Daniel Gonçalves

Daniel Gonçalves

n. 1975 PT PT

Daniel Gonçalves é um poeta português contemporâneo, cuja obra se destaca pela exploração de temas como a memória, a identidade, a cidade e a efemeridade da existência. A sua poesia, marcada por uma linguagem cuidada e por uma forte componente visual e urbana, convida à reflexão sobre as complexidades da vida moderna e as relações humanas. Gonçalves tem vindo a afirmar-se no panorama literário português pela originalidade da sua escrita e pela capacidade de criar pontes entre o quotidiano e o transcendente.

n. 1975-04-20, Wetzikon

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a poesia veio ter comigo

a poesia veio ter comigo num dia de chuva
tinha o corpo molhado até à palavra mais ínfima
diria que era um dia triste
um dia para se morrer contra a janela do esquecimento

olhei para a poesia como quem fita o âmago de uma candeia acesa
mas no lugar da luz estava uma canção
no lugar da chama estava um bicho da seda
e dali saía o manto branco com que me vesti

aos poucos fui perdendo o frio
o sangue coagulado com a tristeza de haver apenas silêncio

comecei a acreditar no mistério do meu nome
na estrela que faz a noite parecer mais azul do que o mar
e com ele fui-me chamando para junto das flores e das pedras
como uma palavra acabada de caiar

enrolei-me na minha sombra
e esse casulo criou um verso para eu falar aos anjos

a partir desse dia nunca mais fiquei sozinho
e os anjos esses
apareceram com mais frequência à janela da minha casa
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Biografia

Identificação e contexto básico

Daniel Gonçalves é um poeta português. Pseudónimos ou heterónimos não são amplamente conhecidos.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a sua infância e formação não estão amplamente disponíveis em fontes públicas.

Percurso literário

O percurso literário de Daniel Gonçalves tem vindo a desenvolver-se no contexto da poesia contemporânea portuguesa. A sua obra tem sido publicada em antologias e revistas literárias, e tem participado em eventos de poesia.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Daniel Gonçalves explora temas como a memória, a identidade, a cidade e a passagem do tempo. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem cuidada, por uma forte componente visual e urbana, e pela capacidade de evocar sensações e reflexões sobre a vida quotidiana. A sua poesia pode ser associada a uma linha de continuidade com a poesia urbana e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Inserido na produção literária contemporânea portuguesa, Daniel Gonçalves reflete as preocupações e sensibilidades do seu tempo, nomeadamente no que diz respeito à vida urbana, às relações sociais e à busca por sentido num mundo em constante mutação.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações específicas sobre a vida pessoal de Daniel Gonçalves não são amplamente divulgadas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A sua obra tem sido reconhecida pela crítica e pelo público em eventos de poesia e através de publicações. A sua participação em antologias indica um crescente reconhecimento no meio literário.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Daniel Gonçalves podem ser encontradas na poesia contemporânea que aborda a cidade e a experiência humana de forma reflexiva e imagética. O seu legado continua em construção, com a consolidação da sua voz poética.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Gonçalves convida a uma análise sobre a relação do indivíduo com o espaço urbano, com a memória pessoal e coletiva, e com a condição existencial contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos da sua vida e obra podem ser explorados através de entrevistas ou publicações mais específicas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Daniel Gonçalves está vivo e continua a sua atividade literária.

Poemas

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a poesia veio ter comigo

a poesia veio ter comigo num dia de chuva
tinha o corpo molhado até à palavra mais ínfima
diria que era um dia triste
um dia para se morrer contra a janela do esquecimento

olhei para a poesia como quem fita o âmago de uma candeia acesa
mas no lugar da luz estava uma canção
no lugar da chama estava um bicho da seda
e dali saía o manto branco com que me vesti

aos poucos fui perdendo o frio
o sangue coagulado com a tristeza de haver apenas silêncio

comecei a acreditar no mistério do meu nome
na estrela que faz a noite parecer mais azul do que o mar
e com ele fui-me chamando para junto das flores e das pedras
como uma palavra acabada de caiar

enrolei-me na minha sombra
e esse casulo criou um verso para eu falar aos anjos

a partir desse dia nunca mais fiquei sozinho
e os anjos esses
apareceram com mais frequência à janela da minha casa
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