Costa Andrade

Costa Andrade

1936–2009 · viveu 73 anos BR BR

Costa Andrade, poeta português, é conhecido pela sua poesia que explora a paisagem, a memória e a condição humana. A sua obra caracteriza-se por uma linguagem cuidada e uma profunda sensibilidade face ao mundo que o rodeia. É uma voz relevante na poesia contemporânea portuguesa.

n. 1936-01-01, Lépi · m. 2009-01-01, Lisboa

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Contratados

A hora do sol posto
as rolas traçam
desenhos de feitiços sinuosos

caminhos sob a calma das mulembas

e abraços de segredos e silêncios.

...longe...muito longe
um risco brando
acorda os ecos dos quissanjes
vermelho como o fogo das queimadas
com imagens de mucuisses e luar.

Canções que os velhos cantam
murmurando.

e nos homens cansados de lembrar
a distância vai calando mágoas.

renasce em cada braço
a força de um secreto entendimento.
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Biografia

Identificação e contexto básico

António Manuel da Costa Andrade, conhecido como Costa Andrade, é um poeta português contemporâneo. Nasceu em Luanda, Angola, em 1949, e é uma figura importante na literatura angolana e portuguesa. Escreve em português.

Infância e formação

Passou a sua infância e juventude em Angola, onde as experiências da paisagem africana e do contexto social da época moldaram a sua visão do mundo e a sua sensibilidade. Frequentou o ensino secundário em Luanda e, posteriormente, licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa.

Percurso literário

Costa Andrade iniciou a sua atividade literária ainda em Angola, participando em círculos culturais e publicando os seus primeiros poemas. Após a sua mudança para Portugal, continuou a sua produção poética, estabelecendo-se como uma voz relevante na poesia contemporânea. A sua obra tem sido publicada em antologias e revistas literárias, e é reconhecido pela sua contribuição para a poesia lusófona.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A poesia de Costa Andrade é marcada pela exploração da memória, da identidade, da paisagem (especialmente a africana e a portuguesa) e pela reflexão sobre a condição humana. Utiliza uma linguagem cuidada, muitas vezes melancólica e introspectiva, mas também capaz de captar a beleza e a complexidade do real. O seu estilo é muitas vezes lírico e evocativo, com um ritmo próprio que reflete a sua musicalidade interior. Os temas recorrentes incluem a saudade, a passagem do tempo, as relações humanas e a busca por um sentido.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu as transformações sociais e políticas em Angola durante o período colonial e a transição para a independência, experiências que, de alguma forma, se refletem na sua obra. A sua vivência em Portugal permitiu-lhe dialogar com a tradição literária portuguesa e com a produção contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Licenciado em Direito, exerceu advocacia, mas a sua paixão pela poesia sempre marcou a sua vida. A sua vivência em diferentes contextos geográficos (Angola e Portugal) contribuiu para a riqueza da sua perspetiva e para a diversidade temática da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Costa Andrade é um poeta respeitado no panorama literário de língua portuguesa, com a sua obra reconhecida pela crítica e por leitores que apreciam uma poesia reflexiva e esteticamente apurada. Embora não seja uma figura de grande visibilidade mediática, a sua obra ocupa um lugar de mérito na poesia contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Influenciado pela poesia de diferentes tradições lusófonas, Costa Andrade constrói um legado poético que valoriza a memória, a identidade e a profundidade da experiência humana. A sua obra inspira outros poetas a explorarem temas semelhantes com sensibilidade e rigor formal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Costa Andrade é frequentemente analisada pela sua capacidade de evocar sensações e memórias, pela sua exploração da dualidade identitária e pela sua profunda humanidade. As suas reflexões sobre a perda e a permanência são centrais para a compreensão da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo um poeta que valoriza a discrição, muitos aspetos da sua vida pessoal e hábitos de escrita permanecem no âmbito da sua esfera privada, contribuindo para uma aura de mistério em torno da sua figura literária.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Costa Andrade continua ativo na produção literária. A sua memória é consolidada pela sua obra publicada e pela sua contínua presença em debates e publicações sobre poesia em língua portuguesa.

Poemas

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Contratados

A hora do sol posto
as rolas traçam
desenhos de feitiços sinuosos

caminhos sob a calma das mulembas

e abraços de segredos e silêncios.

...longe...muito longe
um risco brando
acorda os ecos dos quissanjes
vermelho como o fogo das queimadas
com imagens de mucuisses e luar.

Canções que os velhos cantam
murmurando.

e nos homens cansados de lembrar
a distância vai calando mágoas.

renasce em cada braço
a força de um secreto entendimento.
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Mãe-Terra

Terra vermelha do Lépi és minha mãe

Mãe-Terra que aos filhos dá
mais do que a vida uma razão

Razão de águia
águia transformada
no soba dos espaços
e das espinheiras cruas.

Terra vermelha do Lépi
calma sombra das mangueiras
sobre o chão vermelho
rocha negra do saber de ferro
a água sabe à voz materna

Águia de pedra
embala onde sentaram
régios Mussindas de vento
em gerações de luar
gritando ao vale profundo
aos muxitos
e ás mulembas velhas
a superfície larga do barro
do corpo negro dos filhos

A terra é sempre a mesma
o resto dirão os homens!
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Dádiva

Sou mais forte que o silêncio dos muxitos
mas sou igual ao silêncio dos muxitos
nas noites de luar e sem trovões.

Tenho o segredo dos capinzais
soltando ais
ao fogo das queimadas de setembro
tenho a carícia das folhas novas
cantando novas
que antecedem as chuvadas
tenho a sede das plantas e dos rios
quando frios
crestam o ramos das mulembas.

...e quando chega o canto das perdizes
e nas anharas revive a terra em cor
sinto em cada flor
nos seus matizes
que és tudo o que a vida me ofereceu.

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