Lista de Poemas
O Mapa de coxilha do fogo
Deitei nela suor, e sangue,
E todos os músculos meus retesados...
Reconheço, agora,
Em suas verdes coxilhas,
Meus nervos, antes em afã de fogo de batalha,
Agora, lassos...
No vento doce da acácia-negra,
Meu hálito, antes bafejando gládio
Verti a mim mesmo, nesta terra...
Seu grão percorre minhas veias
Num raizame de abraço estreito
Meu sangue encharca seu leito em arroios tortuosos e soberbos
E, o do inimigo de antes, cala nos olhos do povo um pavor de fogo-fátuo,
De mula-sem-cabeça...
Ouço canções e falas que plagiam seus sons...
E, hoje, nem sei se sou Barro ou Homem,
Tamanha a fraternidade que viceja em nós dois...
Ou então...
Suponho que a terra é fêmea...
E andei defendendo princesas!
Sento à noite, na campanha,
E, num misto de Guerra e Paz,
Eu e ela olhamos para a Lua
Com desejos obscenos de conquista!
E assim, traçamos, cúmplices os dois,
Um curioso mapa
Que vai do grão ao coração,
E do coração ao Universo...
Uma Imagem na TV do Fim do Século
Tem um cansaço no olhar velho que vagueia,
Transpassa...
A criança terminal
Põe a cabeça no ombro infinito da mãe
E deixa escapar, do abnegado aconchego,
Toda a calamidade e infâmia do mundo...
O que há nesse abraço que não é meu,
Que não me pertence,
Mas que me mortifica?!
A criança loura, do olhar castanho cansado,
Da doença terminal adquirida,
(Adquirida nos bancos públicos,
Nos banheiros públicos,
Nos Homens Públicos...)
A criança loura jaz sua cabeça no ombro inútil da mãe
Há um enorme fastio de brinquedos em seu olhar...
A criança loura jaz sua cabeça no ombro da mãe,
A criança loura
Jaz seu olhar em meu olhar...
Rio de Janeiro
É de pisar descalço?...
Olho pra minha cidade, com jeito mesmo, de cidadã,
E não vejo, dela, a identidade...
(Ao contrário do que o Gerardo falou)
Não tem barro que palpite, em minha gente...
Tem piche e cheiro de obra...
Suor, queda e Hospital!
Tem nome de vento, sim! É o Sudeste:
Dono de chuva, mar zangado,
Dizendo que quem manda é ele!
Outro vento? Não sei, não!
Só se for o que vejo e não sinto,
Desgrenhando os cabelos dos miseráveis...
Tinha rua com palmeira,
Mas agora, não tem mais...
Tem olhar de criança pedinte, que não vejo...
Tem muita estrela no céu, que não vejo...
Tem porto! Tem cais!
Navio indo e vindo à toda hora!
- Deve haver bússula pra tanta viagem -
Mas eu não sei, não!
Boi e cavalo?
Nem pensar!
E bode, que nunca vi?!!!
Tem montanha, a minha cidade...
Lua que rouba fôlego
E, de vez em quando, uma flor...
Tem luz e tanta janela!
Tem Cristo iluminado!
(Iluminai, Cristo! a identidade perdida de minha cidade!)
Tem viajante, retirante,
Mendigo, assaltante,
Vadia...
Chorinho, jeitinho,
Samba, cerveja
Minha terra tem preguiça
Onde nem canta o sabiá...
A Palavra
Os meus olhos devoram a palavra que tua boca pronunciou,
O meu pensamento absorve o teu
Emoção flui do teu corpo ao meu,
Do meu tempo ao teu.
Ler teu poema é realizar um ato de amor mágico, cósmico...
Vens dos confins do Tempo
Espírito reencarnado e errante
E escarneces da minha agonia quando exibes, assim, à minha revelia, à exaustão,
A expressão lapidar de minha particular tragédia...
É teu espírito dentro de mim
Usurpando e definindo-me com precisão de ourives,
Travestindo o sentimento comum em fina literatura...
Tu, eu a bruxa e essa dança gêmea, incestuosa e louca.
Vens dos confins do Tempo
Espírito reencarnado e errante
E acusas, com genialidade o sentimento que eu entalo na garganta.
Pasmo, vexada, ouvindo que gargalhas do Além,
Quando vês, dentro do meu cristalino choro,
O desespero de que nos teríamos amado...
Dispersão
Eu me sinto espalhada pelos séculos...
Há pedaços de mim na Grécia Antiga,
Há pedaços de mim na imensidão,
Meteoros de mim me ultrapassam,
Estou além e estou aquém
Sem rumo eu sou.
Não é meu o meu sonho, minha tristeza,
O meu verso cativo,
Alguém levou
O poeta de ontem e de sempre
Violou minha alma,
Me roubou.
Não pertence a mim o sentimento
A palavra me escapa,
O sangue esvai
Eu não vivo,
Eu existo nas estrelas
Dos que foram, dos que estão,
Dos que virão.
Demócritos, Pessoas, Sades,
Não nascidos,
Carrascos meus, ladrões
Nesta enlouquecida festa
Eu me entrego
Vadia, sem pudor
Pelas bocas ancestrais dos que hão de vir...
Não sou eu e não há Tempo e não há lei
Eu me empresto,
Eu me dou,
Eu me concedo...
Eu me deixo perdida em suas mãos,
Eu me deito amorosa entre seus versos!
E, por mais que eu me busque, que eu me olhe,
É poeira o que eu vejo, é dispersão...
A Mulher e a Lua
Absoluta ela
Me enche, clareia, consome
Meus poros suam o luar cheio
Molho lençóis
Ouço músicas mágicas
E tenho em minha cama mais que a mim
Gozo amores arqueados
Memórias em transe
Incêndio
Olhos vadios
E a lua algema a mim e a ele
E ilumina, nele, meu desvario
Ele não sabe
Ele não sabe que dentro desta mesma noite
De luz cheia, o meu desejo
Galopa.
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