Horácio Dídimo

Horácio Dídimo

1935–2018 · viveu 83 anos BR BR

Horácio Dídimo é um nome associado à poesia contemporânea em língua portuguesa, com uma obra que explora as profundezas da condição humana, a efemeridade do tempo e a busca por sentido num mundo em constante mutação. A sua escrita caracteriza-se por uma linguagem cuidada, uma forte carga imagética e uma sensibilidade que transita entre a melancolia e a esperança. A sua poesia reflete um diálogo com as inquietudes da modernidade, abordando temas universais através de uma perspetiva pessoal e introspectiva. Dídimo é reconhecido pela sua capacidade de criar atmosferas líricas densas e pela originalidade na exploração de temas recorrentes na poesia, como o amor, a memória e a passagem da vida.

n. 1935-03-23, Fortaleza · m. 2018-09-02, Fortaleza

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O Homem da Cadeira de Balanço

precisamos criar juízo
cumprir as determinações
e tomar enérgicas providências

precisamos coibir os abusos
respeitar os sinais do tempo
e outras normas regulamentares

precisamos ficar calados
diante de certas coisas
porque assim é melhor

precisamos evitar as mãos magras das visitas
os olhos noturnos dos gatos
e o apelo da verdade.

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Poemas

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O Homem da Cadeira de Balanço

precisamos criar juízo
cumprir as determinações
e tomar enérgicas providências

precisamos coibir os abusos
respeitar os sinais do tempo
e outras normas regulamentares

precisamos ficar calados
diante de certas coisas
porque assim é melhor

precisamos evitar as mãos magras das visitas
os olhos noturnos dos gatos
e o apelo da verdade.

1 737

Triste

triste não é saber que não há
nem que não haverá
triste é saber que nunca houve
e que agora para todo o nunca
choraremos

1 612

As Doces Meninas de Outrora

as doces meninas de outrora
amanheceram
vestiram os vestidos novos
pintaram as unhas de vermelho
por um instante resplandeceram
depois baixaram as cabecinhas louras
e envelheceram como as flores

1 526

Convite

venham todos
conversemos numa comunhão vulgar
sobre as mulheres e o mundo
tiremos o paletó e os sapatos
leiamos os jornais em voz alta
brindemos aos fatos imprevistos
entoemos canções ao velho mar

e que a madrugada nos encontre assim
participando rumorosamente
de uma humanidade sem destino

1 335

As Casas

após longa espera
nada aconteceu

as casas continuaram baixas

tão baixas
que muitos de seus habitantes rastejavam
enquanto outros desistiam de antigas reivindicações

1 311

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Socorro Guimarães
Socorro Guimarães

Oi, professor! Te guardo no coração,como uma doce canção que ouvi na infância...