Escritas

Lista de Poemas

Solstício

Tenho muito medo
De morrer de medo
De ficar sozinho
De morar sozinho
De perder carinho
De quem não me quer

Medo de escuro
De cair no muro
Trauma de tucano
De ser infeliz
E quem tanto quis
Munca me querer

Medo da vergonha
Que é sentir medo
Perder o afeto
De tantos amigos
De tantos amores
Medo de gozar
De ficar doente
De sonhar tão alto
E se espatifar

Medo que ninguem
Leia esse poema
Nem um fidebeque
O ego a chorar
E uma cascata
De medo, descendo
Na serra de medo
Que fica acolá

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Cibertolo

Eu ja fui um internauta
Som de modem, som de flauta
Cibernauta digital

Surfava toda a Web
Mails mandava, vocaltec
minha serva, listserv

Era minha companheira
por entre roteadores

Mas o teclado era frio
Eu era peixe sem rio, sem açude, sem maré

Voltei a sair à rua
Abracar a noite nua
As madrugadas sem fim

Cebertolo, cibernada
Mais vale um boa amada
No gibabaite da rede

Não essa de navegar
A rede de balançar
No singelo vai e vem

E quem quiser internet
Ficar inerme internado
Pelas redes virtuais

Fique aí, não diga nada
Pois nessa rede safada
Embora Gates agite
Não arrumei namorada
Fiquei na superestrada
E uma baita tendinite

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Beira Molhada

Tu és muito sem vergonha
Claudete,
Fostes comunista, atéia
E agora, charlatã?

Dissestes mil vezes rindo
Que teu sorriso tão lindo
Era de prazer, de sonho

E agora, nem me liga
Teus ideais, tua briga
Era fumaça no céu

Quem virá te socorrer
Quando um dia renascer
Essa vontade serena

Que cresce, reina, governa
A rebelião eterna
Quanto mais me passam a perna
Mas eu fico corajoso

E mais o meu sonho aumenta
Se agiganta à minha frente
O desejo de lutar
A minha gente inda sonha
E tu Claudete, medonha
Foge do teu pesadelo.

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