Escritas

Lista de Poemas

Deixa que as Mãos

Deixa que
as mãos
Percorram o caminho difícil do azul
Como se o azul
Fosse a cor da alegria
O lugar aceso de uma vida.

Deixa que as mãos
Transportem barcos
E regressem de nenhuma viagem.

Deixa o coração adormecido
Na lembrança das aves - grão de areia.
Uma sirene ao longe.

Deixa a roupa dobrada
A candeia acesa
O lugar na mesa.
Há sempre uma hera por cortar

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Estava à Tua Espera

Estava
á tua espera
Desde o começo do mundo
No sentido da água dos indícios do fogo

Pousaste o olhar
Na luz que tardava
E em redor a neve ardeu

Havia uma casa
Um endereço uma magnólia incendiada
A nada alterou o itinerário das aves

Estava á tua espera
Desde o começo do mundo
Na despedida dos anjos
No rumor matinal de Abril

Com parcimónia escrevo
Num talento breve e ao abrigo da noite
As razões desta areia iluminada
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Das Coisas que Ardem

Das coisas
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face

Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia

Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves

Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
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Em Louvor do Silêncio

Em louvor
do silencio
Lembro os peixes mudos percorrendo o sono
Um fruto que cai grave
No corpo da terra

Lembro o aroma das glicínias
O murmúrio dos mortos povoando as casas
Os versos obscuros onde habita a delicadeza do amor.
É nos estilhaços do mundo
Que o indizível se escreve
Invade as folhas, as mãos pousadas na orla do mar.

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Dá-me Sempre Esse Dom

Dá-me sempre
esse Dom
Obscuro e precário esse fulgor da cinza
Essa pureza na alegria da terra
Dá-me uma cisterna de luz
Um cântaro de água aprisionada
Dá-me a tua aurora e o teu presságio
Para eu dançar no centro da noite
E na orla do coração
Escutar os pássaros.
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Guardo na Pele

Guardo
na pele a luz da tinta
É aí que as palavras ardem
À passagem do sangue

Na pele, tudo é profundo
Ouve-se a água no início do sono
Flor estilhaçada na sombra dos dedos
E um talento vagaroso
Percorre as veias
Uma promessa de paz ilumina os roseirais

Dirás que o corpo é uma casa de sol
Um relâmpago breve na paisagem.

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