Antônio Augusto de Mendonça

Antônio Augusto de Mendonça

1830–1880 · viveu 50 anos BR BR

Antônio Augusto de Mendonça foi um poeta brasileiro conhecido por sua escrita lírica e reflexiva. Sua obra se debruça sobre as complexidades do sentimento humano, a efemeridade da vida e a busca por transcendência. Com um estilo que mescla a tradição com a experimentação, Mendonça soube capturar a essência das emoções em versos que ressoam pela sua profundidade e beleza. Sua poesia convida à introspecção e à contemplação, deixando um legado de sensibilidade e questionamento existencial.

n. 1830-05-19, Salvador · m. 1880-08-14, Salvador

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Saudade no sepulcro

Sobre um sepulcro isolado
Roxa saudade vi eu;
Solitária vicejava
No chão frio em que nasceu;
Nunca saudade tão triste
Em sonhos me apareceu ...
Nunca!...
Senti então pelo rosto
Turva lágrima sentida
Deslizar.

Foi à hora do sol-posto.
Hora de muito cismar!
Quando o arcanjo da poesia
Harmoniza o céu com a terra
Na mesma melancolia...
Na mesma doce tristeza,
Que, às vezes, nos faz chorar,
E chorar a natureza
Ao lento morrer do dia!

Cheguei... beijei a saudade,
Que, assim, tão erma encontrei;
Com ela simpatizei;
Porque — da minha orfandade
Neste deserto profundo,
Pobre enjeitado do mundo,
Só com saudades me achei!

Estranha, viva agonia
Ressumbrava-lhe na cor;
Na muda expressão dizia
Tantas penas, tanta dor,
Que só no reino da morte
Duma lágrima podia
Ter nascido aquela flor...
A saudade!...
Emblema de muito amor!...

Poeta às dores afeito,
Tentei debalde arrancá-la,
Para no fundo do peito,
Como um tesouro, plantá-la.
Debalde! ... porque a infeliz
Tinha encravada, segura
No fundo da sepultura
A desgraçada raiz!

Ah! quem soubera o destino
Daquela flor merencória!
Quem a sua ignota história
Porventura escutará?
Quem?... se a flor misteriosa,
No seu recinto funéreo,
Muda, como o cemitério,
Para todos sempre está?

Quem sabe! ... talvez que à triste,
Que no sepulcro descansa,
Dentre as sombras do futuro
Lhe sorria uma esperança
Talvez!...

Quem adivinha se a brisa,
Que docemente a embalança,
Não lhe vai de amor falar?
Se o sol... se o sol ao deixá-la,
Não lhe deixa em despedida
Num raio um germe de vida,
Saudoso de a não levar?

Se ardente, extremoso afeto,
Se estremecida paixão
Que já no peito não cabe,
Por indizível feitiço,
Não lhe dá alento e viço
Com o sangue do coração?
Quem sabe!...

............................................

Sei que a mísera saudade,
Quando no feio horizonte
Feia surge a tempestade;
E da cúpula do céu
Nem sol, nem tímida estrela,
Através do espesso véu,
Despede um raio de luz;
Sei que a mísera saudade,
Porque o vento a não desfolhe,
Nem as pétalas lhe açoite,
Encosta-se — ou dia ou noite —
Nos braços de sua cruz.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Antônio Augusto de Mendonça, identificado pelo Wikidata Q25858234, foi um poeta brasileiro. A sua obra poética insere-se num contexto literário que valoriza a expressão lírica e a profundidade temática.

Infância e formação

Detalhes pormenorizados sobre a infância e a formação de Antônio Augusto de Mendonça são necessários para compreender as bases de sua visão de mundo e de sua expressão poética. A influência de leituras, movimentos artísticos e culturais de sua juventude são elementos cruciais a serem investigados.

Percurso literário

O início da carreira literária de Antônio Augusto de Mendonça, incluindo o momento em que começou a escrever, a evolução de seu estilo ao longo do tempo e a publicação de suas obras em periódicos ou antologias, necessitam de pesquisa detalhada. A sua eventual atividade como crítico, tradutor ou editor também é um aspeto a ser explorado.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Antônio Augusto de Mendonça caracteriza-se por um lirismo acentuado e uma profunda reflexão sobre temas universais como o amor, a morte e a passagem do tempo. A linguagem poética de Mendonça tende a ser elaborada, com um uso cuidadoso de metáforas e um ritmo que confere musicalidade aos versos. O tom predominante em sua poesia é frequentemente confessional e introspectivo. A densidade imagética e a exploração de recursos retóricos são marcas de seu estilo, que dialoga com a tradição literária e, ao mesmo tempo, introduz inovações formais e temáticas. É importante identificar os movimentos literários aos quais se associou, como o Simbolismo ou o Modernismo, e analisar a relação de sua obra com a tradição e a modernidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Uma análise aprofundada da obra de Antônio Augusto de Mendonça exige sua contextualização histórica e cultural. A relação de seus poemas com os acontecimentos históricos de seu tempo, sua inserção em círculos literários e a sua posição perante as correntes filosóficas e políticas da época são fundamentais para entender a dimensão de sua produção.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Para uma compreensão mais completa de sua obra, é relevante investigar aspetos da vida pessoal de Antônio Augusto de Mendonça, como suas relações afetivas, amizades, crises existenciais ou profissões exercidas, e como estes elementos podem ter se refletido em seus versos.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Antônio Augusto de Mendonça, tanto em vida quanto após sua morte, é um aspeto a ser estudado. A receção crítica de sua poesia, os prémios eventualmente recebidos e sua posição no panorama literário nacional e internacional são importantes para dimensionar seu legado.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Identificar os autores que influenciaram Antônio Augusto de Mendonça, bem como o impacto de sua obra sobre poetas e movimentos posteriores, é crucial. O seu legado na literatura brasileira e a sua difusão internacional, incluindo traduções e estudos acadêmicos, são aspetos que merecem investigação.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica As interpretações críticas da obra de Antônio Augusto de Mendonça e os debates que ela possa ter suscitado são importantes para a sua compreensão. A análise dos temas filosóficos e existenciais presentes em seus poemas oferece caminhos para leituras aprofundadas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos de sua personalidade, episódios curiosos de sua vida ou hábitos de escrita específicos poderiam enriquecer o perfil de Antônio Augusto de Mendonça, mas requerem pesquisa aprofundada.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre as circunstâncias da morte de Antônio Augusto de Mendonça e a existência de publicações póstumas são relevantes para a consolidação de sua memória e o estudo de sua obra.

Poemas

1

Saudade no sepulcro

Sobre um sepulcro isolado
Roxa saudade vi eu;
Solitária vicejava
No chão frio em que nasceu;
Nunca saudade tão triste
Em sonhos me apareceu ...
Nunca!...
Senti então pelo rosto
Turva lágrima sentida
Deslizar.

Foi à hora do sol-posto.
Hora de muito cismar!
Quando o arcanjo da poesia
Harmoniza o céu com a terra
Na mesma melancolia...
Na mesma doce tristeza,
Que, às vezes, nos faz chorar,
E chorar a natureza
Ao lento morrer do dia!

Cheguei... beijei a saudade,
Que, assim, tão erma encontrei;
Com ela simpatizei;
Porque — da minha orfandade
Neste deserto profundo,
Pobre enjeitado do mundo,
Só com saudades me achei!

Estranha, viva agonia
Ressumbrava-lhe na cor;
Na muda expressão dizia
Tantas penas, tanta dor,
Que só no reino da morte
Duma lágrima podia
Ter nascido aquela flor...
A saudade!...
Emblema de muito amor!...

Poeta às dores afeito,
Tentei debalde arrancá-la,
Para no fundo do peito,
Como um tesouro, plantá-la.
Debalde! ... porque a infeliz
Tinha encravada, segura
No fundo da sepultura
A desgraçada raiz!

Ah! quem soubera o destino
Daquela flor merencória!
Quem a sua ignota história
Porventura escutará?
Quem?... se a flor misteriosa,
No seu recinto funéreo,
Muda, como o cemitério,
Para todos sempre está?

Quem sabe! ... talvez que à triste,
Que no sepulcro descansa,
Dentre as sombras do futuro
Lhe sorria uma esperança
Talvez!...

Quem adivinha se a brisa,
Que docemente a embalança,
Não lhe vai de amor falar?
Se o sol... se o sol ao deixá-la,
Não lhe deixa em despedida
Num raio um germe de vida,
Saudoso de a não levar?

Se ardente, extremoso afeto,
Se estremecida paixão
Que já no peito não cabe,
Por indizível feitiço,
Não lhe dá alento e viço
Com o sangue do coração?
Quem sabe!...

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Sei que a mísera saudade,
Quando no feio horizonte
Feia surge a tempestade;
E da cúpula do céu
Nem sol, nem tímida estrela,
Através do espesso véu,
Despede um raio de luz;
Sei que a mísera saudade,
Porque o vento a não desfolhe,
Nem as pétalas lhe açoite,
Encosta-se — ou dia ou noite —
Nos braços de sua cruz.

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Comentários (1)

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Susete França
Susete França

Bom dia! Gostaria de saber de onde foi tirada essa poesia de Antonio Augusto de Mendonça. Muito obrigada!