Escritas

Lista de Poemas

Da série Árias para folha

Da série "Árias para folha de fícus" - III

...foi mais ou menos isso:
um susto louco
ao dobre do crepúsculo,
como se meu corpo
fosse todo-olvidos.

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Da série Árias para folha

Da série "Árias para folha de fícus" - I

É, não vem,
não vou.
Deixa pra lá,
depois se vê.
Você queima
e eu não ponho
a mão no fogo por você.

👁️ 483

Da série Árias para folha

Da série "Árias para folha de fícus" - II

Ter coragem de olhar
pela última vez
e mentir calmamente:
quem sabe?... Talvez...
como se a última vez
ficasse pra outra vez

👁️ 605

Você

Da série "Árias para folha de fícus" - III

...foi mais ou menos isso:
um susto louco
ao dobre do crepúsculo,
como se meu corpo
fosse todo-olvidos.

👁️ 1 385

Desencontro Marcado

Da série "Árias para folha de fícus" - I

É, não vem,
não vou.
Deixa pra lá,
depois se vê.
Você queima
e eu não ponho
a mão no fogo por você.

👁️ 1 511

Lamas

Da série "Árias para folha de fícus" - II

Ter coragem de olhar
pela última vez
e mentir calmamente:
quem sabe?... Talvez...
como se a última vez
ficasse pra outra vez

👁️ 1 329

Hefesto

Um dia inteiro
para
em queda livre
beijar o solo.

No tempo mitológico
o dia é a vida.

Os filhos que ficam
grudados na mãe
passam toda a vida
caindo.

👁️ 1 575

Clima-X

Quando, agonizantes, gozamos,

transcendemos

essa históriade ser mulher
ou ser marido:

É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.

👁️ 1 196

Angústia de Influência

A mulher e o toureiro
têm em comum o cheiro
de sangue no esmero da roupa

têm em comum a graça
com que transpassam
a besta com a capa e a espada

têm em comum o estro
poético do gesto antes da
morte, os olhos de martírio

o homem-fera
babuja a bainha da Valquíria
quando
o infinito
lavra no lacre
seu sinete:
a besta expira, atônita
diante da verônica
de Manolete

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Baile de Formatura

Para Mari Lúcia

Eu não sonhei
que você estava linda.
Eu realmente fui ao baile
e vi você de relance, linda,
de uniforme de normalista,
e seus olhos eram olhos
de uma mulher enamorada,
parecida com a Malu Mader.
Sentindo frio em minhalma,
procurei o bar
pra tomar cuba-libre e coragem.
Quando voltei pro salão
você não estava.
Tinha casado e mudado.
Ainda havia flamingos,
viagens sentimentais,
encantamentos, convites,
damas apaixonadas,
sofisticadas e vagabundas,
a quem amei, mesmo sabendo
que isso não pode ser amor.
Não adianta me chamar
de irresponsável.
Eu estava me sentindo um tolo
por querer você.

Ainda assim, tive luas azuis,
luas pálidas,
luas brilhando sobre
cidades desconhecidas
e um caso para relembrar
e esquecer,
e novo tempo de partir
e o que será, será,
as luzes da cidade
refletindo
um sorriso na lembrança,
um certo sorriso de verão,
cerca de meia-noite,
um sorriso de velhos amigos
embora estranhos no paraíso,
e esse sorriso reacendeu
minha velha chama:
eu dançaria a noite inteira
de rosto colado,
dançando no escuro
canções de setembro,
dançando na chuva,
nas areias da maré baixa,
mas você ainda não estava
dançando a melodia imortal,
você era uma estrela
piscando acima do arco-íris,
e de repente havia fumaça
em seus olhos,
amores clandestinos,
minha garota melancólica,
até nosso reencontro,
mas depois daquela última dança,
corpo e alma,
nunca mais seremos os mesmos.

Hoje a canção é você
e eu estou feliz
por ser infeliz nessa fascinação
entre folhas mortas,
gardênias azuis,
serenatas ao luar,
canções da Índia,
cartas de amor...
With a song in my heart
eu te esperei vinte anos,
acordado e triste,
no salão silencioso e apagado.
Você mudou, noite e dia,
mudou suave e adoravelmente,
e ainda tem os mesmos olhos,
olhos de mulher apaixonada,
olhos de Malu Mader,
e agora, por causa de você,
por tudo que você é,
eu posso finalmente sonhar
que durante todo esse tempo
você não flertou com ninguém,
e que olha só para mim,
meu amor,
meu par.

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