Lista de Poemas
O Doce de Vitalina
com mais alma do que coco
Uma semana de criação
onde leite açúcar e coco
não têm importância
como não têm importância
tição fogo e brasa
O mais importante
é que Vitalina
se ponha no caco
e vá na cocada
e que o sétimo dia
seja para descanso
como fez Deus na criação
Só
é tirar de mim o que me falta
O que faz doer a solidão
é sua sede
é ter que arrancar
destas entranhas
um oceano de pedridade
de quem freqüentou a escola das facas
onde o que corta não é o gume
mas a falta da lâmina
O que fere não é a dor
é sua ausência assassina
pendurada nos cabides da alma
O que dói na solidão
é ter que amar
e amar é perder uma banda
é extrair um bonde de um homem
é extrair um bosque de uma mulher
O que mais fere na solidão
é sua inscrição cravada em brasa
no braço inútil do verso
uma família em torno da mesa
comendo pratos de silêncio
O que mais dói na solidão
é perder de mim
os outros que carrego
o segundo contra o primeiro
o terceiro que instiga
o quarto que dorme
o quinto que inicia
uma infinidade de outros
O que dói na solidão
é essa batalha que não acaba mais
entre guerreiros invisíveis
enquanto um boi passeia nas nuvens
e uma bicicleta muge
já que os verdes anos foram nulos
para quem nasceu maduro
para quem perdeu o ciso
na primeira dentição
e o cordão umbilical
nos bicos de um galo cego
Ia prás bandas da Cipaúba
Quanto dói
ver a velha mangueira se desfazendo
velha velha mangueira
por quanto tempo roerei
teus nós
por quanto tempo aguardarei
a manga que os passarinhos
bicam
no último dos galhos
O que dói na solidão
é o vira-lata sozinho
revirando o deserto
da cidade esquecida nas ruas
é ter um pai com muitas capas
todas com seus mistérios
se desfazendo em barro
por um caminho que mespera
O que mais dói na solidão
é ter na mão uma chave
que nada abre
que nada abre
O que mais dói na solidão
é não se poderem conter
os fantasmas que teimam
em saltar das sombras
de cada canto
São essas cobras
passeando em nossa cabeça
serpentário infindável
Difícil conviver
com a inesgotável solidão
mais difícil mesmo
é compor o verso
sem a vaca no divã
triste luna
rodonoite
áspera/mente
Só mesmo a roda grande
sescondendo em menor roda
Só mesmo a bicicleta
pendurada no trem noturno
Só mesmo a melancia
no rio em cheia
boiando
E os carneiros na mesa grande boiando
os teus olhos boiando na bandeja
os teus seios boiando no cuscus
os teus sais boiando nas iguarias
os teus ais boiando na
rememóría
O que mais dói
não é tua ausência
mas tua presença
estando longe
Lembra-te pois do açude
onde as águas ainda nos guardam
e os peixes nos carpem
em lágrimas de cumplicidade
Lembra-te da porta marcada
pelos mistérios de estar fechada
da casa retendo a mesa onde
saboreávamos os silêncios familiares
e escrevíamos a história da solidão
no livro branco do cotidiádo
A solidão mora lá e é manca
e usa bengala preta
e óculos no nariz
e se veste de uma veste que nunca muda
e tem na mão fechada a chave da
nossa libertação
Solidão solidão
meu coração é uma cidade
entre muralhas
esperando tuas chaves
Solidão solidão
certa vez em Mombaça
pedia esmolas pra São Sebastião
e desenhei teu corpo num surrão de mangas
e em bandas de coité de brejo
Desenhei teu corpo
num portão de vidro
éramos dois
que não eram dois
Éramos dois e só um sol
a claridade e seu dorso
a clara idade e sua dor
Solidão solidão
estamos em pleno mar e não
há mar nenhum
Estamos em pleno sono
e não há qualquer sonho
só minha mão como um rosto
cortando em muitos
o luar de agosto
O que dói na solidão é ter
Ter é estar preso
pesar pesadamente fixo
Não ter
é poder voar
Leve
levo-me às alturas
lavo-me candura
com o vôo esculpido
no azul azul
o azul está no prato
servido e sorvido
seres vivos
estamos nele
e ele em nós
pasto de pasto
repasto
solitariamente circular
rodando em torno da roda
A solidão eixa e deseixa
em roda
quanto mais vemos
menos vivemos
coração coração
Tenho ossos e mais ossos
a rodear
Que tenho feito senão rodear
nunca quebrei o fêmur do que está posto
nem a tíbia das situações sem jeito
Rodear é fugir
Solidade
quando chegamos ao trem
não havia trilho
No açude não havia água
só a dor do pesca/dor
dois meninos
engolindo uma duna
e uma duna engolindo um astro
uma foto de uma foto partida
onde o instante enterrou-se
A solidão é uma foto em que
se retorce
um inconformado instante
Solidão é desencontrar-se nos própios passos
nos próprios ossos
perder o azul do firmamento
deixar de extrair gerânios
das pedras e de suas raízes
deixar de pentear os raios do sol
desarredondar a lua em luares
atravessados
Uma casa é uma caixa
de apenas portas
e abertas todas
uma casa é um avesso
um delírio espesso
vasto berro de barro
vagido e gozo
vôo espargido
de sonho e suspiro
Minha solidão é nódoa grudada
no ombro esquerdo do corpo
onde jaz a mala
das minhas desventuras
Minha mãe é a terra
e cumpro seu estatuto
em retomar ao seu ventre
meus filhos todos me seguirão
vastíssimos sonhos
de/verão
Tarde tarde
a solidão me salga as horas
a mulher que retém o homem
suas asas e águas
rio seco
areia de leito
íngua cortada
ferida tratada a urina
caborge
no meu pescoço levo teu pescoço
teus passos laçados
teu poder de vôo
teu grito guardado
Solidão é Laura de costas
Laura láurea loura
minha querida Laura
chorarei lágrimas douradas
quando tua nudez
se esculpir no relâmpago
Querida Laura
recupera aquele instante
em que nossos dedos se
tocaram
e nos perdemos
Recupera o instante anterior ao toque
quando a correnteza era mais forte em mim
o despencar mais vertical
retendo aqui esse abismo
que me engole
Recupera teu pai
e a cuia
que enchamos de esperanças
antes do leite
Recupera tua mãe
e a chuva fina
no telhado
Recupera as águas
que nos levaram
e lavaram
nossos sais
o céu azul
o curto mundo
onde só o coração era vasto
Recupera as curvas
dos caminhos
Recupera o fogo de
monturo em nós
Se não me queimo
não posso iluminar
se não te firo
não extraio de ti o coração
"rosa vermelha
do meu bem querer"
Na noite tarde
o que resta é meu corpo lá
e eu daqui
olhando sua/minha posição fetal
e essa augústia de perdê-lo de vista
Não sei quando perderei
essa dor
de perder a casca
a casa do ser não importa tanto
se tantas se erguem
Só o ser é uno
solitariamente nu
e eu molusco
a vida inteira tenho construído essa casca
que me expele e me retém
escravo da construção
construir é viver
terminar a casa é terminar-me
é expulsar-me da casca construída
A casa de meu avô
tem histórias que o vento
esqueceu nas cumeeiras
Traços traçam
amarelo de tempo
nas pessoas dos retratos
No chapéu de meu avô
o peso do esperar
pendurou-se nas abas
O último cachorro
deixou seu jeito no canto da porta
seu grito no longe da serra
e no susto dos bichos
Nos varais as marcas dos panos
se envergonham de nudez
Nos baús o cheiro dos lençóis
espera a vida
que se esvaiu pelas frechas
A casa de meu avô
é uma dor sem jeito
Pródigo
não para a casa
para onde sempre retorno
Retorno para uma outra casa
que carrego aos ombros
para outra casa
que me carrega aos ombros
Sempre carrego essa casa do retorno
que cabe em qualquer casa
e não cabe em casa alguma
Não adianta a casa onde nasci
nem a casa onde todo dia nasço
A casa que carrego
não tem portas nem paredes
nem ocupa terreno algum
A casa que carrego
é apenas uma casa
uma profunda e vasta casa
Comentários (0)
NoComments
Batista Lima - DVD Completo
TOMA CONTA DE MIM - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
XXIV CONFABAN: 2023 Entrada Banda Musical João Batista de Lima | Brasilbandas
UM SONHO DE AMOR - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
VOLTA SE AINDA ME AMA - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
Batista Lima - Toma Conta de Mim - DVD
Batista Lima - Meu Nome - DVD
DVD Batista Lima - Porque não vê
OI, TUDO BEM? - Batista Lima | BL 180 Minutos (Ao Vivo)
Banda Novo Amor - Antes de Voltar Pra Casa - Feat. Batista Lima
Batista Lima - Fui Eu (Ao Vivo em João Pessoa - PB)
Batista Lima - Acústico Imaginar
DVD BATISTA LIMA (Uma Nova História De Amor)
Batista Lima feat. Walkyria Santos – Toma Conta de Mim (Acústico)
Fabiano Batista de Lima, deputy mayor of the Brazilian city of Atibaia, was shot in the leg
Batista Lima e @XandyLamonde / Além da Cama (Clipe Oficial)
Roberval batista de lima video
Batista Lima feat. Adma Andrade e Diego Rafael – Uma Canção de Amor (Acústico)
LUZ CAMERA AÇÃO - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
Batista Lima - Vivendo de Solidão - DVD
BANDA MUSICAL JOÃO BATISTA DE LIMA 2023 NO CONFABAN 2023 CONCURSO DE FANFARRAS E BANDAS DO GINÁSIO
MÁQUINA DO TEMPO - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
Dobrado - Batista de Melo - Heygton Lima clarinete
Batista Lima - Amor de Novela - DVD
Batista Lima - Longe de você
BANDA MUSICAL JOÃO BATISTA DE LIMA 2023 NO 41º ENCONTRO DE BANDAS E FANFARRAS 2023 - PONTA DE PEDRAS
UM AMOR DE NOVELA - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
Daniel Batista de lima vs Magnata da California
Banda Musical João Batista de Lima 2023 - XIV Copa Nordeste Norte de Bandas e Fanfarras 2023
Batista Lima - Homem da Lua - DVD
Cavaleiros do Forró, Batista Lima, Edson Lima - Toma Conta de Mim (DVD Cavaleiros Inesquecível)
Batista Lima feat. @TatyGirl / Desamar
Batista Lima feat. Mara Pavanelly / Carlinhos Gabriel - Planeta de Cores (Acústico)
VIVENDO DE SOLIDÃO - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
CLIPE - ENTREGA O JOGO - BATISTA LIMA
Amado Batista - SE NÃO FOR POR AMOR - DVD "Em Casa"
Batista Lima - Luz, Câmera, Ação - DVD
BANDA MUSICAL JOÃO BATISTA DE LIMA 2022 No 41°FASTBANFAS 2022 - ENCONTRO DE BANDAS E FANFARRAS 2022
Live - Batista Lima e Edson Lima - SEM INTERVALO
Batista Lima - Máquina do Tempo - DVD
Batista Lima - Metade da metade
Daniel Batista de Lima montando oTouro Camburão da Cia. Máfia do Boi
SOS VOLTA - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
Montarias do Daniel Batista de Lima
NÃO ESQUEÇA - ME / SOU LOUCO - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
Agora é Lei - Batista Lima
BATISTA LIMA - SOS VOLTA - (VideoClipe)
SAUDADE DA MINHA EX - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
MINHA VIDA SEM VOCÊ - Batista Lima | BL 180 MINUTOS (AO VIVO)
Judia - Batista Lima (Clipe Oficial)
Português
English
Español