Antônio Barreto

Antônio Barreto

n. 1942

Antônio Barreto é um nome que se destaca na poesia brasileira, reconhecido pela sua capacidade de tecer versos que capturam a essência da condição humana com sensibilidade e profundidade. Sua obra transita entre o lírico e o reflexivo, explorando temas universais como o amor, a perda, a passagem do tempo e a busca por sentido. Com uma linguagem que por vezes se reveste de uma certa melancolia, mas sempre permeada por uma esperança latente, Antônio Barreto constrói um universo poético rico em imagens e emoções, consolidando-se como uma voz singular na literatura contemporânea.

n. 1942-10-30, Porto

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A Pulga Cheia de Pulgas

Para Mario Quintana e Rita Lee,
minhas pulgas de estimação.

Dona Pulga se coçando,
lá no fundo do balaio,
salta como uma maluca
e pula e rola, sem sono.

Dona Pulga assim pulando,
cheia de pulgas na cuca,
pula então, pererecando,
pra cuca do Papagaio.

— Currupaco-papaco-paco,
fala o louro coçando o papo.
Que pulga cheia de pulgas!
— Currupaco-papaco-paco.
Parece cachorro sem dono
ou pulga não toma banho?

Dona Pulga leva um sopapo
do Papagaio Maluco
e vai dormir atordoada,
meio pirada da cuca.

Sonha que cata piolho
no papo do Papagaio,
que no fundo do balaio
papa mosca e pisca um olho.

Porém só eu sei dizer
seu segredo de menina:
é que ela quer ser
a primeira bailarina.

Por isso vive ensaiando
seus passos por todo lado.
Dança rock e dança tango,
polca, samba e xaxado.


In: BARRETO, Antônio. Brincadeiras de anjo. Il. May Shuravel. São Paulo: FTD, 1987. p.24-27. (Falas poéticas
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Biografia

Identificação e contexto básico

Antônio Barreto, conforme identificado pelo Wikidata Q137116461, é um poeta brasileiro. Sua obra se insere no panorama da literatura contemporânea em língua portuguesa, com uma produção notável pela profundidade lírica e reflexiva.

Infância e formação

Informações específicas sobre a infância e formação de Antônio Barreto não são amplamente detalhadas nas fontes disponíveis. No entanto, a sua poesia sugere uma formação cultural e literária que lhe permitiu desenvolver uma sensibilidade aguçada para as nuances da experiência humana e da expressão poética.

Percurso literário

O percurso literário de Antônio Barreto é marcado pela sua contribuição para a poesia, onde explora temas recorrentes como o amor, a efemeridade da vida, a memória e a busca por significado. Sua obra, embora talvez não tão extensivamente divulgada quanto a de outros autores, demonstra uma consistência e uma profundidade que lhe garantem um lugar no cenário literário.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Antônio Barreto caracteriza-se por um lirismo introspectivo e por uma linguagem cuidadosamente elaborada. Os temas centrais incluem o amor em suas diversas manifestações, a melancolia da passagem do tempo, a reflexão sobre a existência e a valorização de momentos fugazes. Seu estilo poético tende a ser melódico e imagético, com uma escolha vocabular precisa que evoca sentimentos e sensações de forma vívida. A sua poesia dialoga com a tradição lírica, mas apresenta uma voz autoral distintiva.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Antônio Barreto escreve no contexto da poesia brasileira contemporânea, um período diversificado onde temas existenciais e sociais continuam a ser explorados. Sua obra pode ser vista como um reflexo das inquietudes e das buscas por sentido características do nosso tempo, dialogando com outras vozes poéticas que abordam a complexidade do mundo atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Antônio Barreto não são amplamente divulgados nas fontes públicas. Contudo, a sua obra poética revela uma sensibilidade aguçada para as emoções e experiências humanas, o que sugere um indivíduo com uma rica vida interior.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Antônio Barreto advém da qualidade e da autenticidade de sua produção poética. Sua obra tem sido apreciada por leitores que buscam uma poesia que toque o coração e a mente, oferecendo reflexões profundas sobre a vida e o amor.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências diretas não sejam explicitadas, a poesia de Antônio Barreto demonstra uma conexão com a tradição lírica e reflexiva da literatura em língua portuguesa. Seu legado se encontra na sua contribuição para a poesia contemporânea, oferecendo uma perspectiva única sobre os sentimentos e as experiências humanas.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Antônio Barreto convida à reflexão sobre temas universais como a natureza do amor, a fugacidade da existência e a busca por um sentido maior. Suas obras podem ser interpretadas como um convite à contemplação e à autoconsciência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Como a sua obra é mais conhecida do que a sua figura pública, aspectos menos conhecidos da vida de Antônio Barreto podem residir nos bastidores da sua criação poética, deixando a sua poesia falar por si.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações sobre a morte de Antônio Barreto em fontes públicas.

Poemas

12

Para Enxergar Duendes no Jardim

Não há como esconder de ti mesmo tuas invenções mais
puras. Para que um ser exista — como um galho, um unicórnio,
uma pedra, um Mastigolarken, um Catalorpas ou um anjo
— , basta imaginá-lo vivo.
E mesmo que te chamem de louco, visionário, nefelibata
ou lunático; continue assim: telúrico. E absurdamente apaixonado
pela simplicidade da Lua.

Quando a Primavera estiver
começando, acorde bem cedo e,
antes de ir para o jardim, faça a
seguinte simpatia: coloque na tampinha
de uma garrafa um torrão de açúcar,
umedeça-o com 3 gotinhas de água
mineral e mais 3 gotinhas de vinho
tinto suave. Em seguida, deposite-a
sobre as pétalas da menor margarida
que você encontrar, procurando o
canto mais úmido e ensombrado de
seu jardim. Lá, você deverá se
agachar e pronunciar as seguintes
palavras mágicas:

EDNEUD, EDNEUD UEM,
ES ÊCOV ETSIXE,
MEV RAVORP ASSED
ADIBEB!

Se, ao invés de um
duende, aparecer uma abelha, é porque
outras pessoas já fizeram a mesma
simpatia, e o pobre coitado se
embriagou pelo caminho.


In: BARRETO, Antônio. Livro das simpatias. Il. Márcia Franco. Belo Horizonte: Ed. RHJ, 1990. p.18-20. (Premiados, 3
1 485

Cinema Mudo

No tempo do Cinema Mudo
quando a noite calava o bico
todo mundo, gordo ou magro,
punha embaixo do travesseiro
uma caixa de lápis-de-cor
só pra sonhar colorido


In: BARRETO, Antônio. Isca de pássaro é peixe na gaiola: pequeno concerto para realejo, caniço & vitrola. Il. Débora Camisasca. 2.ed. Belo Horizonte: Miguilim, 1990. p.13. (Rimas). Poema integrante da série O Tempo que o Tempo Tem
1 541

Roda Ecológica

Abanando o rabo
a cachorrinha serelepe
abrindo o leque do pavão.
— Olha que calor dentro do parque!

Menininha molequinha
tá com cara de soneca?
Sonhe com gatos e ratos,
dê pipoca pros patos,
pra mim seu coração.

Seu coração de boneca
é algodão-doce no olhar
do menino enamorado
de um balão lá no céu.

Vou buscar um girassol
pra colorir de sol e mel
a roupa velha da onça.

Roda o gigante do elefante
no trem
dos lábios livres
da infância.

Um menino espanta um zangão
na orelha do rinoceronte
e ri do gesto do macaco:
— Vem cá, bicho safado,
tem banana no buraco!

E uma fada dorminhoca,
de maiô, queimadinha de sol,
transforma tudo o que toca
em doce, sorvete e pipoca.


In: BARRETO, Antônio. Brincadeiras de anjo. Il. May Shuravel. São Paulo: FTD, 1987. p.18-19. (Falas poéticas
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A Pulga Cheia de Pulgas

Para Mario Quintana e Rita Lee,
minhas pulgas de estimação.

Dona Pulga se coçando,
lá no fundo do balaio,
salta como uma maluca
e pula e rola, sem sono.

Dona Pulga assim pulando,
cheia de pulgas na cuca,
pula então, pererecando,
pra cuca do Papagaio.

— Currupaco-papaco-paco,
fala o louro coçando o papo.
Que pulga cheia de pulgas!
— Currupaco-papaco-paco.
Parece cachorro sem dono
ou pulga não toma banho?

Dona Pulga leva um sopapo
do Papagaio Maluco
e vai dormir atordoada,
meio pirada da cuca.

Sonha que cata piolho
no papo do Papagaio,
que no fundo do balaio
papa mosca e pisca um olho.

Porém só eu sei dizer
seu segredo de menina:
é que ela quer ser
a primeira bailarina.

Por isso vive ensaiando
seus passos por todo lado.
Dança rock e dança tango,
polca, samba e xaxado.


In: BARRETO, Antônio. Brincadeiras de anjo. Il. May Shuravel. São Paulo: FTD, 1987. p.24-27. (Falas poéticas
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E o menino dormia e sonhava

E o menino dormia e sonhava
que o mundo era grande e o que era?
— Era a mágica música das fadas
cantarolando no escuro?
— Ou a rua que morava em tudo,
no mundo que ele imaginava?

E no mundo cabia o Circo, o peixe, o gorila.
E no mundo cabia o riso, o palhaço, a nuvem
e cabia também no mundo
formiga lutando boxe...

e a barata tirando a roupa, pra nadar na poça d'água
e a minhoca de patins, com seu penteado esquisito
e a lesma veloz que corria, atrás de sua própria sombra
e o percevejo percebendo que a perereca pulava
e a pulga de pára-quedas descendo num cão deitado

(...)

e o tatu-bola bolando um plano pra chegar do outro lado
e aquela baleia de nuvem que o vento desenhava no céu
e o dinossauro correndo da lagartixa marrom
e o jacaré com ciúmes de antepassado tão bom!

e o peru que bebia pinga, um dia antes do Natal,
e o galo conferindo as horas, no seu relógio de bolso,
e o pinhé trepado no boi, catando os seus carrapatos,
e a cegonha que nunca teve filho, por falta de tempo e mais,
nada
e a alva elegância da garça, doendo de branco no verde!

(...)

E o menino espichava a janela
pra ver se era tudo verdade:
era a Lua encurralada na rua enluarada
dormindo bem fresquinha
numa poça d'água.


In: BARRETO, Antônio. Lua no varal. Il. Paulo Bernardo F. Vaz. Belo Horizonte: Miguilim, 1987. p.18. Poema integrante da série A Poça d'Água
1 492

Papo de Anjo

— São Damião era um são damiinho
ou Santo Agostinho era um santo agostão?

— São Sebastião era um são sebastinho
ou São Valentim era um são valentão?

— São Salomão era um são salaminho
ou São Balalão era um são balãozinho?

— São pelos São Paulos que os santos santinhos
ou são pelos São Pedros que os santos são sãos?


In: BARRETO, Antônio. Brincadeiras de anjo. Il. May Shuravel. São Paulo: FTD, 1987. p.32. (Falas poéticas
1 464

A Sombra

Estou atrasado, lá vou eu correndo
e a sombra atrás...
Pé-pra-que-te-quero, a língua de fora
e a sombra atrás...

Vou achar um pé-de-ventania
para escapar dessa mania
de fugir da sombra todo dia
e noite
como um bicho-papão...

Pé-de-anjo, pé-de-pato e pano,
pé-de-chinelo sem pé-de-meia,
perambulando,
pererecando
por aí...

Estou adiantado, lá vou eu pensando
e a sombra atrás...
Olho no relógio, está atrasado,
e a sombra atrás...

(...)

Mas tem uma coisa
a mais pra contar:
essa grande safada
que vive acordada
é o meu avesso!

Se tento pegá-la,
até mesmo no sonho,
me desconheço:
ela me fantasia.

Se tento guardá-la
no travesseiro
ela me dá um beijo:
— Já é meio-dia!


In: BARRETO, Antônio: Brincadeiras de anjo. Il. May Shuravel. São Paulo: FTD, 1987. p.10-13. (Falas poéticas
2 072

Ária de América por um Antigo Marinheiro

Árvore ser de alvorecer e sendo
assim em raiz em nua face e foice
(alvorossonho foi-se, mente e lavra)
que de tão-somente semeou palavra

Por de onde sol anzolazul em céu
de peixe e mar esculpido e pronto
: frontisprefácio : em seta dor dedilha
a ária em arpa : peixe arpoador

arma da terra ameri ca me tengo
mi na vida nota cor de lheira
por de onde ondeias oceano
a tantas noites a tlanti cais me vengo
atlantas noches de mandar te andes

e ar vou ser em nada: serenata
peixe tecla dor de pescantar
anzolazul em punho, espada nua e n'antes
morrer de américa os relógios de neruda.


In: BARRETO, Antônio. O sono provisório. Rio de Janeiro: F. Alves, 1978. p.38. Poema integrante da série Fantasias da Fala
1 217

Peixe

é
uma
pedra
que eu
vejo viva
entre as águas
molhando a linha
torta do horizonte
e não o peixe
que sustenta
algo táctil
entre
nós
e
não
será mais
necessário
despertar-lhe
o sonho o sono
o limo o cheiro
o ar porque
o talvez
só assim entenda o rio
que a pedra o peixe e o vento são apenas
pequenos enigmas que o silêncio e a água
não sabem decifrar


In: BARRETO, Antônio. Isca de pássaro é peixe na gaiola: pequeno concerto para realejo, caniço & vitrola. Il. Débora Camisasca. 2.ed. Belo Horizonte: Miguilim, 1990. p.24. (Rimas). Poema integrante da série Isca de Peixe É o Silêncio.
1 545

Sobre as Virtudes da Preguiça

Não devemos fazer nada em Agosto.
Agosto, dizem os jornais mais corajosos,
é sombrio, anticatólico e meditabundo.

Assim posto, não devemos fazer nada em Agosto.
Agosto é o mês das bruxas, das rixas e das tragédias.
Devemos ficar trancados em casa, em Agosto,
comendo salgadinhos e rezando às Almas
que as almas sempre soltam suas rédeas
mesmo quando não as queremos soltas.

Não devemos fazer nada em Agosto:
alguma coisa tenebrosa lhe cavalga o dorso.

Assim, devemos ficar à toa em Agosto
Esperando a morte, sem remorso.


In: BARRETO, Antônio. Vastafala: poesia. São Paulo: Scipione: Fundação Nestlé de Cultura, 1988. p.64. Poema integrante da série Revelações do Abismo.
1 564

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Comentários (2)

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Antônio bareto
Antônio bareto

Boa tudo

Ninguem sabe
Ninguem sabe

:}