Escritas

Lista de Poemas

Símbolo d’arte

Se o meu verso não fora o agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o gargalhar de um mocho;

Se, essas flores do mal, em pleno desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale esse martírio.

Se, na terra que piso, algum prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a augusta paz da morte...

E o meu símbolo darte, o ideal que me fascina,
É a tristeza a florir a graça feminina,
Como um farol pressago a iluminar o norte!

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Símbolo dos Símbolos

Caveira! Tu conténs a Síntese do Mundo!
Trazes dentro de ti o impalpável Mistério.
És o louro mudado em tinhorão funéreo,
És o Azul transformado em báratro profundo!

Destronados Satãs de olhar meditabundo,
Andam dentro de ti como num cemitério,
E os Faustos doutorais, de aspecto mudo e sério,
Descem do informe Caos ao tenebroso fundo.

Cabalístico signo exótico do Nada,
Sofres, e a tua Dor, Caveira, é sufocada,
Gemes, e o teu gemido esvai-se em Ironia...

Resta-te agora só, depois de tantas glórias,
A lembrança cruel das passadas vitórias
E essa amar a expressão de funda nostalgia!

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Ofertório

Cerca-te a nobre fronte uma auréola bendita.
Na nostalgia azul dos teus olhares leio
Uma Balada atroz com Lágrimas escrita.

És para mim, ó Mãe, o vigoroso esteio
Que sustenta de pé a velha e augusta Cripta,
A colunata de oiro erguida em frágil seio,

Para amparar a Torre Astral dos Meus Cismares,
E impedir que ela tombe, em pó desfeita, em ruínas.
A tua voz espalha, em ondas, pelos ares,

Suaves, doridos sons de aflitivas surdinas,
Enchendo o Oceano, enchendo os Céus, enchendo os Mundos.
Como um Réquiem cantado através de neblinas.

Vieste para extinguir os tormentos profundos!
Vieste para apagar as velhas cicatrizes,
Para descortinar o Céu aos moribundos!

Vieste para aliviar a Dor dos infelizes!
Vieste para espancar as Trevas de MinhAlma,
Para arrancar à Dor as rígidas raízes!

Arcanjo de asa branca e protetora espalma,
Emissário de Deus, ó Mãe, tu me trouxeste,
Como uma Bênção do Alto, a esplendorosa calma.

Abrandas a Agonia, exterminas a Peste,
Escravizas o Leão ao teu olhar piedoso,
E o Corvo teme, e o Tigre, a alvura que te veste.

Arcanjo, Santa, Lírio, Estrela, Sol glorioso,
Filtro que os Corações Humanos fortalece,
Tamareira que ensombra o deserto arenoso,

Mater! Suprema Força! Acolhe minha prece!

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Comentários (1)

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Elbert
Elbert
2019-03-16

Falta poemas.