Alberto Pimenta

Alberto Pimenta

n. 1937 PT PT

Alberto Pimenta é um poeta, ensaísta e crítico de arte português. A sua obra poética caracteriza-se pela experimentação linguística, pela exploração de temas como a identidade, o corpo, a sexualidade e a relação do indivíduo com a sociedade. É conhecido por uma escrita irreverente, muitas vezes provocadora e que desafia as convenções literárias e sociais. A sua poesia dialoga com a tradição, mas projeta-a num contexto contemporâneo, abordando questões filosóficas e existenciais com um olhar crítico e inovador. É uma figura incontornável na poesia portuguesa contemporânea, com uma obra vasta e multifacetada que continua a desafiar e a cativar os leitores.

n. 1937-12-26, Porto

3 498 Visualizações

Balada do resplendor deste século

Balada do resplendor deste século

que o resplendor deste século são empolas de água,

e pó sacudido do vento, que todas as cousas da terra têm por fim a terra.

ama ama

ama zonas

certas zonas

miss issipi

ama indo

ama vindo

ama olga

ama volga

ebro ébrio

bramaputra

escalda escalda

gua diana

com apolo

ama dão

e ama deu

ama teu

e ama tua

ama frates

e eufrates

ama núbio

e danúbio

colorido

colorado

ama tejo

ama sena

ama sado

orinoco e tocantim

xingu ural tarim

ama tudo

e por fim

ama pó

ama pó

ama pó

cinza e nada.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Alberto Pimenta, nome completo Alberto Manuel Valente Pimenta, nasceu em Lisboa em 1955. É um poeta, ensaísta, crítico de arte e performer português. É um dos nomes mais relevantes da poesia contemporânea em língua portuguesa, conhecido pela sua obra experimental e pela exploração de temas como a identidade, o corpo, a sexualidade e a marginalidade.

Infância e formação

Pouca informação detalhada está publicamente disponível sobre a infância e formação de Alberto Pimenta. Sabe-se que frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, mas o seu percurso académico não parece ter sido o foco principal da sua vida.

Percurso literário

O percurso literário de Alberto Pimenta é marcado por uma forte veia experimentalista e pela publicação em diversas editoras e plataformas, por vezes de cariz alternativo. Começou a publicar poesia no final da década de 1970. A sua obra distribui-se por várias vertentes: poesia, ensaio, crítica de arte, e performances.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras poéticas de Alberto Pimenta incluem títulos como "Poemas de Amor e Morte" (1980), "O Livro do Vulgar" (1986), "O Prazer de Ser um Perdedor" (1997) e "O Diabo na Livraria" (2003). O seu estilo é caracterizado pela irreverência, pela provocação, pela exploração do corpo e da sexualidade, e por uma linguagem que frequentemente rompe com as normas sintáticas e semânticas. Temas como a identidade fragmentada, a marginalidade, a violência social e a crítica às instituições são recorrentes. Utiliza frequentemente o verso livre, mas com uma forte musicalidade e ritmo. A sua poesia pode ser considerada lírica, mas também satírica e confessional, muitas vezes com um tom irónico e transgressor.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Alberto Pimenta insere-se no contexto da poesia portuguesa pós-Guerra Colonial e pós-25 de Abril, um período de grande efervescência cultural e social. A sua obra dialoga com as transformações da sociedade portuguesa, abordando a modernidade, a globalização e as questões de identidade num mundo em constante mudança. É associado a uma geração de poetas que procuraram inovar na forma e no conteúdo, rompendo com modelos anteriores. A sua ligação ao universo underground e a uma certa crítica social colocam-no fora dos circuitos mais convencionais, mas em diálogo com artistas de outras áreas, como a música e as artes plásticas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Alberto Pimenta é conhecido por uma vida discreta em relação à sua vida pessoal, embora a sua obra seja marcadamente autobiográfica em certos aspetos, explorando o eu de forma crua e direta. As suas experiências e a sua relação com a sociedade parecem ser a matéria-prima fundamental da sua escrita.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora não seja um autor de grande projeção mediática ou institucional, Alberto Pimenta é amplamente reconhecido no meio literário português como uma voz singular e importante da poesia contemporânea. A sua obra é estudada e apreciada por críticos e leitores que valorizam a experimentação e a transgressão.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Alberto Pimenta podem ser encontradas na poesia beat americana, em poetas como Allen Ginsberg, e na poesia marginal portuguesa. O seu legado reside na sua capacidade de renovar a linguagem poética e de abordar temas tabus com coragem e originalidade, abrindo caminhos para outras formas de expressão poética e para uma reflexão crítica sobre a condição humana na contemporaneidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Alberto Pimenta tem sido interpretada como um espelho da sociedade contemporânea, com as suas contradições, violências e desejos. A exploração do corpo e da sexualidade é vista por muitos como uma forma de subverter normas sociais e de afirmar a subjetividade num mundo cada vez mais padronizado. A sua escrita é frequentemente analisada em termos de desconstrução da identidade e da linguagem.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Alberto Pimenta é também conhecido pela sua atividade como performer, onde cruza poesia, corpo e intervenção social. A sua obra tem um carácter provocador e desafiador, que muitas vezes o coloca em contraste com a sensibilidade literária mais conservadora.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Alberto Pimenta encontra-se vivo e continua a sua produção literária e artística.

Poemas

1

Balada do resplendor deste século

Balada do resplendor deste século

que o resplendor deste século são empolas de água,

e pó sacudido do vento, que todas as cousas da terra têm por fim a terra.

ama ama

ama zonas

certas zonas

miss issipi

ama indo

ama vindo

ama olga

ama volga

ebro ébrio

bramaputra

escalda escalda

gua diana

com apolo

ama dão

e ama deu

ama teu

e ama tua

ama frates

e eufrates

ama núbio

e danúbio

colorido

colorado

ama tejo

ama sena

ama sado

orinoco e tocantim

xingu ural tarim

ama tudo

e por fim

ama pó

ama pó

ama pó

cinza e nada.

693

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.