Hélder Muteia

Hélder Muteia

n. 1960 MZ MZ

Hélder Muteia é um poeta e escritor moçambicano contemporâneo, cuja obra se caracteriza por uma profunda ligação às raízes culturais africanas, à história e às complexidades sociais de Moçambique. A sua poesia, frequentemente marcada por uma linguagem forte e expressiva, aborda temas como a identidade, a luta pela liberdade, a herança colonial e a esperança num futuro de dignidade e justiça. É uma voz importante na literatura lusófona africana.

n. 1960-09-21, Quelimane

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Ensaio de lágrimas

Se as nossas lágrimas
apagassem o ódio que nos cerca
e apagassem também o fogo que nos mata
mãe
eu pediria as lágrimas de todos
sangrando as pupilas.

Mas temo, mãe
que nos afoguemos um dia
dentro das nossas lágrimas.
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Poemas

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Ensaio de lágrimas

Se as nossas lágrimas
apagassem o ódio que nos cerca
e apagassem também o fogo que nos mata
mãe
eu pediria as lágrimas de todos
sangrando as pupilas.

Mas temo, mãe
que nos afoguemos um dia
dentro das nossas lágrimas.
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Aí, o mar

As palavras que desenhei na areia
O mar as levou em lembrança
Os meus segredos de criança
O mar os contou à sereia.

As conchas do mar também ficaram
Com os meus segredos do anoitecer
Tudo o que os meus avós me sussurraram
Ainda estava por tecer.

Os estilhaços da minha infância
Ficaram emulsionados na forca da água
Os versos feitos em minhas mágoas
Também ficaram em turbulência.

O mar levou o meu amor
A filha do gra-marinheiro
Pois ela partiu primeiro
Sem escutar o meu clamor.
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Reflexão

E se fosse apenas
a dor matemática do chicote
sorria
e olhava-te nos olhos
e cuspia-te na cara
só!

E se fosse apenas
a dor física da inércia das lágrimas
bem, ai talvez fingisse
chorar a mulher amada
e cuspia-te somente à cara!

Mas de que nos adianta agora
discutir a matemática e a física?
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Presença

Sou dos que ainda estão presentes
e bebem do amor a única ausência.

Quantos pedaços de mentiras
retenho na viscosidade do meu cuspo?

Quantas verdades apaixonadas
reclamam ansiosas o esperma das palavras?

Nenhumas, talvez, nenhumas...
escravizo o silêncio
e faço dele o meu mensageiro.

Estou presente em tudo ou mais
e aí onde me procurarem
será a minha próxima ausência.

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Comentários (3)

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Abija
Abija

Bom

Abija
Abija

Bom

Nilza Mabunda
Nilza Mabunda

Parabéns pelas obras??!