Lista de Poemas

Tempos

hastes esguias
lançam roxos sobre
a primavera
pedestres caminham
nas nuvens
homens anseiam alturas
verticalizam

tempos de consumo
descrenças
de prédios sem janelas
de deuses perdidos
na história
de casebres sem luzes
nas varandas

ruas vermelhas
não cabem em telas
soterradas
sementes aguardam o momento
para reflorestar

vôo branco
na distância
transparência de mar
o verde desce
debruçado
sobre um rio

a contra-mão da vida
sinalizada
por uma bandeira vermelha
tempos de secas
e pragas
de argamassa em paliçada
corredeiras a nos escorrer
por labirintos

sinto cheiros
um perfume conhecido
exala de seu corpo adormecido:
tempos de amor

👁️ 1.051

Gozo

silencioso...

solto
disperso
aberto

delicioso...

desprendido
desatado
desobrigado

viver...

sem rumo
sem nada
sem ter

em regozijo
num gozo intenso

👁️ 919

Sumo

tê-la inteira
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.

em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.

e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.

👁️ 983

Maçã-do-amor

abrir pétalas com
a língua
explorar
seus cheiros e sabores

levar seu néctar
para além desse momento
para colmeias
perdidas no inconsciente

nos momentos em que
nada valer a pena
ou quando você não estiver
mais presente
minha língua
lamberá a lembrança
como lambemos aquela
maçã-do-amor

lembra-se?

👁️ 1.032

Morrer

língua
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor

línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços

seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios

ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto

chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados

ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera

morremos para o mundo...

👁️ 875

Seda

enquanto nascem
pêlos
mulheres tecem a lã
e cabelos

disfarce táctil
fácil
escondem gozos

uma tênue como seda
esconde o pecado.

👁️ 857

Surrealista

cabelos escorridos
caprichar nos bicos
seios rijos
rechear as coxas
apetrechos

nos pêlos negros
encaracolar
desejos
escorrer uma fina
depressão
uma dala erótica
um rego

palavras
lavras e cheiros
de fêmea-faminta
lambuzada de um mel
selvagem
da abelha mais nobre
a queimar a língua
a criar um delírio-macho

caldo provado
tornar chamas caladas
derreter
em cinzas

sermos sulco-sumo
uno
fêmea-macho
sem artimanhas
procriadores de efêmeros
nadas
abraçados no pescoço
surrealista de minha poesia

👁️ 902

Tertúlia erótica

chula
boceta tem o clitóris no b
a uretra no c
e a vagina no a
não
solta nenhum rapé
mas é cheia
de pastilhas e docinhos literários
guloseimas
que somente um poeta aprendeu
a cultuar

👁️ 967

Ritual

seus olhos
ovulam um verde mediterrâneo
espermatozóides
agitam-se em gôndolas
sua língua
passeia em minha boca
meu pênis
endurece e penetra sua vagina

gozemos
há um ritual de procriação
mergulhado
nesses olhos verdes
: quem sabe
dele nascerá algum poeminha?

👁️ 1.034

Amantepoesia

tê-la
silhueta e essência
em claros-escuros
sem ser a outra

atrair
meus minutos vazios
em sensuais
signos-fascínios

aprisioná-la
ao redor de mudas
máscaras-vozes
amarras

suas unhas absorvem
ontens
aderem hojes
rompem o amanhã

um sol espreita
seus passos
serem roubados
pelo mar

para amantepoesia
não há lugar
quando é dia

👁️ 802

Comentarios (0)

Iniciar sesión para publicar un comentario.

NoComments