Bertran de Born
Bertran de Born foi um trovador occitano do século XII, conhecido pela sua poesia e pela sua atividade política. A sua obra reflete a complexidade das relações feudais e a vivacidade da cultura cortês na Provença.
n. 1140, Périgord · m. 1215, Sainte-Trie
Biografia
Identificação e contexto básico
Bertran de Born foi um proeminente trovador occitano do século XII. Não se conhece o uso de pseudónimos ou heterónimos. A sua vida e obra estão intrinsecamente ligadas ao contexto da Alta Idade Média no Sul da França.Infância e formação
Pouco se sabe sobre a sua infância e formação, mas presume-se que tenha tido acesso a uma educação rudimentar, comum na nobreza da época, e que tenha absorvido a rica tradição lírica e cortês da Provença.Percurso literário
Bertran de Born iniciou a sua carreira literária como trovador, compondo sirventeses e canções de amor. A sua obra é marcada por uma grande vivacidade e intervenção nos assuntos políticos da época, o que o distingue de outros poetas líricos. Colaborou com outros trovadores e a sua influência é sentida na poesia trovadoresca posterior.Obra, estilo e características literárias
Obra, estilo e características literárias A obra de Bertran de Born inclui principalmente sirventeses, um género que permitia abordar temas políticos e sociais com um tom mais interventivo, e canções de amor. É particularmente conhecido pelas suas canções de guerra e pelos seus ataques pessoais a outros nobres. O seu estilo é caracterizado pela agudeza de espírito, pela ironia e por uma linguagem vigorosa. A sua habilidade em tecer versos complexos e a sua perspicácia política são traços distintivos. É associado à poesia trovadoresca e à cultura cortês.Obra, estilo e características literárias
Contexto cultural e histórico Bertran de Born viveu num período de intensa atividade política e social no Sul da França, marcado por conflitos entre senhores feudais e a influência da Igreja. A cultura cortês, com os seus ideais de amor, honra e cavalaria, era predominante. Ele próprio esteve envolvido em disputas familiares e em alianças políticas, o que se reflete nas suas composições.Obra, estilo e características literárias
Vida pessoal Bertran de Born teve uma vida marcada por intrigas e conflitos, tanto familiares como políticos. As suas relações com outros nobres, incluindo relações de vassalagem e de rivalidade, foram centrais na sua existência e influenciaram diretamente a sua obra.Obra, estilo e características literárias
Reconhecimento e receção Bertran de Born foi amplamente reconhecido na sua época como um dos mais importantes trovadores. A sua obra foi apreciada pela sua originalidade, pelo seu engenho e pela sua capacidade de intervenção nos assuntos da corte. A sua figura inspirou a imaginação posterior, sendo imortalizado na literatura, nomeadamente na obra de Dante Alighieri.Obra, estilo e características literárias
Influências e legado Bertran de Born foi influenciado pela tradição lírica occitana e, por sua vez, influenciou gerações de poetas trovadorescos. O seu legado reside na sua mestria do sirventês e na sua capacidade de fundir a poesia com a vida política e social. A sua menção na "Divina Comédia" de Dante solidificou a sua importância no cânone literário.Obra, estilo e características literárias
Interpretação e análise crítica A obra de Bertran de Born tem sido analisada sob a perspetiva da poesia política e da expressão da mentalidade cortês. A sua ironia e o seu realismo nas descrições dos conflitos são pontos de interesse para a crítica.Obra, estilo e características literárias
Curiosidades e aspetos menos conhecidos Bertran de Born é frequentemente lembrado pela sua participação ativa em guerras e pela sua lealdade a certos senhores feudais, características que moldaram a sua persona poética.Obra, estilo e características literárias
Morte e memória As circunstâncias exatas da sua morte são incertas. No entanto, a sua memória perdura através da sua obra, que continua a ser estudada e apreciada como um testemunho valioso da cultura e da literatura occitana medieval.Poemas
26
1
Perdão, senhora, por não merecer
mentiras de um bajulador qualquer.
Mercê te peço, p"ra ninguém causar
rixa entre o teu sincero, vero ser,
cortês, humilde e franco (um só prazer),
e o meu, senhora, só de caluniar.
2
Pois que o meu gavião quero perder,
ou que um falcão-borni o vá morder
para depois de morto o depenar,
se um dia eu já deixei de te querer
mais do que quis qualquer outra mulher
que me dê seu amor ao se deitar.
3
Outro perdão te peço, que é mister,
e não posso implorar por mais sofrer:
se contigo falhei, mesmo ao pensar,
quando um quarto ou jardim a nós couber,
que o meu poder me falte, sem sequer
que a companheira possa me ajudar.
4
Se à mesa eu for jogar ou me entreter,
não me emprestem vintém, nem um talher,
nem possa em mesa presa eu penetrar9;
mas que no dado eu venha a me abater,
se alguma outra dama me aprouver
como tu, que me fazes desejar.
5
Que o meu castelo se divida até
ter quatro donos com seu belveder,
sem que um sequer consiga ao outro amar,
num cerco de besteiros quanto houver,
doutores, mercenários, o que vier;
se eu tive coração para outra amar.
6
Co"escudo no pescoço hei de viver
na tempestade, co"elmo onde estiver,
e cinto firme, sem poder soltar,
no trote do corcel mais pangaré;
nem queira o albergueiro me acolher,
se ousei ter coração de outra flertar.
7
Que a minha amada de outro queira ser,
e que a mim reste um longo carecer;
que ventos eu não veja sobre o mar,
e na corte me cerquem pra bater;
seja eu na rixa o primeiro a correr,
se não mentiu quem veio te falar.
8
Senhora, e se um açor eu bem tiver,
belo e mudado, treinado em prender,
que a toda ave pode conquistar
(o cisne, o grou e a garça) em seu mester,
quero que cace frangos, para quê?
Se, gordo e velho, não puder voar?
9
Falso bajulador de um malmequer,
se quer entre os amantes se envolver:
mais nos bajula, se nos deixa estar.
30
Videos
50
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.