Adailton Medeiros

Adailton Medeiros

n. 1938 BR BR

Adailton Medeiros é um poeta cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa, com um olhar atento às complexidades da existência e às nuances do cotidiano. Sua poesia é marcada por uma linguagem precisa e, por vezes, fragmentada, que explora temas como a memória, a identidade, a relação com o espaço e a busca por sentido em um mundo em constante transformação. Medeiros frequentemente utiliza o verso livre e uma abordagem imagética que convida à reflexão. A obra de Adailton Medeiros reflete uma sensibilidade para os detalhes aparentemente banais da vida, elevando-os a um patamar de significado existencial. Sua escrita, embora por vezes densa e introspectiva, busca estabelecer um diálogo com o leitor, convidando-o a partilhar de uma experiência poética que é ao mesmo tempo pessoal e universal. A exploração de novas formas de expressão poética é uma constante em sua trajetória, posicionando-o como uma voz relevante na literatura contemporânea.

n. 1938-01-01, Maranhão · m. , París

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Auto-retrato

Diante do espelho grande do tempo
sinto asco
tenho ódio
descubro que não sou mais menino
Aos 50 anos (hoje — 16 / 7 / 88 (câncer) sábado — e sempre
com medo olhando para trás e para os lados)
questiono-me (lagarto sem rabo):
— como deve ser bom
nascer crescer envelhecer e morrer

Diante do espelho grande na porta
(o nascido no jirau: meu nobre catre) choro-me:
feto asno velhote pétreo ser incomunicável
sem qualquer detalhe que eu goste
(Um espermatozóide feio e raquítico)

Como nas cartas do tarô onde me leio
— eis-me aqui espelho grande quebrado ao meio

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Poemas

4

Exílio dele nas Urubuguáias

exilAdo nas urubuguáias
boi serapião do buriti
corre nos cerrAdos e grotões
tal marruá de tamAnca e reza

andarilho sem odres de couro
um patori desaplumbeAdo
na travessia das grAndes estórias
construindo em sete mil dias Dios

um antropomOrfa como
o veAdo do mistéRio
de gelos e vinhos tintos

ou o carCará castrAdo
vindo dos salEs noturnos
furnicAdo de marinhas

934

Pré-texto para Cassiano Ricardo

amanhã o bom dia
na difícil manhã
chão romã
clã reipã
no reVerSo SIGno
EU mEU poemachão
poemapa poemassa
fada fica
riso rico
falo fala
sobre / vivEntes e
ternos amigos do
peito ó Jeremias
sem choro
nem velas
canto RICo ARDOr
sabiá-do-rosa-mente

945

Auto-retrato

Diante do espelho grande do tempo
sinto asco
tenho ódio
descubro que não sou mais menino
Aos 50 anos (hoje — 16 / 7 / 88 (câncer) sábado — e sempre
com medo olhando para trás e para os lados)
questiono-me (lagarto sem rabo):
— como deve ser bom
nascer crescer envelhecer e morrer

Diante do espelho grande na porta
(o nascido no jirau: meu nobre catre) choro-me:
feto asno velhote pétreo ser incomunicável
sem qualquer detalhe que eu goste
(Um espermatozóide feio e raquítico)

Como nas cartas do tarô onde me leio
— eis-me aqui espelho grande quebrado ao meio

922

Cucu

(No maranhão: faz tanto tempo
— E como dói meu pensamento)

Com estria preta
tal debrum de fita
em redor do olho
lá vai voando —

no bico preto
se debate a lagarta
de jasmim ou de palmeira
( — Colorida?)
— a vela avezinha

que presente
guardo
na memória — hoje descontente

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