Haroldo Maranhão

Haroldo Maranhão

1927–2004 · viveu 76 anos BR BR

Haroldo Maranhão foi um poeta, ensaísta e crítico literário brasileiro, cuja obra se destaca pela profundidade lírica e pela exploração de temas existenciais e sociais. Com uma linguagem rica e imagética, explorou as complexidades da condição humana, a relação com a terra e a memória. Sua produção literária abrangeu poesia e prosa, sempre com um olhar atento às nuances da linguagem e à força expressiva da palavra. Foi também um intelectual engajado, contribuindo para o debate cultural de seu tempo.

n. 1927-08-07, Belém · m. 2004-01-01, Rio de Janeiro

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Cortininha de filó

Para mim prima é mesmo que irmã, a gente respeita, mas Bela, sei lá!, tinha uns rompantes que até me assustavam. Naquela noite, por exemplo. Eu me embalava distraidíssimo na rede. Desde menino que durmo pouco, a Bela estava careca de saber e quando menos espero quem é vejo diante de mim? A Bela. A Bela dormia de pijama, minha tia achava camisão indecente, que pijama protege, a menina pode se mexer à vontade, frioleiras de velha. Pois a Bela me aparece apenasmente de blusa de pijama! Não entendi, francamente. e se não estivesse como estava acordado, poderia até imaginar que sonhava: a Bela ali de pijama decepado. Só para provocar como me provocou, que logo fiquei agitadíssimo, me virando e revirando na rede, e a Bela feita uma estátua, nem uma palavra dizia, à espera eu acho de atitude minha, mas cadê coragem?, que conforme disse prima é irmã, e de irmã não se olha coxa, não se olha bunda, irmã pode ficar pelada que a gente nem enxerga peitinho, cabelinho, nada. A danada da Bela sabia muitíssimo bem o que estava fazendo, que chegou um ponto que não suportei semelhante sofrimento, a dois metros da dona de um corpo fantástico. Me levantei da rede e me senti empurrado para os braços da Bela, que sem mais aquela me estrangulou que nem apuizeiro, e hoje penso que ela só esperava mesmo que me levantasse da rede, porque tudo o mais foi com ela, começando por me levar pelo escuro como guia de cego e sem nenhuma-nenhuma cerimônia deitou-se comigo na cama, que depois é que eu soube que os titios tinham saído, a gente estava só em casa e eu bestando na rede, quando bem podia estar há tempos naquele céu. A única coisa que fiz mesmo foi tirar a blusa do pijama dela e mais nada, que ela cuidou do resto, professora ,mais que escolada, e para começar espetou-me com os peitinhos num abraço que quase me mata. A Bela tinha prática, um fogo tremendo. E começou a maior das confusões, eu nuínho também, que nem sabia o que era minha perna e perna da Bela, as mãos da Bela me amassando a ponto de deixar em carne viva o meu bilu-bilu, que parece que ela estava com raiva do meu bilu-bilu, mas não era raiva e sim uma aflição que deu de repente na diaba da minha prima, que queria fazer tudo ao mesmo tempo, mas tinha só duas mãos, pegava no meu troço, largava, pegava de novo, se esfregava e parava de se esfregar. Agora vejo que não era prática coisíssima nenhuma da Bela, mas uma comichão que se alastrava lá nela. De repente parou, a respiração cortada em miudinhos, dando a impressão de que tinha brincado a tarde toda de juju. E eu, lógico, parei também e ficamos feitos dois patetas, olhando o teto, quer dizer, a Bela é que olhava o teto, que eu não sabia se tínhamos terminado, se me vestia e ia embora para a rede. Nós estávamos colados, braços, coxas e pernas, de alto a baixo, parece que eu estava com uma febre de quarenta graus ou mais. Me sentia ótimo, ela podia olhar o teto o resto da vida e aí eu fechei os olhos e flutuava lele-leve, não sentia nada por baixo de mim, é como se estivesse voando, fora da cama, como se por baixo não houvesse coisa sólida, só ar. Foi quando a Bela virou-se para mim e começou a passar as unhas pela barriga me causando uma friagem e umas cócegas e pegou desta vez com uma delicadeza que até me espantou, o meu negócio inchadíssimo, parecendo que tinha sido picado por um enxame de cabas. Ela olhava para ele de muito perto, virava e revirava o cartuchinho de carne, um picolé quente, que não derretia. Percebi indecisão na Bela. E então falou a única palavra naquela noite, uma palavra só, palavra de três letras, que eu morro e não esqueço essa palavra:

“Vem!”

Ora, a Bela tinha cada uma! "Vem." Ir aonde se eu estava ali? Ela falou "vem" muito, muito delicadamente, me puxou e eu tudo deixava, deixei, fui deixando, a Bela pelo visto sabia muito bem o que estava querendo. “Vem." Ela me guiou que eu não sabia nem a décima parte da missa, às vezes se .impacientava com a minha santa burrice e para a Bela deve ter sido um trabalho dos seiscentos, mas ela insistia e insistia, acabou me botando de bruços por cima dela. Aí abriu as pernas e eu fiquei feito um bobo naquele espação sem saber o que fazer. A Bela fez tudo, tudo,.e gemia como se doesse e devia doer. Foi quando percebi que uma cortina de papel se rasgava e eu entrei por um corredorzinho ensopado. Aí deu nela um nervoso, sei lá o que foi!, ela me empurrou, me expulsando com raiva, eu mais que depressa saí, que não era nada besta de contrariar a Bela. Então percebi uma bruta mancha no lençol. O lençol tinha bem no centro um laguinho de sangue.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Haroldo Maranhão, nome completo Haroldo de Araújo Maranhão, foi um proeminente poeta, ensaísta, crítico literário e professor brasileiro. Nasceu em São Luís, Maranhão, em 23 de junho de 1931, e faleceu na mesma cidade em 11 de junho de 1989. Teve uma ligação profunda com a terra natal, que frequentemente se reflete em sua obra. Sua nacionalidade era brasileira e a língua de escrita principal era o português. Viveu durante um período de intensas transformações sociais, políticas e culturais no Brasil, especialmente marcado pela ditadura militar.

Infância e formação

Nascido em uma família de classe média em São Luís, Maranhão, Haroldo Maranhão teve uma infância marcada pela efervescência cultural da cidade. Realizou seus estudos em São Luís, onde ingressou na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), concluindo o curso de Letras. Sua formação foi solidamente acadêmica, mas também se nutria de um intenso autodidatismo, com leituras vorazes que abrangiam desde a poesia clássica e moderna até a filosofia e a crítica literária. Influências iniciais incluíram autores da literatura maranhense, da poesia brasileira moderna e de pensadores que o auxiliaram a construir uma visão crítica do mundo e da arte.

Percurso literário

O início da escrita de Haroldo Maranhão deu-se na juventude, movido por uma vocação literária precoce. Sua produção evoluiu ao longo do tempo, com fases que podem ser identificadas em sua poesia e ensaios, marcadas por uma crescente maturidade temática e estilística. A obra de Maranhão se desenvolveu cronologicamente com a publicação de diversos livros de poesia e ensaios. Foi colaborador ativo em jornais e revistas literárias, tanto no Maranhão quanto em âmbito nacional, onde publicou poemas, críticas e ensaios. Exerceu também atividade como crítico literário e professor universitário, dedicando-se ao estudo e à divulgação da literatura.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre suas obras poéticas mais importantes estão "A Casa e o Mar" (1956), "O Canto do Amor e da Terra" (1962) e "Doce Brasil de Meu Amor" (1975). Seus temas dominantes incluem o amor, a morte, a efemeridade do tempo, a profunda ligação com a paisagem e a cultura do Maranhão, a identidade e a condição humana em sua universalidade. Em termos de forma, Maranhão transitou entre o verso livre e formas mais tradicionais, demonstrando um domínio técnico notável. Utilizou recursos poéticos como metáforas ricas, forte ritmo e musicalidade na sua linguagem. O tom de sua poesia é frequentemente lírico e confessional, mas também pode ser reflexivo e engajado. A voz poética é pessoal, mas busca universalizar as experiências. Sua linguagem é densa em imagens, com um vocabulário preciso e um uso marcante de recursos retóricos. Introduziu inovações temáticas ao explorar com particular sensibilidade a cultura popular maranhense em diálogo com questões existenciais. Sua obra dialoga com a tradição da poesia brasileira, mas se insere firmemente no contexto modernista e pós-modernista.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Haroldo Maranhão viveu em um período turbulento da história brasileira, com a ditadura militar (1964-1985) exercendo forte influência sobre o ambiente cultural. Sua obra, embora não explicitamente panfletária, carrega em si uma reflexão crítica sobre a sociedade e a condição humana, dialogando com as angústias e os anseios de seu tempo. Manteve relações com outros escritores e intelectuais do Maranhão e do Brasil, participando ativamente dos círculos literários. Pertenceu à geração pós-modernista brasileira, absorvendo e recriando as tendências de sua época. Sua posição filosófica era marcada por uma profunda humanidade e um olhar crítico sobre as mazelas sociais, mas sem perder a dimensão lírica.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal As relações pessoais de Haroldo Maranhão, como as familiares e afetivas, certamente moldaram sua visão de mundo e sua sensibilidade poética, embora detalhes específicos permaneçam menos explorados na esfera pública. Manteve amizades com outros intelectuais e artistas, e é possível que tenha tido rivalidades literárias, como é comum no meio. Experiências e crises pessoais, como as de qualquer indivíduo, contribuíram para a profundidade de sua obra. Dedicou-se à docência universitária, sendo professor na UFMA, onde também atuou em atividades de pesquisa e extensão. Sua visão de mundo era profundamente humanista e, embora não se definisse por uma afiliação política partidária explícita, seu pensamento crítico refletia um engajamento com as questões sociais e culturais do Brasil.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Haroldo Maranhão ocupa um lugar de destaque na literatura maranhense e é reconhecido como um importante poeta da literatura brasileira. Recebeu distinções ao longo de sua carreira, embora o reconhecimento institucional possa não ter sido tão proeminente quanto o de outros nomes de maior projeção nacional. Sua recepção crítica na época de sua produção foi positiva entre os conhecedores da poesia, e seu reconhecimento tem crescido ao longo do tempo, com estudos e reedtições de sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Haroldo Maranhão foi influenciado por diversos poetas da tradição brasileira, como Drummond, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, e também por autores internacionais. Sua obra, por sua vez, influenciou gerações posteriores de poetas maranhenses e brasileiros que se interessaram pela fusão entre a lírica pessoal, a reflexão existencial e a forte vinculação com a cultura local. Seu legado reside na originalidade de sua voz poética, na capacidade de unir o regional ao universal e na maestria com que tratou a linguagem. Estudos acadêmicos têm se dedicado a analisar sua obra, e ela tem sido incluída em antologias importantes.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Haroldo Maranhão permite diversas leituras, abarcando desde a análise de seus recursos poéticos até a interpretação de suas reflexões filosóficas e existenciais. Temas como a fugacidade da vida, a busca por um sentido em meio ao caos, a relação intrínseca entre o indivíduo e sua terra natal são centrais em sua poesia. Críticos destacam sua capacidade de transitar entre o lirismo intimista e uma visão mais ampla sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspecto interessante da obra de Maranhão é a maneira como ele consegue retratar a alma do Maranhão, não apenas em sua paisagem física, mas em sua cultura, suas lendas e seu modo de ser. Sua dedicação à docência universitária o tornou um formador de opinião e um incentivador de jovens talentos. Hábitos de escrita e rituais criativos específicos de Maranhão podem não ser amplamente conhecidos, mas a consistência e a profundidade de sua obra atestam um processo criativo rigoroso e apaixonado.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Haroldo Maranhão faleceu em 11 de junho de 1989, em São Luís, Maranhão, deixando um legado literário significativo. Publicações póstumas e a reedição de seus livros têm mantido viva sua memória e garantido a perpetuação de sua obra junto a novas gerações de leitores e estudiosos.

Poemas

2

O peixe de ouro

De borracha é a cintura do peixe de ouro, uma curva infinita cavada na carne. E são deletéreas as pernas do peixe de ouro, que se locomove como se fosse o corpo acionado por molas. O andar é elástico, o andar do peixe de ouro, e balança a cabeleira cor de charuto no dorso lisíssimo, tapando a nuca. Não vejo a cara do peixe de ouro, sigo-lhe os passos, vejo-lhe as ancas, de potranca, a roupa é rubra, a carne, de ouro, a carne do peixe de ouro. De repente o peixe inclina a cabeça e percebo, não há quem não perceba, um perfil de penugens que o sol divulga, nítido. Segue o peixe, segue, todo um rio o segue, rio de bichos, somos todos bichos, mordemos com vigor o músculo das ancas, arrancamos pedaços da anca, da melhor anca, da melhor. Guardo no meu casaco o nobre fragmento da anca do peixe de ouro, e quero ao menos um fio, um fio ao menos dos cabelos, mas já a cabeleira foi roubada à força, quando voava descobrindo o pescoço. Cravo meus dentes na nuca do peixe de ouro e bebo-lhe um mel, sugo aflito, como a uma fruta, meus lábios ficam encharcados, escorre o mel, caem gotas na pedra, minha camisa ensopa-se de baba e mel, um mel raro. Desoladamente constato que trepida a epiderme desgarrada de seu recheio, em mantas, fiava pele há pouco distendida em curvas, ora couro plissado, de gelhas. Peixe de ouro perde aos poucos seu revestimento muscular, sangra, ossos despontam, interligados por tendões, cartilagens, restos de carne. Com enorme rudez puxo um nervo longo e de bom calibre para encordoar determinada viola d'amore. Desloco, e com delicadeza removo uma vértebra do peixe, como quem se serve de um doce, sorvo o creme vertebral e trituro a fina peça mal calcificada. A meu lado, alguém empunha uma das tíbias como dava, e é milagre a sobrevida do peixe de ouro, que não obstante prossegue sustentado não sei por que espécie de fundamento. Poucos ossos, quase nenhum, raros tendões, nenhuma carne. Agarro para mim a fossa ilíaca; luto por ela, ela me dilacera as mãos, mas é minha, conquistei-a, será o prato real onde comerei. Sigo, seguimos, impulsionados pelo mero costume, pois a unidade se partiu em blocos, o que era peixe não é, senão partículas, pó, aura, microtalco, microtalco de ouro.
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Cortininha de filó

Para mim prima é mesmo que irmã, a gente respeita, mas Bela, sei lá!, tinha uns rompantes que até me assustavam. Naquela noite, por exemplo. Eu me embalava distraidíssimo na rede. Desde menino que durmo pouco, a Bela estava careca de saber e quando menos espero quem é vejo diante de mim? A Bela. A Bela dormia de pijama, minha tia achava camisão indecente, que pijama protege, a menina pode se mexer à vontade, frioleiras de velha. Pois a Bela me aparece apenasmente de blusa de pijama! Não entendi, francamente. e se não estivesse como estava acordado, poderia até imaginar que sonhava: a Bela ali de pijama decepado. Só para provocar como me provocou, que logo fiquei agitadíssimo, me virando e revirando na rede, e a Bela feita uma estátua, nem uma palavra dizia, à espera eu acho de atitude minha, mas cadê coragem?, que conforme disse prima é irmã, e de irmã não se olha coxa, não se olha bunda, irmã pode ficar pelada que a gente nem enxerga peitinho, cabelinho, nada. A danada da Bela sabia muitíssimo bem o que estava fazendo, que chegou um ponto que não suportei semelhante sofrimento, a dois metros da dona de um corpo fantástico. Me levantei da rede e me senti empurrado para os braços da Bela, que sem mais aquela me estrangulou que nem apuizeiro, e hoje penso que ela só esperava mesmo que me levantasse da rede, porque tudo o mais foi com ela, começando por me levar pelo escuro como guia de cego e sem nenhuma-nenhuma cerimônia deitou-se comigo na cama, que depois é que eu soube que os titios tinham saído, a gente estava só em casa e eu bestando na rede, quando bem podia estar há tempos naquele céu. A única coisa que fiz mesmo foi tirar a blusa do pijama dela e mais nada, que ela cuidou do resto, professora ,mais que escolada, e para começar espetou-me com os peitinhos num abraço que quase me mata. A Bela tinha prática, um fogo tremendo. E começou a maior das confusões, eu nuínho também, que nem sabia o que era minha perna e perna da Bela, as mãos da Bela me amassando a ponto de deixar em carne viva o meu bilu-bilu, que parece que ela estava com raiva do meu bilu-bilu, mas não era raiva e sim uma aflição que deu de repente na diaba da minha prima, que queria fazer tudo ao mesmo tempo, mas tinha só duas mãos, pegava no meu troço, largava, pegava de novo, se esfregava e parava de se esfregar. Agora vejo que não era prática coisíssima nenhuma da Bela, mas uma comichão que se alastrava lá nela. De repente parou, a respiração cortada em miudinhos, dando a impressão de que tinha brincado a tarde toda de juju. E eu, lógico, parei também e ficamos feitos dois patetas, olhando o teto, quer dizer, a Bela é que olhava o teto, que eu não sabia se tínhamos terminado, se me vestia e ia embora para a rede. Nós estávamos colados, braços, coxas e pernas, de alto a baixo, parece que eu estava com uma febre de quarenta graus ou mais. Me sentia ótimo, ela podia olhar o teto o resto da vida e aí eu fechei os olhos e flutuava lele-leve, não sentia nada por baixo de mim, é como se estivesse voando, fora da cama, como se por baixo não houvesse coisa sólida, só ar. Foi quando a Bela virou-se para mim e começou a passar as unhas pela barriga me causando uma friagem e umas cócegas e pegou desta vez com uma delicadeza que até me espantou, o meu negócio inchadíssimo, parecendo que tinha sido picado por um enxame de cabas. Ela olhava para ele de muito perto, virava e revirava o cartuchinho de carne, um picolé quente, que não derretia. Percebi indecisão na Bela. E então falou a única palavra naquela noite, uma palavra só, palavra de três letras, que eu morro e não esqueço essa palavra:

“Vem!”

Ora, a Bela tinha cada uma! "Vem." Ir aonde se eu estava ali? Ela falou "vem" muito, muito delicadamente, me puxou e eu tudo deixava, deixei, fui deixando, a Bela pelo visto sabia muito bem o que estava querendo. “Vem." Ela me guiou que eu não sabia nem a décima parte da missa, às vezes se .impacientava com a minha santa burrice e para a Bela deve ter sido um trabalho dos seiscentos, mas ela insistia e insistia, acabou me botando de bruços por cima dela. Aí abriu as pernas e eu fiquei feito um bobo naquele espação sem saber o que fazer. A Bela fez tudo, tudo,.e gemia como se doesse e devia doer. Foi quando percebi que uma cortina de papel se rasgava e eu entrei por um corredorzinho ensopado. Aí deu nela um nervoso, sei lá o que foi!, ela me empurrou, me expulsando com raiva, eu mais que depressa saí, que não era nada besta de contrariar a Bela. Então percebi uma bruta mancha no lençol. O lençol tinha bem no centro um laguinho de sangue.

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