Escritas

Lista de Poemas

Sextina da Véspera

Um pensamento parte
Confluente da tarde,
— Banho de ouro em que a Rosa
Abre um ventre divino
À cadência amorosa
Do tempo e do destino.

Um só — tempo e destino,
Ambos em toda a parte:
Noite inquieta, amorosa
Manhã, morosa tarde...
Tempo — sono divino!
Destino — sonho... Rosa!

Sonho da tarde — Rosa!
Não lhe diz o destino
O que o tempo, divino,
Esquece em toda a parte;
Só lhe murmura a tarde
A delícia amorosa...

Vibra a luz amorosa,
Anima, aviva a Rosa,
— Excelência da tarde,
Surpresa do destino,
Em que ventura é parte
Sem o tempo — divino.

Tarde — rubor divino!
A luz tomba amorosa,
Toda se dá, se parte,
Esplendor cor-de-rosa...
Idéia do destino
Em que se perde a tarde!

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Ed

Cinja-lhe a fronte e cinja-lhe os cabelos
A coroa de pâmpanos virente,
E abra-lhe, a meio, a boca em riso ardente,
Porém um riso que provoque zelos...

E vistam-na depois, com mil desvelos,
Do grego manto leve e transparente,
Deixando livre o colo e a pele quente
Dos braços nus — que assim é melhor vê-los.

E, — assim vestida, à moda primitiva
Da Frinéia pagã, — a luz serena
Do seu olhar se torne mais cativa,

Mais lânguida e mais doce! — e Ed, a morena,
Há de surgir mais casta à luz mais viva,
Plena de mais pureza e graça plena...

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Os Sátiros

De corpos nus, por entre a espessa mata, o bando
Dos Sátiros se interna em constante procura:
Ora um se adianta, além, na intrincada espessura,
E ora outro mais se afasta — olhos fitos, buscando...

Esse, que tem no lábio o rubescente e brando
E esplêndido frescor de uma fruta madura,
Abre o lábio a sorrir... Vendo aquele a frescura
De uma corrente, bebe a água que vai rolando...

Soa ao longe um rumor! o ardente bando, à espreita,
Aquieta-se. E por fim, loiras, nuas, aflantes;
Vêm as Ninfas, a rir, descuidosas, sem vê-los...

E os Sátiros, que à sombra esperavam na estreita
Passagem, de repente erguem-se, — e os mais amantes
As prendem, lhes cingindo a cintura e os cabelos...

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