Everaldo Moreira Verás

Everaldo Moreira Verás

1916–2012 · viveu 96 anos BR BR

Everaldo Moreira Verás é um poeta cuja obra se distingue pela sua profunda reflexão sobre a existência, a identidade e a condição humana, explorando temas universais com uma linguagem poética rica e evocativa. A sua escrita, marcada por uma sensibilidade apurada e um olhar atento sobre o mundo, convida à introspeção e à descoberta de novas perspetivas sobre a vida. O seu legado reside na capacidade de, através da poesia, tocar as cordas mais íntimas do leitor, promovendo um diálogo entre o eu e o universal.

n. 1916-05-06, Recife · m. 2012-06-12

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Moinho

Todos os dias me suicido,
invento dores e palavras absurdas,
é a fórmula que escolhi para me multiplicar.
Começo quando começa o dia,
estou eu sempre me recomeçando.
Faço assim porque tenho pressa,
pode ser que eu morra
antes do fim do mundo.
Além do mais,
a noite não espera
e guardo muito cuidado com ela porque,
no seu silêncio extremo,
está a perdição que me alimenta.
Percorro os caminhos como um navio,
desses que carregam fantasmas.
Vou repartindo o tempo,
ora estou na luz,
ora no escuro maior.
É assim a contradição que estabeleço
para que ninguém me encontre
nem tampouco imite o meu sofrer.
Escondo,
dentro de mim,
no peito,
um moinho.
No centro dele sou duro como ferro.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Everaldo Moreira Verás é um poeta cuja obra se insere no panorama da literatura em língua portuguesa. Sem pseudónimos ou heterónimos conhecidos, a sua identidade poética é associada ao seu nome civil. A sua nacionalidade e a língua em que escrevia é o português. O contexto histórico em que viveu, embora não especificado por datas ou locais, permitiu o florescimento de uma voz poética que dialoga com as inquietações da modernidade e da condição humana, inserindo-se no contexto mais amplo da produção literária brasileira.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Everaldo Moreira Verás são limitadas, mas presume-se que a sua trajetória tenha sido moldada por um ambiente propício à leitura e à reflexão. A sua educação, seja formal ou autodidata, terá sido fundamental para o desenvolvimento da sua expressão poética. É provável que tenha absorvido diversas influências literárias e culturais que se refletem na maturidade e profundidade da sua obra.

Percurso literário

O percurso literário de Everaldo Moreira Verás é marcado pela produção de uma obra poética de reconhecida qualidade. O início da sua escrita e a evolução do seu estilo ao longo do tempo não são detalhados, mas a consistência temática e a maturidade da sua voz poética sugerem um desenvolvimento cuidadoso. A sua atividade literária pode ter incluído colaborações em publicações ou antologias, embora informações específicas sejam escassas.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Everaldo Moreira Verás é caracterizada por uma profunda exploração de temas como a existência, a identidade, a memória e a condição humana. A sua linguagem poética é frequentemente descrita como rica, evocativa e sensível, utilizando metáforas e um ritmo cuidado para criar impacto emocional. O tom da sua poesia tende para o lírico e o reflexivo, convidando à introspeção e à contemplação. A sua voz poética é pessoal e ressonante, transmitindo autenticidade e universalidade. O estilo de Everaldo Moreira Verás, embora se insira na poesia contemporânea, apresenta características únicas que o distinguem, possivelmente explorando inovações formais ou temáticas que enriquecem a literatura. A sua obra dialoga com a tradição poética, mas também procura caminhos próprios, alinhando-se com movimentos literários que valorizam a expressão individual e a profundidade existencial.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Sem dados concretos sobre a vida de Everaldo Moreira Verás, é difícil situá-lo com precisão num contexto cultural e histórico específico. No entanto, a sua obra poética, ao abordar temas universais, dialoga com as preocupações e os anseios humanos que transcendem épocas e geografias. É provável que tenha sido influenciado pela sociedade e cultura do seu tempo, refletindo as complexidades e as belezas da experiência humana no contexto brasileiro.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Everaldo Moreira Verás, tal como os detalhes do seu percurso literário, é pouco documentada. As suas experiências, relações e crenças são aspetos que moldaram a sua visão de mundo e, consequentemente, a sua poesia. É através da sua obra que podemos vislumbrar traços da sua personalidade, das suas paixões e das suas reflexões sobre a existência.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento e a receção da obra de Everaldo Moreira Verás podem ter variado ao longo do tempo. Embora informações sobre prémios ou distinções institucionais sejam escassas, a sua poesia encontra um lugar de destaque pela sua qualidade intrínseca e pela sua capacidade de tocar o leitor. A popularidade e o reconhecimento académico da sua obra são aspetos que merecem um aprofundamento.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O legado de Everaldo Moreira Verás reside na sua contribuição para a poesia em língua portuguesa. É possível que a sua obra tenha influenciado outros poetas ou movimentos literários, marcando a sua presença no cânone literário através da força das suas palavras e da profundidade das suas reflexões. A difusão da sua obra e os estudos académicos dedicados a ela são indicadores do seu impacto duradouro.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Everaldo Moreira Verás oferece um vasto campo para interpretação e análise crítica. As suas explorações sobre a existência, a identidade e a condição humana ressoam com debates filosóficos e existenciais contemporâneos. A sua poesia pode ser analisada sob a perspetiva da exploração da subjetividade e da busca por sentido na vida moderna, revelando a riqueza do seu universo poético.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da personalidade de Everaldo Moreira Verás ou episódios curiosos da sua vida podem enriquecer a compreensão da sua obra. Detalhes sobre os seus hábitos de escrita, objetos ou lugares associados à sua criação poética, ou a existência de manuscritos e correspondência, poderiam oferecer uma perspetiva mais íntima sobre a sua jornada criativa.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre as circunstâncias da morte de Everaldo Moreira Verás e sobre quaisquer publicações póstumas são essenciais para completar o seu perfil biográfico e para compreender a preservação da sua memória literária.

Poemas

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Moinho

Todos os dias me suicido,
invento dores e palavras absurdas,
é a fórmula que escolhi para me multiplicar.
Começo quando começa o dia,
estou eu sempre me recomeçando.
Faço assim porque tenho pressa,
pode ser que eu morra
antes do fim do mundo.
Além do mais,
a noite não espera
e guardo muito cuidado com ela porque,
no seu silêncio extremo,
está a perdição que me alimenta.
Percorro os caminhos como um navio,
desses que carregam fantasmas.
Vou repartindo o tempo,
ora estou na luz,
ora no escuro maior.
É assim a contradição que estabeleço
para que ninguém me encontre
nem tampouco imite o meu sofrer.
Escondo,
dentro de mim,
no peito,
um moinho.
No centro dele sou duro como ferro.

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Estranhas Formas

O zumbido me atormenta
já cresceu tanto que me engravidou.
De onde vem?
Por que me persegue?
Sei que não sei
mas sei
que é regular
singular
como a máquina fabricando o demônio de três pernas.
Esta ressonância equilibrada
me confunde:
a espada de fogo me aponta
direções opostas e complicadas.
Se corro — a repetição me busca.
Se paro — a desigualdade me ofusca.
Tenho dois ouvidos incompletos.
Por um entra a disciplina
da razão calma e delicada.
Por outro o desconexo, triste grito,
em ritmo de
eu-tu-ele-nós-vós-eles.

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Possessão

Me lembro quando tua mão pousou sobre minha mão.
O quarto, no escuro, tinha sido a cela escolhida.
A madrugada branca nos disse
que nunca mais o dia raiava.
Aí,
te apertei contra mim,
o lençol quente nos uniu.
Na rua, a luz do poste marcava, no chão,
a hora estranha de esquecer a fuga.
Baixinho murmurei o teu segredo
e a voz era doce mentira de amor.
Então,
entrei no teu corpo virgem
a tua alma me possui depois,
quase chuvamente mulher.

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Descer

A noite foi toda de desordem.
Tu sangravas o suor sedento
que vinha das entranhas de mim.
E a boca engolia o beijo
como se isso fosse o último adeus.
Os seios ardiam (pudins de morango)
e eu os devorei ansiosamente homem
temendo chegar a madrugada.
Percorri teu corpo quase em chamas
minha cabeça parecia um rolo compressor.
E fui descendo
descendo
descendo
até enlouquecer na entrada daquele túnel vivo.

Nunca, nunca um homem desceu tanto!

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