Fábio Peres

Fábio Peres

1921–1997 · viveu 75 anos BR BR

Fábio Peres é um poeta cuja obra se distingue pela sua capacidade de tecer versos que exploram a condição humana com uma linguagem acessível, mas carregada de profundidade. As suas poesias frequentemente abordam a efemeridade do tempo, as nuances das relações humanas e a busca por sentido num mundo em constante transformação. Com um estilo que combina lirismo e uma observação atenta do quotidiano, Peres convida o leitor a refletir sobre as pequenas e grandes questões da vida, apresentando uma voz poética que ressoa com autenticidade.

n. 1921-09-19, Recife · m. 1997-05-02, São Paulo

2 213 Visualizações

Talvez, se mudassemos de pronome

Porquê então nosso mundo é nosso,
se deles todos fogem,
nossos filhotes sem abrigo,
nossa compreensão sem miséria,

Talvez fosse isto:
E a nossa falta de vergonha,
ou nossa vergonha constante?
seria nosso bem estar?

Aliás, de bem nada tem nosso estar,
continuamos mal,
maus de peito, mal de bola,
talvez nós fossemos nossos próprios líderes

Pensamos até em consagração,
quando em chamas toma-se nosso lar,
e fugimos, despistar nossa apatia,
sem razão

Talvez se acreditássemos mais nas pequenas coisas,
nos pequenos seres,
nos pequenos valores,
nos pequenos fatos,
isso alimentasse nossa razão,
que mesmo sem livros continua culta,
que mesmo sem chorar ainda areja seus solos,
que mesmo sem ver se torna parte de um futuro,
que nem mesmo temos,
temos à nós mesmos,
o quanto pudermos,
queremos, queremos, queremos

Plantas trariam meu tesouro à mim,
de novo, e seríamos um pouco mais,
por sabermos de nosso poder,
e por sabermos dividir

Essa parte não fala somente de nós,
fala de você, e de mim,
porque costumamos achar que o que é de todos,
não tem dono,
e fazemos pouco do que nosso não é,
e isso faz faz com que sejamos um pouco piores,
e isso chega a ser tudo

Ler poema completo

Poemas

1

Talvez, se mudassemos de pronome

Porquê então nosso mundo é nosso,
se deles todos fogem,
nossos filhotes sem abrigo,
nossa compreensão sem miséria,

Talvez fosse isto:
E a nossa falta de vergonha,
ou nossa vergonha constante?
seria nosso bem estar?

Aliás, de bem nada tem nosso estar,
continuamos mal,
maus de peito, mal de bola,
talvez nós fossemos nossos próprios líderes

Pensamos até em consagração,
quando em chamas toma-se nosso lar,
e fugimos, despistar nossa apatia,
sem razão

Talvez se acreditássemos mais nas pequenas coisas,
nos pequenos seres,
nos pequenos valores,
nos pequenos fatos,
isso alimentasse nossa razão,
que mesmo sem livros continua culta,
que mesmo sem chorar ainda areja seus solos,
que mesmo sem ver se torna parte de um futuro,
que nem mesmo temos,
temos à nós mesmos,
o quanto pudermos,
queremos, queremos, queremos

Plantas trariam meu tesouro à mim,
de novo, e seríamos um pouco mais,
por sabermos de nosso poder,
e por sabermos dividir

Essa parte não fala somente de nós,
fala de você, e de mim,
porque costumamos achar que o que é de todos,
não tem dono,
e fazemos pouco do que nosso não é,
e isso faz faz com que sejamos um pouco piores,
e isso chega a ser tudo

931

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.