Augusto Frederico Schmidt

Augusto Frederico Schmidt

1906–1965 · viveu 58 anos BR BR

Augusto Frederico Schmidt foi um poeta, ensaísta e professor brasileiro, conhecido por sua poesia de teor filosófico e existencial. Sua obra reflete uma profunda meditação sobre a condição humana, o tempo, a memória e a busca por significado. Com uma linguagem elaborada e um tom introspectivo, Schmidt explorou temas universais através de uma perspectiva pessoal e reflexiva. Sua poesia se destaca pela densidade intelectual e pela capacidade de evocar imagens poéticas que ressoam com a complexidade da vida interior.

n. 1906-04-18, Rio de Janeiro · m. 1965-02-08, Rio de Janeiro

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Vazio

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.


Publicado no livro Pássaro cego (1930).

In: SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesias completas, 1928/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1956
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Biografia

Identificação e contexto básico

Augusto Frederico Schmidt foi um poeta, ensaísta e professor brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro e faleceu na mesma cidade. Sua obra é escrita em português.

Infância e formação

Pouca informação detalhada sobre sua infância e formação acadêmica específica está amplamente disponível em fontes públicas, mas seu percurso intelectual sugere uma sólida formação humanística.

Percurso literário

Schmidt iniciou sua carreira literária destacando-se como poeta e ensaísta. Sua obra poética é marcada por uma profunda reflexão sobre a existência, o tempo e a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Augusto Frederico Schmidt exploram temas como a efemeridade do tempo, a memória, a solidão, a busca por sentido e a transcendência. Sua linguagem é frequentemente densa, com um vocabulário rico e uma sintaxe elaborada, o que confere um caráter filosófico e meditativo à sua poesia. Utiliza recursos como a metáfora e a aliteração para construir imagens poéticas evocativas. O tom de sua poesia é predominantemente lírico e introspectivo, com uma voz poética que busca a universalidade na experiência individual. Sua obra está associada ao Modernismo brasileiro, embora com características singulares.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu em um período de intensas transformações sociais e culturais no Brasil, o que pode ter influenciado sua visão de mundo e sua produção literária, embora sua obra seja mais focada na interioridade do que em eventos externos.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre sua vida pessoal são escassas na esfera pública, mas sua atividade como professor indica um envolvimento com a educação e a disseminação do conhecimento.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Augusto Frederico Schmidt é reconhecido como um poeta de valor na literatura brasileira, especialmente por sua poesia de cunho filosófico e introspectivo. Sua obra tem sido objeto de estudo e apreciação por sua profundidade e qualidade literária.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências diretas possam variar em diferentes interpretações, a poesia de Schmidt dialoga com uma tradição literária marcada pela reflexão existencial e filosófica. Seu legado reside na sua contribuição para a poesia brasileira com um lirismo denso e intelectualizado.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Schmidt é frequentemente interpretada à luz de questões filosóficas sobre a existência, a mortalidade e a busca por transcendência. Sua poesia convida à contemplação e à introspecção.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhes específicos sobre seus hábitos de escrita ou aspectos anedóticos de sua vida são menos divulgados na literatura crítica.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Faleceu no Rio de Janeiro. Publicações póstumas podem ter contribuído para a manutenção de sua obra na memória literária.

Poemas

7

Vazio

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.


Publicado no livro Pássaro cego (1930).

In: SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesias completas, 1928/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1956
4 959

V (Sonetos)

Noites, estranhas noites, doces noites!
A grande rua, lampiões distantes,
Cães latindo bem longe, muito longe.
O andar de um vulto tardo, raramente.

Noites, estranhas noites, doces noites!
Vozes falando, velhas vozes conhecidas.
A grande casa; o tanque em que uma cobra,
Enrolada na bica, um dia apareceu.

A jaqueira de doces frutos, moles, grandes.
As grades do jardim. Os canteiros, as flores.
A felicidade inconsciente, a inconsciência feliz.

Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre.
A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores
Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei!


Publicado no livro Pássaro cego (1930).

In: SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesias completas, 1928/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1956
2 654

Ouço uma Fonte

Ouço uma fonte
É uma fonte noturna
Jorrando.
É uma fonte perdida
No frio.

É uma fonte invisível.
É um soluço incessante,
Molhado, cantando.

É uma voz lívida.
É uma voz caindo
Na noite densa
E áspera.

É uma voz que não chama.
É uma voz nua.
É uma voz fria.
É uma voz sozinha.

É a mesma voz.
É a mesma queixa.
É a mesma angústia,
Sempre inconsolável.

É uma fonte invisível,
Ferindo o silêncio,
Gelada jorrando,
Perdida na noite.
É a vida caindo
No tempo!


Publicado no livro Fonte invisível (1949).

In: SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesias completas, 1928/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1956
1 385

Apocalipse

As velas estão abertas como luzes.
As ondas crespas cantam porque o vento as afogou.
As estrelas estão dependuradas no céu e oscilam.
Nós as veremos descer ao mar como lágrimas.
As estrelas frias se desprenderão do céu
E ficarão boiando, as mãos brancas inertes, sobre as águas
[frias.
As estrelas serão arrastadas pelas correntes boiando nas
[águas imensas.
Seus olhos estarão fechados docemente
E seus seios se elevarão gelados e enormes
Sobre o escuro do tempo.


Publicado no livro Canto da Noite (1934).

In: SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesias completas, 1928/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1956
2 115

Pequena Igreja

Eu queria louvar-te, pequena e humilde igreja
Desta cidadezinha que está morrendo.
Eu queria agradecer-te a compreensão que me deste
Das coisas humildes e eternas.

Eu queria saber cantar a tua tranqüilidade
E a tua pura beleza,
Ó igreja da roça, adormecida diante do jardim cheio de rosas!
Ó pequena casa de Jesus Cristo, irmã das outras casas solenes
[e graves.
Escondida e modesta, com as tuas torres e os teus sinos
Que sabem encher o ar matinal com um tão doce apelo,
E no instante vesperal lembram que é hora de dormir para a
[grande família dos passarinhos inquietos,
Dos passarinhos que tumultuam o pobre jardim cheio de flores!


Publicado no livro Estrela solitária (1940).

In: SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesias completas, 1928/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 195
1 474

Soneto Cigano

Lembra-me sempre a viagem, a grande, a estranha viagem.
As mulheres brincavam e riam ao pé das enormes fogueiras.
Rostos da cor do bronze, olhares misteriosos,
E mãos escuras para todos os misteres.

Lembra-me sempre a viagem, as estradas perdidas
Por onde seguíamos atrás das auroras ingênuas
Que corriam cantando, e atrás das horas fugidias
— Horas que pareciam dançar ao ruído de pandeiros.

Era tudo uma grande inocência e descuido.
O futuro sombrio, as ambições, os medos,
Não me lembro de os ter sentido nesses tempos.

Colhíamos, então, flores e frutos nos caminhos,
Amávamos o amor nas morenas mulheres,
E adormecíamos à mercê dos ventos e das chuvas.


Publicado no livro Mar desconhecido (1942).

In: SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesias completas, 1928/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 195
1 331

A Chuva nos Cabelos

A chuva molhava os seus cabelos,
A chuva descia sobre os seus cabelos
Voluptuosamente.
A chuva chorava sobre os seus cabelos,
Macios,
A chuva penetrava nos seus cabelos,
Profundamente,
Até as raízes!

Ela era uma árvore,
Uma árvore molhada
E coberta de flores.


Publicado no livro Fonte invisível (1949).

In: SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesias completas, 1928/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 195
1 590

Citações

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