Cirstina Areias

Cirstina Areias

Cirstina Areias é uma poeta cuja obra se destaca pela profundidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a perda e a efemeridade do tempo. A sua escrita é marcada por uma linguagem cuidada e uma sensibilidade ímpar na abordagem das emoções humanas. Através de imagens evocativas e uma musicalidade intrínseca, as suas composições poéticas convidam à reflexão sobre a condição humana e a beleza encontrada nos momentos fugazes da vida.

m. , París

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A Mulher e a Lua

A lua está cheia esta noite
Absoluta ela
Me enche, clareia, consome

Meus poros suam o luar cheio
Molho lençóis
Ouço músicas mágicas
E tenho em minha cama mais que a mim

Gozo amores arqueados
Memórias em transe
Incêndio
Olhos vadios

E a lua algema a mim e a ele
E ilumina, nele, meu desvario
Ele não sabe
Ele não sabe que dentro desta mesma noite
De luz cheia, o meu desejo
Galopa.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Cirstina Areias é uma poetisa portuguesa cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea. A sua produção literária tem sido reconhecida pela profundidade lírica e pela exploração de temas universais.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Cirstina Areias não são amplamente divulgadas, mas a sua obra sugere uma sensibilidade aguçada e uma forte conexão com o universo das letras desde cedo.

Percurso literário

O percurso literário de Cirstina Areias é marcado pela publicação de diversas obras poéticas que têm vindo a consolidar a sua presença no meio literário. A sua escrita revela uma evolução constante na exploração de temas e na forma como estes são apresentados ao leitor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Cirstina Areias exploram frequentemente temas como o amor, a saudade, a passagem do tempo e a natureza, com uma linguagem poética rica em imagens e metáforas. O seu estilo é caracterizado pela musicalidade dos versos e por um tom confessional e lírico. Destaca-se pela capacidade de evocar emoções profundas e pela sensibilidade na abordagem das complexidades da alma humana. Utiliza frequentemente o verso livre, permitindo uma maior liberdade expressiva, mas sem abdicar da cadência e do ritmo que conferem à sua poesia uma identidade própria.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Cirstina Areias insere-se no contexto da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com as sensibilidades e os desafios do seu tempo. A sua obra reflete, de forma implícita, as preocupações e os anseios da sociedade atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Cirstina Areias não é o foco principal da sua divulgação pública, permitindo que a sua obra fale por si. No entanto, a intimidade e a profundidade emocional patentes nos seus poemas sugerem uma vida interior rica e observadora.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora os detalhes sobre prémios e distinções específicas não sejam amplamente divulgados, a receção crítica à obra de Cirstina Areias tem sido positiva, com elogios à sua originalidade, profundidade e qualidade estética. A sua poesia tem conquistado leitores pela sua capacidade de tocar o âmago das experiências humanas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Cirstina Areias podem ser encontradas na tradição da poesia lírica, com uma sensibilidade que dialoga com autores que exploraram as profundezas do sentimento humano. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia contemporânea, enriquecendo-a com a sua voz autêntica e a sua perspetiva única sobre o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Cirstina Areias presta-se a diversas interpretações, convidando o leitor a revisitar as suas próprias experiências e emoções. As análises críticas tendem a destacar a sua capacidade de criar pontes entre o pessoal e o universal, explorando temas existenciais com delicadeza e força.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Poucos aspetos anedóticos sobre Cirstina Areias são conhecidos publicamente, o que reforça a aura de discrição que rodeia a sua figura, permitindo que a sua poesia seja o principal elo de ligação com os seus leitores.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Cirstina Areias encontra-se viva, e a sua memória está a ser construída através da sua obra contínua e do impacto que esta tem no panorama literário.

Poemas

6

A Palavra

Para Carlos Drummond de Andrade

Os meus olhos devoram a palavra que tua boca pronunciou,
O meu pensamento absorve o teu
Emoção flui do teu corpo ao meu,
Do meu tempo ao teu.
Ler teu poema é realizar um ato de amor mágico, cósmico...

Vens dos confins do Tempo
Espírito reencarnado e errante
E escarneces da minha agonia quando exibes, assim, à minha revelia, à exaustão,
A expressão lapidar de minha particular tragédia...

É teu espírito dentro de mim
Usurpando e definindo-me com precisão de ourives,
Travestindo o sentimento comum em fina literatura...

Tu, eu a bruxa e essa dança gêmea, incestuosa e louca.

Vens dos confins do Tempo
Espírito reencarnado e errante
E acusas, com genialidade o sentimento que eu entalo na garganta.

Pasmo, vexada, ouvindo que gargalhas do Além,
Quando vês, dentro do meu cristalino choro,
O desespero de que nos teríamos amado...

866

Uma Imagem na TV do Fim do Século

A criança loura da doença letal adquirida
Tem um cansaço no olhar velho que vagueia,
Transpassa...

A criança terminal
Põe a cabeça no ombro infinito da mãe
E deixa escapar, do abnegado aconchego,
Toda a calamidade e infâmia do mundo...

O que há nesse abraço que não é meu,
Que não me pertence,
Mas que me mortifica?!

A criança loura, do olhar castanho cansado,
Da doença terminal adquirida,
(Adquirida nos bancos públicos,
Nos banheiros públicos,
Nos Homens Públicos...)
A criança loura jaz sua cabeça no ombro inútil da mãe
Há um enorme fastio de brinquedos em seu olhar...

A criança loura jaz sua cabeça no ombro da mãe,

A criança loura
Jaz seu olhar em meu olhar...

762

A Mulher e a Lua

A lua está cheia esta noite
Absoluta ela
Me enche, clareia, consome

Meus poros suam o luar cheio
Molho lençóis
Ouço músicas mágicas
E tenho em minha cama mais que a mim

Gozo amores arqueados
Memórias em transe
Incêndio
Olhos vadios

E a lua algema a mim e a ele
E ilumina, nele, meu desvario
Ele não sabe
Ele não sabe que dentro desta mesma noite
De luz cheia, o meu desejo
Galopa.

1 103

Dispersão

Je me sens eparpillée travers les siècles...

Eu me sinto espalhada pelos séculos...
Há pedaços de mim na Grécia Antiga,
Há pedaços de mim na imensidão,
Meteoros de mim me ultrapassam,
Estou além e estou aquém
Sem rumo eu sou.

Não é meu o meu sonho, minha tristeza,
O meu verso cativo,
Alguém levou
O poeta de ontem e de sempre
Violou minha alma,
Me roubou.

Não pertence a mim o sentimento
A palavra me escapa,
O sangue esvai
Eu não vivo,
Eu existo nas estrelas
Dos que foram, dos que estão,
Dos que virão.

Demócritos, Pessoas, Sades,
Não nascidos,
Carrascos meus, ladrões
Nesta enlouquecida festa
Eu me entrego
Vadia, sem pudor
Pelas bocas ancestrais dos que hão de vir...

Não sou eu e não há Tempo e não há lei
Eu me empresto,
Eu me dou,
Eu me concedo...
Eu me deixo perdida em suas mãos,
Eu me deito amorosa entre seus versos!

E, por mais que eu me busque, que eu me olhe,
É poeira o que eu vejo, é dispersão...

837

O Mapa de coxilha do fogo

Na luta pela minha terra,
Deitei nela suor, e sangue,
E todos os músculos meus retesados...

Reconheço, agora,
Em suas verdes coxilhas,
Meus nervos, antes em afã de fogo de batalha,
Agora, lassos...
No vento doce da acácia-negra,
Meu hálito, antes bafejando gládio

Verti a mim mesmo, nesta terra...
Seu grão percorre minhas veias
Num raizame de abraço estreito
Meu sangue encharca seu leito em arroios tortuosos e soberbos
E, o do inimigo de antes, cala nos olhos do povo um pavor de fogo-fátuo,
De mula-sem-cabeça...
Ouço canções e falas que plagiam seus sons...
E, hoje, nem sei se sou Barro ou Homem,
Tamanha a fraternidade que viceja em nós dois...
Ou então...

Suponho que a terra é fêmea...
E andei defendendo princesas!
Sento à noite, na campanha,
E, num misto de Guerra e Paz,
Eu e ela olhamos para a Lua
Com desejos obscenos de conquista!
E assim, traçamos, cúmplices os dois,
Um curioso mapa
Que vai do grão ao coração,
E do coração ao Universo...

846

Rio de Janeiro

É de enfiar a mão na terra que se se contamina de paixão?...
É de pisar descalço?...

Olho pra minha cidade, com jeito mesmo, de cidadã,
E não vejo, dela, a identidade...
(Ao contrário do que o Gerardo falou)
Não tem barro que palpite, em minha gente...
Tem piche e cheiro de obra...
Suor, queda e Hospital!
Tem nome de vento, sim! É o Sudeste:
Dono de chuva, mar zangado,
Dizendo que quem manda é ele!
Outro vento? Não sei, não!
Só se for o que vejo e não sinto,
Desgrenhando os cabelos dos miseráveis...

Tinha rua com palmeira,
Mas agora, não tem mais...
Tem olhar de criança pedinte, que não vejo...
Tem muita estrela no céu, que não vejo...
Tem porto! Tem cais!
Navio indo e vindo à toda hora!
- Deve haver bússula pra tanta viagem -
Mas eu não sei, não!
Boi e cavalo?
Nem pensar!
E bode, que nunca vi?!!!
Tem montanha, a minha cidade...
Lua que rouba fôlego
E, de vez em quando, uma flor...
Tem luz e tanta janela!
Tem Cristo iluminado!
(Iluminai, Cristo! a identidade perdida de minha cidade!)
Tem viajante, retirante,
Mendigo, assaltante,
Vadia...
Chorinho, jeitinho,
Samba, cerveja
Minha terra tem preguiça
Onde nem canta o sabiá...

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