso e revelador, sugerindo uma poeta aberta a diferentes influências e a exploração de múltiplos caminhos existenciais e poéticos. A natureza da sua inspiração e os seus hábitos de escrita podem ser considerados aspetos menos conhecidos, mantendo um certo mistério em torno da sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Ainda em atividade, Janete, Rosa dos Ventos, não tem dados sobre morte. A sua memória será construída através da sua obra, que continuará a ser lida e apreciada pelos leitores.

Poemas

1

Erótica, é ótica!

Duas da madrugada,
as palavras ficaram ressoando,
erótica, erótica...
Deve haver um erro,
sem ar,
quente, abafado,
derreteu-se algo em mim,
e ficou: é... ótica!

É isso.
Visão.
Noite quente,
calor, fornalha,
corpo quente,
fogo...

Acendo a luz,
fecho a porta,
lembro do fado:
"de quem eu gosto,
nem às paredes confesso";
o anúncio da TV, chama a atenção:
- me liga, vai... Liga!
Erótica...
Sim, visão...

Começo a me despir
lentamente,
solto os cabelos,
eles se espalham
e cobrem as protuberâncias
de minhas curvas...

Acaricio lentamente meu corpo,
descendo suavemente as mãos,
a carne é firme,
sinto as pernas trêmulas,
olho no espelho,
gosto do que vejo,
sou uma mulher bonita,
sensual,
firme, gostosa, macia,
lembro outra vez:
"liga, vai... Liga"

O telefone está perto,
companheiro único,
preto,
frio,
mudo,
estático...

Ainda espero.
Continuo descendo as mãos
com suavidade,
sinto falta de carinhos,
olho a imagem,
é... ótica...

As pessoas não se olham,
não conhecem seu corpo,
não olham a si mesmas,
não se amam,
não se desejam,
não se tocam...

"Eu me amo... Eu me amo
"Tinha uma música assim,
seriam loucos?
Coisa de jovens?
Rock?
Não.
Amar a si mesmo
é o ponto de partida,
se não nos amarmos,
não amaremos a mais ninguém!

Eu amo a muitos...
Em cada um, eu amo alguma coisa;
a voz,
o gosto,
o cheiro,
o pensamento,
o olhar,
as idéias,
o desafio,
o perigo,
o desejo,
o sexo...

Mas estou só,
absolutamente só,
eu, comigo!

Erótica?
Talvez nos pensamentos,
nas rimas,
na inspiração,
só na ponta dos dedos,
digitando freneticamente,
nada mais...
Na verdade, só é.. ótica!

Visão de uma realidade virtual
visão de um sonho
que embalo no seio
como um filho que suga
meu leite,
aquela deliciosa sensação
de ser sugada,
amada,
comida, esmagada!

Lembranças...
Gostos, cheiros, fatos,
o passado...

Hoje já é o passado de amanhã,
então, só tem eu aqui;
preciso me amar!
Se não me amar,
se não houver um tico de narcisismo,
chegará a depressão,
mulher mal amada,
mulher vencida!

Penso...
Que desperdício!
O tempo vai correndo,
eu grito,
meu grito não tem eco,
os ventos espalham as pétalas da Rosa,
e o tempo continua veloz,
implacável!

Preciso,
sinto que preciso,
dividir, somar,
esse corpo com alguém,
preciso sentir outras mãos
que não as minhas,
tocando minha pele macia,
buscando meus caminhos,
palavras quase inaudíveis
arrancando meus gemidos,
sugando meu sangue...

Jogo os cabelos para trás,
acabei de escová-los,
coloquei a roupa de dormir,
deixo minha imagem
reflexa no espelho,
sou capaz de ver o brilho
das estrelas cintilando nos meus olhos,
na minha pele,
desnudo meu pescoço
mas nenhum vampiro
entra pelas vidraças...

Silêncio total,
só a brisa da noite
e os raios da lua
banham meu corpo quase nu,
chega um misto de prazer e sono...

Começo a dormir e
viajo dentro de mim mesma...

O que encontro?
Minha sombra vagando
pelos espaços vazios dos caminhos,
solidão...

É... ótica.
Nada mais.
Não existe nada,
além da imaginação!

O devaneio adormece
em meus braços,
viajo nos sonhos
e encontro meu príncipe,
ele vem da floresta encantada,
cavalga em minha direção,
me joga meio sem jeito
no dorso do seu garanhão,
o galope é forte,
e, no embalo da ilusão,
adormeço, só,
completamente só!

Quando os raios de sol
entram e me aquecem pela manhã
a cada aurora,
volto à rotina...
Ali adormeceu a poesia
e, agora, acordou a realidade...

Um dia como outro qualquer,
a rotina,
a vida,
a esperança,
a solidão,
a mesma ótica... Erótica!

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