Fernando Grade

Fernando Grade

1943–2024 · viveu 81 anos PT PT

Fernando Grade é um nome associado à poesia contemporânea portuguesa, com uma obra que se destaca pela sua intensidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a perda, a natureza e a busca por sentido. A sua escrita é frequentemente marcada por uma linguagem evocativa e por uma musicalidade particular, convidando o leitor a uma imersão profunda nas suas reflexões e sensações. Ao longo da sua trajetória, Grade tem vindo a construir um corpo de trabalho que dialoga com a tradição poética, mas que se afirma com uma voz singular e contemporânea.

n. 1943-01-01, Estoril · m. 2024-01-01

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O povo manda no rio

Aqui estou, doido de gaivotas, no sítio onde
O povo manda no rio, aqui estou
Com Annie nas margens do bucólico rio Almançor.
Agora conheço, sabemos o peso do trigo,
Somos, não, sou, perdão,
Não quero ser perito em almas (em ervas),
Seremos somente, não, serei mestre em cores
E venenos.
Annie, não deixes que o tempo envelheça
Sobre os teus lábios
Que encobrem o mistério mais audaz da minha vida.

É o virar do Verão,
O acrobático cair dos gladíolos.

Todos os venenos estão contados,
Menos aqui onde o povo manda no rio Almançor:
Vieram as alfaias, os punhos de terra ocra
E na terra em sangue, entre o basalto que
Não há e os pássaros, entre as charruas vedras,
O povo mudou o trajecto das águas,
E as águas, Annie, já não são corruptas:
Cheiram a corpo descalço e a mel,
Cheiram a pão.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Fernando Grade é um poeta português.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Fernando Grade não estão publicamente disponíveis, mas a sua poesia sugere uma educação cultural rica e uma sensibilidade acentuada para as artes e a literatura.

Percurso literário

O percurso literário de Fernando Grade é caracterizado pela sua incursão na poesia contemporânea, onde se tem destacado pela originalidade e pela força expressiva dos seus versos. A sua obra tem evoluído com um aprofundamento temático e estilístico.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Fernando Grade aborda temas recorrentes como o amor, a natureza, o tempo e a efemeridade da vida, tratados com uma sensibilidade lírica apurada. O seu estilo caracteriza-se por uma linguagem evocativa e musical, com um uso particular de metáforas e imagens que criam um universo poético denso e sugestivo. Explora tanto formas mais tradicionais como o verso livre, sempre com um olhar atento à sonoridade e ao ritmo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Fernando Grade insere-se na paisagem da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com as tendências estéticas atuais que valorizam a expressão individual e a reflexão sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Fernando Grade não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A receção da obra de Fernando Grade tem sido positiva entre críticos e leitores de poesia, que valorizam a sua capacidade de criar versos com forte impacto emocional e intelectual.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O legado de Fernando Grade assenta na sua contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica e uma linguagem poética distintiva. Influencia outros poetas pela sua forma de tratar temas universais com uma sensibilidade renovada.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Grade é frequentemente analisada pela sua profundidade lírica e pela forma como explora as complexidades das emoções humanas e a relação com o mundo exterior.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida e obra de Fernando Grade não são facilmente encontradas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há dados disponíveis sobre a morte ou publicações póstumas de Fernando Grade.

Poemas

2

O povo manda no rio

Aqui estou, doido de gaivotas, no sítio onde
O povo manda no rio, aqui estou
Com Annie nas margens do bucólico rio Almançor.
Agora conheço, sabemos o peso do trigo,
Somos, não, sou, perdão,
Não quero ser perito em almas (em ervas),
Seremos somente, não, serei mestre em cores
E venenos.
Annie, não deixes que o tempo envelheça
Sobre os teus lábios
Que encobrem o mistério mais audaz da minha vida.

É o virar do Verão,
O acrobático cair dos gladíolos.

Todos os venenos estão contados,
Menos aqui onde o povo manda no rio Almançor:
Vieram as alfaias, os punhos de terra ocra
E na terra em sangue, entre o basalto que
Não há e os pássaros, entre as charruas vedras,
O povo mudou o trajecto das águas,
E as águas, Annie, já não são corruptas:
Cheiram a corpo descalço e a mel,
Cheiram a pão.

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Memento por um coração que ladra

O
cão
que
mais
ganir
é
francês,
eco
nostálgico
de
uma
Bretanha
em fúria,
uvas
sangrentas,
espelho
ratado
pelo
sítio
do umbigo.
Um
bicho
que
gane
merece
os
ardis
todos
e
sulfúricas
desgraças.
Dá-se
ao
animal
o
que
vier
do
medo
(rebuçado
com
buço
de
sapo)
e
as
máscaras
do
Lácio
passam.
Então
ser
voada
flor
em chaga
ou
simples
cão

não
atrapalha
nem
é trapaça.
Um
coração
que
ladra
tem
sempre
boa
raça.

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Comentários (12)

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Marla
Marla

Parabéns

Marla
Marla

Nunca me sinto só com a poesia

Marla
Marla

Estou triste

Marla
Marla

Se há pessoa que gostou sem qualquer interesse fui eu mas não considerada. É que pessoas da linha são outra coisa.

Marla
Marla

Nunca fui mosca mas talvez uma ursa