Escritas

Lista de Poemas

Nota Final

(A minha ex-noiva)

Virgínia! o nosso amor acabou-se!... NenhumaEsperança sequer existe em nós agora!Sim, morreu nosso amor! - Desfez-se como a brumaQue se desfaz assim que nasce a luz da aurora.

Extinguiu-se o meu sonho, o meu prazer... Em suma,Os sorrisos que, à boca, eu tinha a toda hora,Calaram-se de vez... Fugiram de uma em umaAs doces ilusões que tínhamos outrora!

Tudo acabou-se enfim! O que hoje apenas restaDa história singular - negra história funesta! -Desse amor infeliz da nossa mocidade,

É simples, e triste, e querida lembrança.- Um cacho virginal da tua loura trança,Que eu beijo a soluçar nas horas de saudade!

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Maldita

A uma fidalga egoísta

Passas... E, ao ver-te, a multidão murmura,Numa febril agitação: - "É ela!Como é divina! E que ideal canduraO seu olhar dulcíssimo revela!...

E dizem outros: - "Haverá donzelaQue seja assim tão divinal e pura,Ou que tenha - tão simples e singela! -O mesmo encanto e a mesma formosura?!"

Todos te exalçam, meu amor... Entanto,Ninguém dirá que te maldigo tantoE que no peito, infelizmente, encerro

O desespero atroz de um desvairadoQue luta, em vão, aflito e apaixonado,Para vencer teu coração de ferro!

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Do Nosso Livro

I
Quando acaso, divina, se levanta
Para mim, teu olhar meio e profundo,
Eu penso que outro olhar que tenha tanta
Beleza assim, não haja neste mundo!

Outras vezes com as santas te confundo...
E juro que esse olhar que me quebranta,
Foi, por capricho, feito assim segundo
O modelo do olhar de alguma santa!

Ai! nem sei te dizer como é divino
Esse olhar de celeste e doce encanto
Em que vejo luzir o meu destino...

- Esse olhar ideal de ardentes lumes,
Que eu odeio, maldigo, e adoro tanto
Na confusão do amor e dos ciúmes!

II

Vês?... eu não posso te fitar!... Entanto,
Muitas vezes nos teus meus olhos fito;
Pois nunca vi olhar assim maldito
Que me encantasse e me atraísse tanto!

Fujo-te, as vezes, com rancor; e, enquanto
De ti me esquivo e o teu olhar evito,
Blasfemo, e choro, e me lastimo, aflito,
Por te não ver, ó meu divino encanto...

E volto, enfim! Mas, se outra vez consigo
Fugir ao fogo desse olhar malvado,
Torno a chorar por te não ver comigo!

E vivo assim nesse penas eterno,
- Desse modo vencido e dominado
Por esse amor que mais parece um inferno!

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