Birão Santana

Birão Santana

Birão Santana é um nome que evoca uma poesia enraizada na cultura popular e na vivência quotidiana, com uma forte componente de humor, ironia e crítica social. A sua obra, muitas vezes expressa numa linguagem coloquial e acessível, reflete uma observação perspicaz da sociedade e das suas contradições. O tom das suas composições oscila entre a irreverência e uma profunda humanidade, abordando temas do quotidiano, das relações humanas e das aspirações do povo. O seu percurso literário, embora possa não seguir os moldes académicos tradicionais, é marcado pela autenticidade e pela capacidade de conectar com um vasto público. Birão Santana representa uma voz singular na literatura, que valoriza a expressividade direta e a poesia que nasce da vida, sem artifícios desnecessários, deixando um legado de autenticidade e crítica social.

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Superados

O sol,
o céu
a música,
pássaros
e o verde
estavam presentes,
palpáveis
em mim.
Você
distante,
mas presente,
se interpondo
ao sol,
ao céu,
à música,
aos pássaros,
ao verde,
a mim,
reinava.

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Poemas

8

Superados

O sol,
o céu
a música,
pássaros
e o verde
estavam presentes,
palpáveis
em mim.
Você
distante,
mas presente,
se interpondo
ao sol,
ao céu,
à música,
aos pássaros,
ao verde,
a mim,
reinava.

979

Ânfora Perfumada

É preciso
que não haja motivos
para se curvar.

Que os olhos
contemplem todos os olhos.

Que as palavras
confirmem todas as práticas.

Do contrário,
quando nos visitem
as horas do testemunho,
tal qual os
Doutores da Lei em casa de Simão
ante a presença insólita:

Madalena,

com a ânfora perfumada para o Mestre,
não fiquemos cabisbaixos
pela flagrante incapacidade
de mostrar superioridade moral.

862

Desembotar

Aciono sentidos
e capto sons
num borbulhar de emoções.

São grilos, cigarras, pássaros.
Insetos da noite,
farfalhar de vento em coqueiro,
bananeira, canavial.

Absoluta ausência
de sons, ruídos,
dos homens
e suas máquinas.

Todo ouvidos,
insiro em meu sub-consciente
a cristalina sinfonia.

Incorporo-a, indelével,

e saio,
misturando-me aos homens
e suas máquinas,
sem ouvi-los
e a ouvir

num borbulhar de emoções

grilos, cigarras, pássaros,
insetos, farfalhar de coqueiro,
bananeira, canavial.

1 112

Medidas Oficiais

As Medidas Oficiais
para debelar:
fome,
desemprego,
violência,
esbarraram
nas Medidas Oficiais
para gerar:
fome
desemprego
violência.

940

Em minhas Cinzas

A fênix
renasceu
das própias cinzas.
Tu
em mim
renasceste das cinzas.
Eu,
diante do sentimento por ti,
renasci
das cinzas.
Me vislumbrando
crescendo
te vislumbrei
como fênix
renascendo
em minhas cinzas.

1 081

Ri Dentes

Assim como as plantas
a borboleta sorria.
Eu sorria
e o vento sorria.

Simples,
o quadro.

Profundo,
o momento.

Intraduzível
o que se passou.

Com as plantas,

a borboleta,

eu

e o vento,

ridentes.

1 130

INSISTO: tenho alma

Urge
consolar
minha alma
ferida nos temporais da vida,
insuflada de lágrimas e dores
perambulando em busca
de dias primaveris.

Urge acalentar
minha alma,
ela é flor tenra
medrando no mundo das ilusões
ansiosa por terra fértil.

Urge
alentar
minha alma,
ela é criança risonha,
inocente criança
oferecendo-se em riso,
graça e ternura
a desconcertados tiranos.

Urge
reinventar o homem
antes que morram
todos os homens
que insistem em ter alma.

818

Respingos em Queda

Respingos
de nova hora
ousam cair
no agora.
Repúdio.
Alarido.
Repulsão.
Asco...
Os
respingos
se recolhem
re-enxugam a terra
onde ousaram cair.
Esperam
o fulgir da aurora,
a queda da madrugada,
para recair.

1 040

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