Alfredo Pedro de Meneses Guisado

Alfredo Pedro de Meneses Guisado

1891–1975 · viveu 84 anos PT PT

Alfredo Guisado foi um poeta português, dramaturgo e jornalista. Ligado ao movimento do saudosismo, a sua obra poética é marcada por uma forte expressão lírica, com temas recorrentes como o amor, a saudade e a melancolia. Desenvolveu uma carreira multifacetada, contribuindo ativamente para a vida cultural e literária do seu tempo através da escrita e da crítica. Sua produção literária, embora não extensíssima, solidificou sua presença no panorama poético português da primeira metade do século XX, dialogando com as sensibilidades estéticas de sua época.

n. 1891-10-30, Lisboa · m. 1975-12-02, Lisboa

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BALOIÇO

Na minha quinta, em pequeno,
Tive um inquieto baloiço
Que ainda o vejo sereno
E nele os meus gritos oiço.

Longas horas baloiçava
Meu frágil corpo menino.
E ora subia ou baixava
Num constante desatino.

Nesse baloiço, à distância,
Chama por mim minha infância
E eu chamo p'lo que passou.

E sem haver quem me oiça
O baloiço me baloiça
Entre o que fui e o que sou.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Alfredo Pedro de Meneses Guisado, conhecido simplesmente como Alfredo Guisado, foi um poeta, dramaturgo e jornalista português. Nasceu em Lisboa a 18 de novembro de 1891 e faleceu na mesma cidade a 23 de julho de 1975. Originário de uma família de classe média, viveu a maior parte da sua vida em Portugal, escrevendo em português.

Infância e formação

Pouco se sabe sobre a sua infância e formação inicial, mas a sua posterior ligação ao mundo literário e jornalístico sugere uma educação cuidada. Absorveu, tal como muitos intelectuais da sua geração, as correntes estéticas e culturais que marcavam o início do século XX em Portugal.

Percurso literário

Alfredo Guisado iniciou a sua atividade literária no campo da poesia, onde se destacou. Foi um dos nomes associados ao movimento do Saudosismo, liderado por Teixeira de Pascoaes, embora a sua obra não se limite a este rótulo. Paralelamente à poesia, explorou o teatro com algumas peças e manteve uma atividade jornalística ativa, escrevendo críticas e outros artigos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra poética de Alfredo Guisado é marcada por um lirismo profundo, frequentemente voltado para a exploração da saudade, do amor, da melancolia e de uma certa introspeção existencial. O seu estilo caracteriza-se pela musicalidade, pela exploração de imagens sensíveis e por uma linguagem cuidada, por vezes evocando um tom elegíaco. Utilizou formas poéticas tradicionais, como o soneto, mas também explorou o verso livre. Entre as suas obras poéticas mais conhecidas estão "Poemas de Deus e do Diabo" (1914), "A Alma e a Pena" (1917) e "Cantiga das Três Irmãs" (1930). Embora não tenha introduzido inovações radicais, a sua obra dialoga com as sensibilidades do Simbolismo e do Saudosismo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Alfredo Guisado viveu numa época de grandes transformações em Portugal e no mundo. Foi contemporâneo de importantes movimentos literários como o Saudosismo e o início do Modernismo. Manteve relações com outros escritores e círculos literários da época, participando ativamente na vida cultural. A sua obra reflete, por vezes, as inquietações e a atmosfera cultural e social do seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal As informações sobre a sua vida pessoal são escassas. Sabe-se que manteve uma vida dedicada à escrita e ao jornalismo. Não há registos de envolvimento político de grande relevo, mas a sua obra revela uma sensibilidade e uma profundidade espiritual que podem indicar uma vida interior rica.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Alfredo Guisado foi reconhecido na sua época como um poeta de mérito, inserido no movimento saudosismo. Embora não tenha alcançado a fama de outros poetas contemporâneos, a sua obra tem sido preservada e estudada, sendo considerada parte importante da poesia portuguesa do século XX.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Influenciado por poetas românticos e simbolistas, Alfredo Guisado, por sua vez, deixou a sua marca na poesia portuguesa, especialmente através da sua expressão lírica da saudade e da melancolia. A sua obra contribuiu para a diversidade temática e estilística da poesia do século XX em Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Guisado é frequentemente interpretada como uma exploração da condição humana, da efemeridade da vida e da busca por sentido. A sua poesia lírica convida à reflexão sobre sentimentos universais como o amor, a perda e a passagem do tempo.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Poucas curiosidades específicas sobre a sua vida são amplamente conhecidas. A sua atividade jornalística, para além da literária, mostra um lado multifacetado do autor.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Alfredo Guisado faleceu em Lisboa em 1975. A sua memória perdura através das suas obras publicadas, que continuam a ser consultadas e apreciadas por amantes da poesia portuguesa.

Poemas

3

Vôo

Voei em mim, voei. Meu vôo se perdeu
Num fatigante abraço. Um beijo que me deste
Me conduziu a um mundo, a um mundo de além-Eu.
Onde voei sem ti, onde tu me perdeste.

Há quantos anos já!... Há quantos anos foi!...
Lembro-me que lutei coum vento de agonia
Uma ilusão perdida, um fenecer do dia,
E lembro-me que fui da minha vida herói.

Ó mãe do meu amor sempre pra mim perdida!
Eu sinto-me cansado, eu vivo numa vida
Onde não canta a Alma, onde não sei viver!

Quando passaste em mim, um beijo me deixaste
Na sombra do meu peito, em Dor o emolduraste...
Ó ilusão de mim! Ó névoa do meu Ser!
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BALOIÇO

Na minha quinta, em pequeno,
Tive um inquieto baloiço
Que ainda o vejo sereno
E nele os meus gritos oiço.

Longas horas baloiçava
Meu frágil corpo menino.
E ora subia ou baixava
Num constante desatino.

Nesse baloiço, à distância,
Chama por mim minha infância
E eu chamo p'lo que passou.

E sem haver quem me oiça
O baloiço me baloiça
Entre o que fui e o que sou.
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Lume

Apagou-se, por fim, o incerto lume,
que, em volta do meu ser, ainda ardia,
e o velho alfange, de inquietante gume,
cortou o voo que meu sonho erguía.

Apagou-se, por fim, o lume incerto...
e fiquei-me entre as urzes, hesitante,
no local que pr'a o além era o mais perto
e pr'a voltar a mim o mais distante.

Abandonada, então, essa charneca,
vestida de silêncio, árida e seca,
rodeou-me a minha alma sonhadora.

Afastei-me. Acabei por me perder:
sem poder atingir o que quis ser
e sem poder voltar ao que já fora.
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