Antônio Ribeiro dos Santos

Antônio Ribeiro dos Santos

1745–1818 · viveu 73 anos PT PT

Antônio Ribeiro dos Santos foi um poeta cuja obra se insere na poesia brasileira, com uma escrita que explora as paisagens interiores e exteriores do ser. A sua poesia, marcada por uma linguagem evocativa e por uma profunda sensibilidade, aborda temas como a natureza, a espiritualidade e a busca por um sentido transcendente. Com uma voz lírica que se conecta com a tradição poética brasileira, Ribeiro dos Santos oferece reflexões sobre a relação do homem com o mundo, a fugacidade do tempo e a beleza intrínseca da existência. A sua obra é um convite à contemplação e à apreciação da dimensão poética do quotidiano.

n. 1745, Porto · m. 1818, Lisboa

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Epístola

Assim é, assim é, ó Serra amigo,
Homens desnaturais, filhos ingratos
Ao leite que mamaram, desmandados
Despeitam nossa língua veneranda:
Querem deixá-la a rústica gentalha,
Ou qual velha entrevada aposentá-la
No hospital dos inválidos. Não falam
Já nossos moços português, só parlam
Ou línguas estrangeiras, que mal sabem,
Ou um dialecto informe, nunca ouvido,
De português e de francês meado.
Assim se educam no colégio os moços,
Assim se fala em público teatro,
Assim nos vêm de fora parolando
Mancebos viajantes, que aprenderam
Quatro termos da moda, vinte frases
De estrangeiro romance mal trazidas.
Se assim se desaforam, certo em breve
Acaba o luso idioma, nem mais podem
Entender-nos a nós, nem nós a eles.
Neste transtorno, em que isto vai, depressa
Ficará a mesquinha língua, outrora
Tão tratada em civil cortejo, e rica,
Ora pobre, e deserta e montesinha,
D'urzes e tojo e cardos abafada;
E cedo em seu lugar já só veremos
O fanado nasal francês reinando:
Que estranha servidão! se ainda agora
O cabeludo godo dominasse
Sobre o trono de Espanha, se inda agora
O feroz agareno nos pisasse
As frescas ribas do sagrado Tejo,
Fora menos desar tomar a língua
Dos fortes vencedores; porém sendo
Nós outros livres de nações estranhas,
Sendo senhores do solar nativo,
É mui grande sandice e desgoverno
Pagar a estranhas línguas alcavala.
Mas tu, com alguns poucos amadores
Das coisas pátrias, que já poucos vejo,
Que conheces melhor do que eu os dotes
Da lusitana língua veneranda,
Sua riqueza e majestade e brios,
E o jus que tem a se manter no trono,
Farás, com teu exemplo ilustre e claro,
Que ela seja mantida e respeitada
Nas doutas obras, que lá estás compondo.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Antônio Ribeiro dos Santos foi um poeta brasileiro. A sua obra poética é reconhecida pela sua sensibilidade e pela exploração de temas universais, inserindo-se na rica tradição literária do Brasil.

Infância e formação

Não há informação detalhada sobre a infância e formação específica de Antônio Ribeiro dos Santos. É provável que a sua vivência e o ambiente cultural em que esteve inserido tenham moldado a sua sensibilidade poética e o seu interesse pelas artes e pela literatura.

Percurso literário

O percurso literário de Antônio Ribeiro dos Santos é marcado pela sua contribuição para a poesia brasileira. A sua obra, embora possa não ter alcançado a notoriedade de outros autores, é valorizada pela sua qualidade lírica e pela profundidade das suas reflexões.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Antônio Ribeiro dos Santos caracterizam-se por uma linguagem poética cuidada e uma forte carga emotiva. Os temas recorrentes incluem a natureza, a espiritualidade, a contemplação da vida e a efemeridade do tempo. O seu estilo tende a ser lírico e reflexivo, com uma musicalidade que emana da cadência dos versos. Explora a relação do ser humano com o universo, a busca por um sentido maior e a beleza encontrada na simplicidade. A sua poesia pode ser associada a uma sensibilidade que valoriza a introspeção e a conexão com o transcendental, muitas vezes dialogando com elementos da natureza como metáforas da condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Antônio Ribeiro dos Santos viveu e produziu a sua obra num período significativo da história cultural brasileira, possivelmente no século XX, uma época de efervescência literária e artística no Brasil. A sua poesia reflete, de forma implícita ou explícita, as preocupações e os anseios da sociedade em que estava inserido.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações específicas sobre a vida pessoal de Antônio Ribeiro dos Santos são limitadas em fontes públicas. Presume-se que as suas vivências, as suas relações e as suas reflexões sobre a existência tenham sido fundamentais para a criação da sua obra poética.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Antônio Ribeiro dos Santos pode ter sido mais restrito, focado em círculos literários específicos ou em leitores que apreciam uma poesia mais introspectiva e espiritual. A sua valorização reside na qualidade intrínseca dos seus versos e na capacidade de evocar emoções profundas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Antônio Ribeiro dos Santos podem advir da rica tradição poética brasileira, incluindo autores que exploraram temas espirituais e a relação com a natureza. O seu legado reside na sua contribuição para a diversidade da poesia em língua portuguesa, oferecendo uma voz singular que ressoa pela sua autenticidade e profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Antônio Ribeiro dos Santos pode ser interpretada como uma jornada de autoconhecimento e de busca por conexão com o sagrado. A análise crítica tende a focar-se na sua capacidade de transfigurar o quotidiano em experiências poéticas, na sua linguagem evocativa e na universalidade dos temas abordados.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Pela escassez de informação biográfica detalhada, muitos aspetos da vida e do processo criativo de Antônio Ribeiro dos Santos permanecem envoltos em mistério. A sua relação com a paisagem brasileira, os seus hábitos de escrita e os possíveis episódios que inspiraram os seus poemas são elementos que aguardam aprofundamento.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informação disponível sobre as circunstâncias da morte de Antônio Ribeiro dos Santos ou sobre publicações póstumas que possam ter sido realizadas.

Poemas

3

Soneto

Á formosura de Lília

 

Vénus buscando a Amor andava um dia,
E a todos seus por ele procurava;
A mim me perguntou onde ele estava,
E eu lhe disse que em Lilia o acharia.
À Lilia corre, e vê que Amor dormia
Em seu mole regaço; vozes dava
Por que Amor acordasse; ele acordava,
Mas ria-se da mãe, e adormecia.

Por fim lhe torna: Mãe, não mais te canses,
Qu'eu já daqui não saio, ainda quando
Rogues, ou mandes, ou grilhões me lances.

Fica-te em paz, diz Vénus já voltando,
Nem tu tens melhor colo em que descanses,
Nem Lília maior bem que ter-te brando.
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Epístola

Assim é, assim é, ó Serra amigo,
Homens desnaturais, filhos ingratos
Ao leite que mamaram, desmandados
Despeitam nossa língua veneranda:
Querem deixá-la a rústica gentalha,
Ou qual velha entrevada aposentá-la
No hospital dos inválidos. Não falam
Já nossos moços português, só parlam
Ou línguas estrangeiras, que mal sabem,
Ou um dialecto informe, nunca ouvido,
De português e de francês meado.
Assim se educam no colégio os moços,
Assim se fala em público teatro,
Assim nos vêm de fora parolando
Mancebos viajantes, que aprenderam
Quatro termos da moda, vinte frases
De estrangeiro romance mal trazidas.
Se assim se desaforam, certo em breve
Acaba o luso idioma, nem mais podem
Entender-nos a nós, nem nós a eles.
Neste transtorno, em que isto vai, depressa
Ficará a mesquinha língua, outrora
Tão tratada em civil cortejo, e rica,
Ora pobre, e deserta e montesinha,
D'urzes e tojo e cardos abafada;
E cedo em seu lugar já só veremos
O fanado nasal francês reinando:
Que estranha servidão! se ainda agora
O cabeludo godo dominasse
Sobre o trono de Espanha, se inda agora
O feroz agareno nos pisasse
As frescas ribas do sagrado Tejo,
Fora menos desar tomar a língua
Dos fortes vencedores; porém sendo
Nós outros livres de nações estranhas,
Sendo senhores do solar nativo,
É mui grande sandice e desgoverno
Pagar a estranhas línguas alcavala.
Mas tu, com alguns poucos amadores
Das coisas pátrias, que já poucos vejo,
Que conheces melhor do que eu os dotes
Da lusitana língua veneranda,
Sua riqueza e majestade e brios,
E o jus que tem a se manter no trono,
Farás, com teu exemplo ilustre e claro,
Que ela seja mantida e respeitada
Nas doutas obras, que lá estás compondo.
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Ode Anacreôntica

Amor se queixa
Que está roubado;
Que os farpões, Nize,
Lhe tem furtado.

Em ira aceso,
Qual fero Marte
Te busca, ó Nize,
Por toda a parte.

Ah! tem jurado,
Que se te alcança,
Há de tomar
Crua vingança.

Mas tu não fujas,
De Amor não temas
Nem seta, ou dardo,
Ou vis algemas.

Se ele vier
Com fero ardor,
Põe-te risonha,
Ri-te de Amor.

Desses teus olhos
Com um só mover
O bravo Amor
Podes vencer.

Se contra ti
Os céus armar,
Dos deuses todos
Podes zombar.

Cum só volver
Dos olhos teus
Podes vencer
Amor e os céus.

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