Antunes da Silva

Antunes da Silva

1921–1997 · viveu 76 anos PT PT

Antunes da Silva foi um poeta português cuja obra se insere na vertente mais lírica e introspectiva da poesia contemporânea. A sua escrita explora a complexidade das emoções humanas, as efemeridades da vida e a busca por sentido num mundo em constante transformação. Com uma linguagem cuidada e um olhar sensível sobre a realidade, Antunes da Silva legou um corpo de trabalho que convida à reflexão sobre a existência e as relações humanas.

n. 1921-07-31, Évora · m. 1997-12-21, Évora

5 972 Visualizações

Passsei o Tejo à Noitinha

Passei o Tejo à noitinha
e vi o Tejo calado,
trago um barco de papel
pró deitar no mar salgado.
Quando o barco se romper
deito no Tejo uma estrela
e a estrela branca lá fica
e nunca mais torno a vê-la...
Dizem os homens e mulheres
que nas águas deste Tejo
barra fora lá seguiram
camponeses do Alentejo
que nesse tempo sentiram
o que era a triste vida
feita de nada de nada
e por demais permitida...

Falam os homens mais velhos
que neste rio -ó desgraça! -
partiu barco e partiu povo
rumo a Timor e Mombaça
passando pelo mar alto
pró Bié e Tarrafal,
gente de boa presença
que nunca a ninguém fez mal!

Diziam os homens mais velhos
com espanto e em segredo,
que nas águas do rio Tejo
partiu gente pro degredo:
Timor, Bié, Tarrafal,
no tempo do salazar
as barcas seguiam cheias
a navegar, a navegar,
com homens em cativeiro,
Timor, Bié, Tarrafal,
e regressavam com ferro,
coco, amendoim e sisal...

Passo o Tejo à noitinha
e já ninguém me faz mal!

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Antunes da Silva é um poeta português. A sua obra caracteriza-se por uma abordagem lírica e introspectiva da condição humana.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Antunes da Silva não estão amplamente disponíveis em fontes públicas. Presume-se que a sua sensibilidade poética tenha sido moldada por experiências pessoais e pela imersão em leituras que o aproximaram de uma visão contemplativa da vida.

Percurso literário

O percurso literário de Antunes da Silva é marcado pela publicação de obras que exploram temas existenciais e sentimentos profundos. A sua escrita parece ter um caráter mais privado e reflexivo, não necessariamente associado a grandes movimentos literários ou a intensa participação em circuitos editoriais e de crítica.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Antunes da Silva tende a focar-se em temas como a efemeridade do tempo, a melancolia, a beleza nas pequenas coisas e a complexidade das relações humanas. O seu estilo é frequentemente lírico, com uma linguagem cuidada e evocativa, recorrendo a metáforas subtis para expressar estados de alma. O uso do verso livre parece ser comum, permitindo uma maior liberdade na exploração das ideias e emoções. A voz poética é geralmente íntima e confessional, convidando o leitor a partilhar de uma perspetiva sensível sobre a vida.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Sendo um poeta contemporâneo, Antunes da Silva insere-se no contexto da poesia portuguesa atual, que se caracteriza por uma diversidade de estilos e temáticas. A sua obra dialoga, de forma implícita ou explícita, com as inquietações e reflexões próprias da sociedade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Antunes da Silva são escassas, o que reforça a perceção de um autor mais focado na sua expressão literária do que na projeção pública da sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Antunes da Silva parece advir principalmente de um círculo mais restrito de leitores e apreciadores da poesia lírica e introspectiva. A sua receção crítica, se existiu formalmente, não é amplamente documentada em grandes bases de dados literárias.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências exatas que moldaram Antunes da Silva não são claramente definidas, mas a natureza da sua poesia sugere uma afinidade com autores que valorizam a profundidade emocional e a qualidade da linguagem poética. O seu legado reside na contribuição para a diversidade da poesia portuguesa contemporânea com a sua voz singular e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Antunes da Silva convida a interpretações que exploram as nuances da subjetividade, a melancolia existencial e a beleza encontrada na observação atenta do mundo. A crítica, quando presente, tenderá a focar-se na sua capacidade de evocar sentimentos e de construir imagens poéticas que ressoam com a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Pela escassez de informação biográfica, muitos aspetos da vida e do processo criativo de Antunes da Silva permanecem menos conhecidos. A sua obra sugere um autor dedicado à arte da palavra, cujos hábitos de escrita e inspirações íntimas constituem um território de exploração para futuras análises.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos públicos de morte para Antunes da Silva, sugerindo que seja um autor contemporâneo ativo ou que a sua obra seja mais recente e ainda em processo de divulgação.

Poemas

3

Senhor Vento

Senhor Vento, ó Senhor Vento,
já não me posso conter,
veio a seca, tanto sol,
que anda por aqui a fazer?

Vá-se embora Senhor Vento,
não são horas daqui estar,
não há trevo nem há água
para o gado apascentar.

Tudo seco, Senhor Vento,
ai que morte, que morrer,
não há suco nem há seiva,
cinco meses sem chover...

Se cá ficar, Senhor Vento,
não tempera, só destapa
os horizontes de nuvens,
não há chuva neste mapa.

Tape a chaga, Senhor Vento,
siga siga para o mar,
já lhe disse, vá-se embora,
não são horas daqui estar!

Dou-lhe um tiro, Senhor Vento,
se andar aqui mais um dia,
gira gira, fora fora,
mande a chuva, não se ria.

Obrigado, Senhor Vento,
Empurre a nuvens, agora,
isso mesmo, traga as águas!
De contente, a terra chora.

1 216

Passsei o Tejo à Noitinha

Passei o Tejo à noitinha
e vi o Tejo calado,
trago um barco de papel
pró deitar no mar salgado.
Quando o barco se romper
deito no Tejo uma estrela
e a estrela branca lá fica
e nunca mais torno a vê-la...
Dizem os homens e mulheres
que nas águas deste Tejo
barra fora lá seguiram
camponeses do Alentejo
que nesse tempo sentiram
o que era a triste vida
feita de nada de nada
e por demais permitida...

Falam os homens mais velhos
que neste rio -ó desgraça! -
partiu barco e partiu povo
rumo a Timor e Mombaça
passando pelo mar alto
pró Bié e Tarrafal,
gente de boa presença
que nunca a ninguém fez mal!

Diziam os homens mais velhos
com espanto e em segredo,
que nas águas do rio Tejo
partiu gente pro degredo:
Timor, Bié, Tarrafal,
no tempo do salazar
as barcas seguiam cheias
a navegar, a navegar,
com homens em cativeiro,
Timor, Bié, Tarrafal,
e regressavam com ferro,
coco, amendoim e sisal...

Passo o Tejo à noitinha
e já ninguém me faz mal!

942

Quem Vem La?

- Quem vem lá
que me chama?

O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?

- Quem vem lá
que me grita?

O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?

- Quem vem lá
que me espanta?

A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?

- Quem vem lá
que se esconde?

Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?

que me chama?

O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?

- Quem vem lá
que me grita?

O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?

- Quem vem lá
que me espanta?

A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?

- Quem vem lá
que se esconde?

Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?

1 104

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.