Lista de Poemas
XII - Noite de Luar
Ó luar, dá-me na tua asa branca o seu beijo,
Dá-me a sua carícia, o seu amor e aquela
Doce luz que roubaste aos meigos olhos dela,
Que é toda a minha vida e todo o meu desejo.
Uma estrela falar-me uma noite assim veio,
Deixando na minh'alma um cristalino rasto:
"É impossível que o luar sendo assim puro e casto
Não lhe tenha roubado a brancura do seio!"
E tu ó luar, disseste assim risonho: "Deixa
Falar a estrela! Foi esse astro que, sonhando,
A luz branca do olhar lhe roubou, terno e brando,
Enquanto a noite vinha arrancar-lhe a madeixa"
Estrela, mentes? Luar, mentes também? Seria
Uma blasfêmia cruel dizer agora ao certo
Se de vós veio a luz que ela tem, ou se o aberto
Olhar que tendes, dela em gotas veio um dia...
Uma blasfêmia... Pois eu não posso dizer-vos
Se ela é do céu, ou se vós sois da terra, tanto
É o sensualismo que me vem do vosso pranto,
Tanta é a celeste luz que me vem dos seus nervos!
In: GUIMARAENS, Alphonsus de. Obra completa. Organização de Alphonsus de Guimaraens Filho. Introdução de Eduardo Portella. Notas biográficas de João Alphonsus. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1960. p. 546-547. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira, 20). Poema integrante da série Salmos da Noite
XXVIII - Poetas Exilados
No Mosteiro, da velha arquitetura, de era
Remota, vão chegando os poetas exilados.
A porta principal é engrinaldada em hera...
Os sinos dobram nos torreões, abandonados.
Uns são bem velhos, e há moços, na primavera
Da idade humana. Alguns choram mortos noivados.
Sem esperança, cada um deles tudo espera...
Outros muitos tem o ar de monges maus, transviados.
E ninguém fala. O sonho é mudo: e sonham, quando
Ei-los todos de pé, estáticos, olhando
A branca aparição de hierático painel.
Chegaste enfim, magoado Eleito! Olham. Vermelhos
Tons de poente num fundo azul... Dobram-se os joelhos:
É Cruz e Sousa aos pés do arcanjo São Gabriel.
In: GUIMARAENS, Alphonsus de. Obra completa. Organização de Alphonsus de Guimaraens Filho. Introdução de Eduardo Portella. Notas biográficas de João Alphonsus. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1960. p. 513. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira, 20). Poema integrante da série Outras Poesias
O Lago de Tai-Hu
Uma após outra (os ares são tranqüilos)
As gôndolas deslizam suavemente.
O espaço cortam sons de flauta... e a gente
Tem o ouvido encantado só de ouvi-los.
Oh Lago de Tai-Hu! Poente vermelho...
O vento morre em calmaria e o undoso
Céu, repleto de azul, vem luminoso
Refletir-se no movediço espelho.
Publicado no livro Poesias (1938). Segundo João Alphonsus, tradução de poema que se encontra como parte inicial da terceira novela, Mariage Forcé, em Trois Nouvelles Chinoises traduites pour la première fois par le Marquis D’Hervev-Saint-Denis (1885).
In: GUIMARAENS, Alphonsus de. Obra completa. Organização de Alphonsus de Guimaraens Filho. Introdução de Eduardo Portella. Notas biográficas de João Alphonsus. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1960. p. 199. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira, 20).
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