Poems List

Olhar embriagado

Vi 
      Uma mulher 
                              Bela e 
Formosa
                  Pena que a danada 
     Não foi
          com a minha prosa
Tentei me aproximar
                     Tropecei
que nem senti
                Só ouvi quando berrou
Bebo fedido sai daqui
             Cai       bem do seu lado
Babando afobado
             Eita
          que      arrogância
Eu só queria um trocado.
👁️ 103

Instante

Num colapso, desatino frente
O instante perdido, a doce garoa
Vem das nuvens ferozes 
Assim como a compreenção
Minutos desatenta no chão frio
Em devaneios soluveis
Não irei estragar-me com razão
Tendo em mente que nada sei
Entendo apenas que me perdi.
👁️ 69

Amarro

Nunca fui boa com nóz
Sejam no cadarço, na corda
Até a nóz moscada
Quem dirá no coração
Sou boa com palavras 
Em dizer, sem dizer 
Talvez por isso
Jamais
desatarei nóz com maestria
Como poderei?
desfazer o nó sem tocá-lo?
Mas sinto que... talvez;
Não seja de toda verdade
Pois acabei de o fazer 
O nó em meu peito
Desprendi com poesia.
👁️ 57

Conforto

E quando a doce razão morre
No orizonte, só, na névoa do ar
Tudo que sou foge na brisa 
E algo maior vem despertar

Como uma esperança funebre
Em um suspiro de gozo dor 
Vem a leveza da vida 
De um conforto amador

E de súbito tudo se pontua
A um fato pior
O mesmo cálice que cura 
Perpetua uma dor maior.
👁️ 101

Estranho depoimento

Estranho é quem é capaz de se estranha
Porque de final oque importa
Tudo é uma série de estranhesas despropósitas
E muito bem articulada
A vida é uma estranhes da morte.
👁️ 115

Passarinho

Passarinho apareceu  empolgado me contou
Disse que viu cobra transformar-se em uma flor
Que da água mais pura provara o frescor
Num lugar de grama céu azul, frutas, na companhia de um anjo
Mas é claro que aquela paz vinha de um manto
Suas assas foram cortadas para o meu espanto
Não podia mas voar, isolado resistia
Por não saber onde estava achou que era o paraíso
Mas pobre passarinho
Estava a beira de um abismo.
👁️ 103

Lembrete

Sou uma coisa
Que fizeram 
Depois moldaram 
E mais a frente descobriu algo 
Que era viva
E que era para ser 
Não poderia mas ser eles 
Teria de ser eu
Então acreditou em coisas
Que lhe contarão e que inventou 
E por mais que esqueça nos dias corridos e despropósitos
Que é uma coisa
Jamais poderá esquecer que é viva
Enquanto for.
👁️ 113

Anônimo desejo

O coração derrete
O libido pulsa
Somos Afrodite e Hera
Inocente luxúria
Faça-me te amar loucamente
arfar docemente
Viciar em seu aperto forte
Se te viver for pecado
Quero pecar até a morte.
👁️ 208

Mãe Deus

Qual o motivo que me leva a acreditar
Ser íntima do mundo?
A pergunta me persegue atônita
Tão bruta cuspindo em minha cara o fato
Que não sou nada, totalmente abestada
Um animal fútil
Preso em superstições com um destino atado
Se achando acima de tudo por usar um sapato
Igualmente fútil e abestado
Que direito eu tenho?
De não só me satisfazer no seio do mundo
Como reconhece-lo como mãe
Depois de tudo que fiz, que quis!
De me sentir amada e acolhida
De oferecer meu tão pouco
Pela imensidão que me é oferecida
Será que é um amor recíproco?
Sou uma boba iludida?
Não pode ser; o carinho que sinto
É real. Tem de ser
Se não, nada ne importa
Pois então, rezo, dou
Todo minha alma na tentativa incerta
De retribuir, apenas
Assim como faço do mundo meu altar
Me prontifico a ele
Minha morada
Eu que nele
Hábito.
👁️ 196

Quem é o morto

 
E pela primeira vez
Não a diferenças
Entre o pobre e o doutor
A morte é a única justa 
Quem morre é quem ficou
Porque morrer é para os vivos
Por isso se morre por quem
A morte levou.
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